sábado, 4 de novembro de 2017

Sobre fugas e furacões

Ela fugia, à toda velocidade, do amor.
Com o coração dolorido, se poupava da dor,
trancada num castelo, rodeada de preconceitos,
julgamentos e sobrecargas.
Tinha esquecido que nesse mundo louco,
onde tudo o que importa é vaidade,
o amor ainda se escondia nos detalhes.

Ela fugia, ainda correndo, no caminho contrário ao amor,
afundando na loucura.
Sua sanidade por um triz,
seus sorrisos tão pesados, tão cheios de contentamento.
Tanta felicidade ao redor,
seria possível que ela fosse desfrutar disso?

Ela fugia, andando nos caminhos de auto punição,
colocando o amor por si mesma na última prateleira
e virando as costas.
Alguém enxergaria de fato quem ela é?
Alguém a puxaria de volta à sanidade?

Ela fugia, e então parou.
Ao longe, o inesperado sorriu.
Ao longe, a mulher que ela nem sabia
que morava dentro dela também sorriu.
Algo começava a mudar.
Seus preconceitos, julgamentos e sobrecargas
eram aos poucos substituídos
por carinho, suavidade e amor.
Seria esse o caminho?

Ela parou de fugir.
Suas energias estavam em outro lugar agora,
suas exigências eram outras,
suas experiências se transformavam
enquanto ela mudava também.
Seus castelos que pareciam tão fortes,
eram de areia.
Desmoronaram.

Pedia para que o verão viesse com a chuva,
até que encontrasse o amor ou furacões,
afinal, havia abrigo para ela no fim da fuga.
A chuva veio mostrando que,
em seus pequenos furacões,
também é possível encontrar o amor.

domingo, 3 de setembro de 2017

Só o amor

Não se deixe enganar: só o amor pode.

Ele não reconhece causas perdidas. Ele não te subestima. Ele não te menospreza.

Só o amor pode te abraçar quando tudo que existe em você é caos.
Só o amor pode mostrar seus erros com carinho.
Só o amor pode entender que você vai errar o tempo todo e só o amor pode te perdoar.
Só o amor pode esquecer o erro.

Não se deixe enganar: o amor só se desenvolve com a prática.

Ele não facilita a sua vida. Ele não te acomoda. Ele não te deixa parar.

Só o amor te faz voltar para o caminho.
Só o amor te faz paciente e bondoso.
Só o amor te faz ajudar quando você não gosta para que quem você ama se sinta confortável.
Só o amor te faz transformar realidades cruéis e egoístas.

Não se deixe enganar: ele não nasceu em você mas te faz capaz.

Você quer posse. Você quer se satisfazer. Você quer o foco.

Só o amor é capaz de providenciar mudanças profundas e duradouras.
Só o amor é capaz de te guiar ileso para fora dos tiroteios diários de ódio gratuito.
Só o amor é capaz de te deixar feliz por estar nos bastidores da conquista.
Só o amor é capaz de te fazer viver plenamente.

Não se deixe enganar pelo que não é amor. Não se deixe enganar pelo que não é duradouro.

Não se deixe enganar: o amor é constante.
Desde sempre, para sempre.
Vivo e eficaz.
Improvável e real.
Move-se e move-nos.
Ganha batalhas perdidas e surpreende os incrédulos.

Não se deixe enganar: o amor é um só.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Para você que tem estilhaços onde tinha um coração

Sinto muito que isso tenha acontecido com você, amor.
Não é minha a intenção de te fazer reviver e sofrer tudo de novo.
Vim te contar que seu coração está aqui,
no alcance dos meus olhos,
e existem tantos estilhaços que seria impossível identificá-lo
se você não tivesse me contado o que está quebrado.

Sinto muito, amor,
que alguém tenha quebrado o teu coração.
Já quebraram o meu, mas também já balancei o martelo.
O que você realmente precisa saber são duas coisas muito importantes:
você não é responsável pela quebra
e apenas você é capaz de recuperar cada estilhaço.

É certo que a gente sempre se culpa, amor...
Deveria ter sido mais tolerante,
ter sido mais ousada,
ter sido mais submissa.
Não.
Eu sei que você não deveria.
Não se culpe quando você não conseguiu cumprir a expectativa alheia.
Não se culpe por ser você.
Não se culpe se o seu amor não era suficiente para que ele ficasse.

Deixa-o ir, amor.
Deixa.
Deixa os ventos de tempestade levarem esse sentimento.
Deixa os caminhos se distanciarem,
deixa as lembranças boas num baú com chave.
Perca a chave, amor, mas nunca o baú.
Você sabe exatamente o que tem guardado.

Não sou capaz de reconhecer seus estilhaços, amor.
É tanto caco perdido aqui que já não me lembro mais
quais são os meus e quais são os seus.
Se ajoelha aqui, vamos com calma.
Vou buscar aquela cola necessária,
meus equipamentos de artesanato,
todos os clichês que me fazem uma Amélia experiente
pra ajudar no remendo de um coração.

Ih, amor, vai faltar um pedacinho aqui.
Foi aquele empiasto que levou embora né?
Pega aqui esse pedaço meu,
quase encaixa e não vai me fazer falta.

Eu quero me aventurar, amor!
Quero viver uma vida cheia,
plena, sofrida, calejada e
com muitos pedaços faltando aqui no meu coração.

Mas ele nunca ficará furado, amor.
Ganhei alguns pedaços.
Outros roubei.
Roubei mesmo! Eles estavam ali,
dispostos à toa e cabiam exatamente
onde encontrei um buraco em mim.

Mas a verdade é que meu coração estilhaçado hoje é multicolorido.
Cada trauma e lembrança o transformou no mais lindo dos caleidoscópios.

Ah amor, o coração engana a gente viu.
Se você foi capaz de consertar tudo sozinha uma vez,
certamente vai se poupar do trabalho numa segunda.
Faz todo o sentido do mundo, amor.
Mas a gente tem que lembrar que nem tudo nessa vida faz sentido agora.

Sei que o dia vai chegar em que você vai querer entregar seu coração
nas mãos de outra pessoa e eu não posso te garantir
que esse alguém irá cuidar dele da melhor maneira.

Amor, ele poderá quebrar seu coração em mil pedaços de novo.

Mas acredito,
desacreditando um pouco,
que a entrega vai valer a pena
e o seu coração não vai ser um troféu na estante alheia,
nem um pedaço de papel na gaveta do escritório,
nem um remédio prescrito pra inflar egos e se encaixar nos padrões.

Mas saiba amor,
que os remendos permanecerão.
Só existe um amor capaz de fazê-los desaparecer,
mas esse amor é tema pra uma conversa e um café.

Vem comigo amor, que te conto sobre o maior amor do mundo.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Sobre questionamentos da vida moderna

É com um incrível e insuportável peso que venho dizer que, aos poucos, todas as amarras estão se soltando. Quando a gente começa a se perguntar sobre o sentido das coisas na vida tudo parece ganhar outra perspectiva. É com outros óculos que escrevo hoje, tentando deixar as palavras aqui de um jeito simples e entendível.

Será mesmo que eu preciso de um armário abarrotado de coisas que eu nem gosto? Será mesmo que, agora, com quase 25, preciso guardar os registros de dias sofridos, de uma Marola que era isso mesmo: uma onda que nunca quebraria? Pois bem, a onda quebrou. Venho quebrando alguns padrões conforme as experiências se apresentam. Nada contra quem curte viver do mesmo jeito a vida toda, sem buscar entendimento nem assimilar novas ideias, mas não consigo mais.

Começou alguns anos atrás com o acúmulo de cosméticos. Sim, gosto desse universo, mais do que roupas e sapatos, mas até que ponto sou refém de lançamentos e até que ponto sou livre para experimentar outras coisas da vida que não sejam relacionadas a cosméticos? O questionamento me veio na forma de uma alergia que durou mais de um mês. O motivo? Esmaltes. O primeiro vício. Agora fui obrigada a me desfazer de todos os que não podem mais ser usados e quer saber? Estou achando ótimo. Miga, se você gosta de esmalte, vem falar comigo, plmdds preciso dar fim neles

A sensação esquisita continuou quando percebi que tinha 5 produtos com as mesmas funções. Por quê? Não sei. Eu nem uso maquiagem com tanta frequência, tenho zero problemas em sair na rua de cara lavada e meu cabelo nem é mais comprido (e jamais será novamente). Seriam todos os produtos uma espécie de desculpa, de muleta, de artifício pra me mostrar o quão infeliz comigo mesma eu sou? Também reduzi. Sigo reduzindo. Espero que chegue o dia em que todos os meus produtos caibam em uma simples necessaire.

Quando meu corpo começou a travar e os cabelos brancos começaram a dar as caras com mais frequência, tive que tomar uma atitude. A atitude que venho negligenciando há anos e foi uma das maiores surpresas pra mim. Meu corpo reclamava, eu precisava cuidar dele. Comecei a fazer ioga, sozinha, no meu quarto, com um aplicativo de celular como professor. Faz quase dois meses e nunca mais acordei toda travada. Jamais imaginei que uma coisa tão simples fosse capaz de dar tantos resultados. Eu nunca me adaptaria a uma rotina de academia, de exercícios pesados nem de esportes coletivos. Admiro muitíssimo quem consegue, juro. Mas papai que me desculpe, nunca serei boa nos esportes. A vontade de perder uns quilinhos não vem mais por conta da estética: é só pra diminuir o peso da pancinha na hora da prancha mesmo (e por que o IMC diz que tem um quilo me deixando como sobrepeso). Alimentação saudável? Parei de tomar refrigerante com frequência, conta? Alimentação saudável é assunto pra mais pra frente, Marola acostumou com a rotina da ioga por enquanto, ainda precisa acostumar com a rotina de comer direito e não comprar mais miojo no mercado.

Sinceramente, sem querer parecer convencida nem nada, nunca estive mais confortável em minha própria pele. Isso nada tem a ver com os quilos na balança, nem com os cosméticos, nem com a ioga: tem a ver com aceitação pessoal. Tem a ver com olhar no espelho sem procurar me encaixar em padrões, afinal cada indivíduo é único e cada corpo segue um ritmo. Joguei os estereótipos pela janela e segui procurando me cobrar menos, me culpar menos e me perdoar mais, sem esquecer que o mais importante é saber o ponto de equilíbrio entre comer um quilo de comida de uma vez e viver só de salada. No fim das contas, a balança que importa é aquela que não mostra números, mas qualidade de vida.

Mas sabe o que me faz realmente feliz? Uma boa noite de sono. Completa. Não duas horinhas dormindo no sofá pra conseguir terminar projeto. Me faz feliz tomar café com as amigas e não almoçar uma marmita, em pé, no corredor do prédio dos mestrandos. Me faz feliz chegar em casa e ter bolo de fubá com café fresquinho. Me faz feliz rever e abraçar pessoas que eu não via em meses, quem sabe anos. Me faz feliz não ser julgada pela correria dos meus dias e ser entendida quando digo que a vida anda sim uma loucura e estou buscando sanidade diariamente. Me faz feliz quando as pessoas entendem que é preciso traçar prioridades e que nem sempre a gente consegue segui-las. Me faz feliz poder sentar no sofá e ler um livro. 

Pra onde é que a gente corre tanto sem chegar em lugar nenhum? Acho que as prioridades estão no mundo invertido mesmo. O alvo parece distante, a vista segue embaçada. Felizmente, ao longe dá pra ver aquele velho e conhecido farol que pisca durante a noite toda mostrando a rocha. É ali que existe terra firme e todos os meus questionamentos encontram respostas.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sobre mudanças (e por que minhas lágrimas não caem)

Essa sim é uma postagem jeito blog de ser, contando sobre experiências e expectativas, prevendo futuros e chorando passado. Eu tenho mais 3 trabalhos pra fazer, mas eles que me perdoem: o final do semestre pode esperar e eu estou exausta.

Faz 5 anos que saí pela porta de casa com todo o conforto e comodidades de ter alguém sempre fazendo tudo por mim. Faz 5 anos que vivo uma vida maluca de conhecer gente, de se apaixonar e desapaixonar, de consolar e receber colo de quem menos se espera, de crescer como pessoa e aprender a resolver minhas próprias tretas. Faz 5 anos que aprendi a reparar em detalhes (talvez isso já faça quase 25, mas andei me aprimorando ultimamente), a encontrar refúgio quando os trovões estrondam do lado de fora, a rir descontroladamente quando não posso controlar as coisas e a me divertir mesmo quando tudo parece caos. Faz 5 longos anos que sou engolida por compromissos com a graduação, em busca de um dos sonhos de criança, em busca de algo que não sei explicar ao certo, mas que me chama todas as manhãs pra dançar, tentando me dar esperança na caminhada e forças pra cumprir propósitos.

Sempre me recusei a viver por mim mesma. Sempre recusei aquilo que todos buscam. Poucos me entendem, eu mesma me questiono muitas vezes. Minha vida ainda segue um rumo nublado, com dois caminhos distintos a seguir, mas sigo de braços abertos e lutando para cada um deles. Confesso que o primeiro é uma jornada solitária e difícil, mas todas as vezes que embarquei em viagens assim inesperadamente encontrei tanta gente... Quem sabe do futuro, não é mesmo?

Essa jornada de aprendizado só serviu pra abrir meus olhos de diversas maneiras, pra conhecer pessoas completamente diferentes que vivem os mesmos dramas, pra conhecer pessoas extremamente parecidas que vivem dramas diferentes. Ai gente, a vida é um negócio tão doido né? Tanta gente cruza o nosso caminho e vai deixando marcas, vai modificando, ensinando, amando. É uma correria louca que seria insuportável não fossem as pessoas que conheci.

Por amar ouvir e compartilhar histórias, agora me encontro aqui, com um vazio bem grande no peito esperando pela mudança que não chega. Aliás, que chega rápida e sorrateira, não me deixando perceber o quão drástica ela será. Minha racionalidade não me permite chorar: foram tantos anos de drama adolescente, de sofrimento enclausurado e lágrimas incessantes que agora, quase com um quarto de século na vida, minhas lágrimas não caem mais.

Depois de muito tempo entendendo que sentimentos fazem a vida um pouco mais complicada acabei me tornando muito mais racional. E prática. Muito raramente minha razão solta as rédeas. Eu sabia que essa mudança chegaria, sabia que os ecos do apartamento vazio fariam com que meu peito apertasse, e, contraditoriamente, sei que assim que o aperto vier as lágrimas vão cair. Descontroladamente. Não vai ser bonito, eu não sou o tipo de pessoa "ah, que fofa que ela fica chorando". Definitivamente não.

Juro que queria corresponder às lágrimas que me seriam de direito. Ao choro não fingido pra expressar saudade, expressar gratidão, pra expressar sentimento. Sei que todos passaremos por muitas outras mudanças na vida então passei a enxergar os quadros maiores. Os anos futuros, os anos que se passaram, a oportunidade aproveitada e desperdiçada, as risadas e os perrengues. Aquele sentimento de eternidade que é colocado nosso coração, que Salomão tanto fala. Ele sabia que a vida é um grande repetir-se de momentos (chega de momento em viga, concreto me traumatizou), de maneiras semelhantes, em contínuo movimento: às vezes enfadonho, por vezes cansativo, mas, se a gente aprender a prestar atenção, a repetição toma uma cor bonita. Única. Especial.

Sim, hoje eu estou sensível. Bem como nas últimas semanas. Já dizia Roberto Carlos: são tantas emoções, bicho. Não estou sabendo lidar! É um misto gigantesco de felicidade e tristeza, de saudade e esperança, ai... Queria me despedir bonitinha e séria, então calma!

Eu não tenho lágrimas nos meus olhos, mas invariavelmente, meu peito está cheio de sentimentos balizados pela razão e minhas palavras não me abandonam. Essas mesmas, gastas, repetidas e daquele jeito que você já conhece. Acho que tenho probleminhas, mas continuo a escrever por que meus dedos não param, não cansam de transformar sentimentos em palavras. Minhas lágrimas vêm em forma de letras.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Carta aberta à amiga que vai casar

Primeiramente, gostaria de dizer que sim, esta carta tem o propósito de te fazer chorar, então busca o lencinho. Segundamente, quero dizer que tive que tirar esse tempinho no fim do semestre pra falar sobre o ano que irá mudar as nossas vidas de maneiras muito diferentes.

Amiga, você sabe que a jornada de um relacionamento a dois não é nada fácil. Você fez questão de ter os melhores conselhos na manga todas as vezes que eu surtava sobre o assunto. Você fez questão de sempre trazer esperança pro meu coração quando tudo o que restava nele era confusão. Seus conselhos sempre funcionaram como uma bússola, adequando minhas preocupações à realidade. Não sei bem como, mas sua vida virou uma parte da minha também, suas dores e aflições também foram minhas e as minhas foram suas... E foi assim devagarinho que ganhamos espaço uma no coração da outra.

Amiga, você vai se casar! Parecia tão longe, a aliança dourada de compromisso de noivado causou tanto estranhamento e agora ela vai pra mão certa e você vai tomar uma das decisões mais importantes da sua vida. Você imaginava que a gente fosse amadurecer tanto e tão rápido? Onde estão aquelas bixetes que não sabiam onde ficavam os prédios da universidade? Que eram atrapalhadas nos laboratórios? Nós deixamos de ser adolescentes faz muito tempo mas nunca deixamos de rir de algumas tragédias, tirando o peso delas dos nossos ombros. Estamos vislumbrando os 30 com simplicidade de crianças, o que mais poderíamos pedir?

Eu sei que você está preocupada se tudo vai dar certo no grande dia, se não terão imprevistos e se você vai sobreviver até lá. Mas amiga, lembra de todos os perrengues que você já venceu? Todos os dias muito ruins que ficaram no passado? Pois então, esses dias de correria e estresse vão ficar pra história e a gente vai rir muito deles assim como o balão de fundo redondo e a escada do cadeirante.

Não posso te prometer que não vou chorar. Vai ser muita felicidade te ver ali, de noivinha lindíssima caminhando pra realização de um sonho ao lado do amor da sua vida. Meus desejos de felicidade não vão encontrar palavras, então provavelmente se tornarão lágrimas e eu lembrarei de toda a sua história, de toda a sua trajetória até ali. Talvez um dia eu tenha o privilégio de viver uma história tão bonita quanto a sua e então sei que você chorará horrores se eu vier a ser uma noivinha, afinal, não é justo que você me faça chorar desse jeito e saia impune disso. 

Não posso deixar de dizer também que continuarei aqui. Sempre inexperiente sobre assuntos novos, mas com dois ouvidos bem grandes e aconchegantes pra ouvir tudo o que quiser compartilhar. Preciso te dizer que não vai ser fácil mudar de vida por que já passei por isso. Mas dê tempo. Sorria. Encare a mudança com leveza, dê uma choradinha de saudade da velha vida e segue em frente. Eu tenho certeza que as mudanças serão um choque mas você vai amar tanto o que está por vir! Lembre-se que a gente sempre viveu por propósitos maiores e que tudo o que acontece coopera pro nosso bem e pro nosso crescimento. Qualquer dificuldade ou insegurança que você venha a ter vai te levar mais longe, vai te fazer crescer e se tornar mais forte do que já é e eu tenho certeza de que você escolheu uma pessoa ótima pra te acompanhar nessa jornada de crescimento.

Eu te admiro pelo seu comprometimento com tudo o que se propõe a fazer e te admiro mais ainda por saber quando está na hora de procurar colo. O meu sempre estará disponível, assim como todo o meu amor e os meus votos de felicidade. Nunca se esqueça que temos Aquele amor em comum, o maior de todos eles, e que Ele cuida de nós.

Obrigada por compartilhar a vida comigo e me deixar sem janta,
aguardo convites futuros pra reparar essa mancada.

De sua amiga que estava te devendo um texto,
Marola.

sábado, 10 de junho de 2017

Uma geração que esqueceu de amadurecer

Nós somos a geração que está cada vez mais perdida entre os sonhos dos nossos pais e os nossos próprios, entre sobrecargas ridículas e caminhos despedaçados que escolhemos seguir. Nós somos a geração que, de fato, não sabe se deve casar ou comprar uma bicicleta. Para nossos pais foi fácil escolher: em pouquíssimo tempo de casamento já havia um chorinho de criança dentro de casa. Nós não queremos filhos imediatamente, queremos estabelecer padrões de vida e queremos mais etiquetas; estamos ávidos buscando cada vez mais conforto. No outro extremo, estamos cada vez mais acomodados, indispostos a arriscar nossas próprias cabeças em prol daquilo que acreditamos.

Nós somos a geração que muda de ideia a cada novo lançamento, a geração que tem déficit de atenção nos relacionamentos, a geração que esqueceu que tem gente passando frio e fome na rua agora. Nós somos a geração que vive em função do fim de semana e vive de segunda a quinta em modo zumbi. Passamos mais da metade do nosso tempo diante de telas, comparando vidas perfeitas e reclamando em como esse país não vai pra frente enquanto pagamos pra outro fazer o trabalho da faculdade. É, meu filho, nós somos uma geração de gente mesquinha. Nós fazemos uma birra danada quando as coisas não acontecem do jeito que queremos: a única diferença da infância é que a gente não se joga mais no chão do supermercado. Nossos pais só pensavam na gente, mimavam a gente, davam tudo o que a gente queria e nos transformaram em pequenos monstrinhos.

Mas não se desespere. Esse mundo é grande demais pra acomodar só desgracera. É certo que não quero ser conhecida pela minha incapacidade de lidar com frustrações. Não quero torcer o nariz se minhas vontades não forem todas satisfeitas, amém. Não vai ser minha a vida que se disfarça de liberdade quando na verdade é escravidão, com um chicote elegante que amansa mais do que machuca.

Não se engana, amigo, eu também me sinto perdida no caminho às vezes. Achei que ao final da faculdade fosse fácil identificar os próximos passos, mas te conto um segredo: só piora. Aproveita seu tempo pra cuidar de gente, pra aprender com quem é diferente de você, pra ouvir histórias de gente mais experiente, pare de se cobrar tanto. Vai comer seu doce, vai tomar aquele café com seus amigos. Pelo amor de alguma coisa que você realmente ame: para de ser preconceituoso. Para de querer ser o dono da razão (viu, Marola?).

Aprende a enfrentar tudo aquilo que te deixa aterrorizado. Se você, assim como eu, às vezes teme o futuro e tem uma ansiedade danada que tudo se encaixe nos quadradinhos certos em algum momento da vida, não se anseie tanto. Às vezes a gente tinha que virar as peças no Tetris pra encaixar, lembra? Aprende a gostar de você sem precisar de aprovação alheia. Também aprende a mudar tudo o que precisa mudar e para de ser teimoso. Aceita também que cada um tem uma dificuldade, inclusive você. DESENVOLVE EMPATIA, POR FAVOR. Descobre aquilo que te faz palpitar, que te tira o fôlego, que te apaixona sempre. Vai fazer trabalho voluntário por que o mundo está precisando. Aprende a começar a amar pelos defeitos, eu te garanto que é um barato e você nunca mais vai conseguir amar de outro jeito. Ensina pra esse povo que diz que a gente não presta pra nada que a gente presta sim e está fazendo. Ninguém aqui nasceu pra ter a bunda quadrada de sofá.

Vai, meu filho, vai com Deus que o mundo é grande demais pra olhar pro próprio umbigo e ficar chorando por besteira. Vai, meu filho, voa. Para de querer complicar o que é simples. Fala pra ela que você não para de pensar nela. Chora sua dor, compartilha ela que diminui. Amadurece e me dá a mão nessa caminhada por que não precisamos ir sozinhos. Alegria só é real se compartilhada. licença poética pra terminar com citação de Into the wild, câmbio desligo 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Matemática do Reino - Morada

Na matemática do Reino,
é no dividir que nasce a multiplicação
de paz, alegria, pão, amor.
Na subtração do próprio eu
o mais lindo e desmerecido favor .

Se o menos é mais,
o mais dele em mim nunca é saciado.
Quanto mais dele eu tenho
sou mais necessitado.
A soma do amor foi tão grande
que multiplicaram-se as feridas.
Subtraiu-se a alegria
dividiram-se as companhias
determinando sozinho o valor da morte.
E o resultado? Vida.

Somando todos os meus acertos
não conseguiria eu agregar valor ao perfeito
para que se desse inicio a essa equação de amor.
Na matemática do reino
o perfeito se humanizou,
me chamou de volta,
se alegrou,
correu pra porta,
me abraçou todo sujo, não importa!

Mesmo depois que exigi minha parte,
pedi pra dividir,
voltei a zero e encontrei tudo ali
exatamente igual a quando eu sai.

Se a ordem dos fatores não altera o produto
fico mudo.
Meus acertos não acrescentam amor,
meus erros não o diminuem,
minha falha correu pro teu favor
e o que já foi sequidão hoje flui.

Na soma dos meus pecados
não dividiu o fardo,
ao contrario,
tomou sozinho sobre si.

Diante de olhos curiosos, diminuía.
Na otica divina
cumpria, crescia.
Me chamou pra viver na Terra
mas com os olhos fitados no alto.
Sussurrar paz aos que gritam guerra,
ser flor que brota no asfalto.

Caminhar em um mundo caído
carregando valiosos princípios,
invertido.

Dividindo o pão, multiplicando a paz.
Matematicamente no reino,
menos é mais.

(Esse não é meu, mas é extremamente necessário compartilhar! Fica a dica do álbum "Uma coisa" do Morada. Tem no Spotify e é muito amor. ❤️)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Liberta-me

Liberta-me da minha aparência.
Preciso aprender a viver com menos, não sou aquilo que possuo.
Não me amas pela cor do batom ou pela etiqueta da roupa.
Não se compadece pela fatura do cartão de crédito nem pelo livro debaixo do braço.
Não são os brados de aprovação alheia
Nem meu complexo de inferioridade que me definem.
Liberta-me, não quero estar cativa em celas tão bonitas e sombrias.

Liberta-me da minha teimosia.
Preciso aprender a aceitar novos jeitos de resolver as coisas, não sou a dona da razão.
Não me amas por que é minha a ideia de ouro que salva o dia ou por que penso estar sempre certa.
Não se compadece pela minha arrogância nem pelo peso acumulado por mim mesma.
Não são as coroas
Nem os fracassos que me definem.
Liberta-me, não quero estar cativa em celas tão mesquinhas e perigosas.

Liberta-me do meu coração.
Preciso aprender a confiar em Você ao invés de mim, não sou capaz de entender o futuro.
Não me amas pela capacidade que tenho em criar expectativas ou pela frustração de cada uma delas.
Não se compadece pelos meus desejos passageiros nem pelas minhas alegrias momentâneas.
Não são os momentos de falsa liberdade
Nem os choros descontrolados e escondidos que me definem.
Liberta-me, não quero estar cativa em celas tão antigas e enganosas.

Liberta-me para que eu possa enfim voltar pra casa.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ele me deu 13 razões pra acreditar

A primeira razão apareceu quando ele se voluntariou para um plano, o que já existia antes que qualquer outra coisa existisse e que trouxe esperança à humanidade, mas especialmente ao meu coração.

A segunda razão foi pela atenção que teve comigo. Sempre, inevitavelmente, TODAS as vezes que clamei por socorro era o abraço dele que eu sentia. Todas as vezes em que o mundo todo estava cansado de me escutar eram seus os ouvidos que estavam atentos às minhas palavras.

A terceira razão foi por ele ser sempre tão inusitado. Eu nunca poderia prever seu comportamento em situações polêmicas. Ele virou a mesa quando percebeu que a ganância de alguns homens era maior que sua fé. Ele acolheu gente esquecida pelos outros. Ele gostava de gente esquisita e me ensinou a gostar deles também. Ele alimentou uma multidão com um pouquinho de comida que um menino tinha entregado, mas principalmente alimentou o coração de uma multidão que estava esfomeada há décadas...

A quarta razão foi por ele reconhecer minhas necessidades antes mesmo que eu pedisse. Era como se ele enxergasse no meu silêncio a extrema urgência que tinha de me sentir amada novamente.

A quinta razão foi a forma como ele me enxergava. Ele sabia de todos os meus erros e de cada detalhe ruim sobre mim. Ele sentia cada um dos meus sentimentos maus, ele sabia que eu queria vingança, que invejava, que era grosseira pelo simples prazer de ser. Mas pra mim era impossível contemplar suas atitudes sem reconhecer que algum tipo de luz inacreditável brilhava sobre ele. E de alguma forma ele fez com que brilhasse sobre mim também, me enxergando de maneira diferente do resto do mundo.

A sexta razão foi por ter dado sabor à minha vida. Suas palavras eram como o sal: através daqueles ensinamentos tudo o que vivia tinha um gosto diferente. Era possível suportar amargas discussões sabendo que poderia senti-las de outra maneira.

A sétima razão foi por se fazer amigo. Sua presença não demandava ganhos, não exigia recompensas. Ele simplesmente estava ali. Era seu prazer sentar-se do meu lado e ouvir minhas histórias mesmo que já soubesse de todas elas nos mínimos detalhes. Era sua alegria acompanhar meu crescimento pessoal e eram suas as lágrimas quando eu me machucava. Ele não estava alheio ao meu sofrimento. Ele estava do meu lado o tempo todo.

A oitava razão foi quando entendi a morte dele numa cruz. Ainda escuto sua respiração ofegante enquanto ele se lembrava de mim. Ainda posso sentir seus ombros cansados e sobrecarregados, seus pulmões se dilacerando em meio aquela agonia. Ele carregou aquela cruz pra mim, quando eu ainda não o conhecia. Ele carregou aquela cruz por mim por que sabia que eu não a suportaria. Ele a carregou quando eu ainda zombava do seu sofrimento. Quando eu era uma de suas razões para morrer.

A nona razão estava em seu sangue. Era através dele que minha certidão de nascimento fora modificada. Antes dele eu era apenas mais um número em registros amarelados de um cartório qualquer. Depois do sangue tornei-me cidadã de outro lugar... Um lugar em que não me sinto estrangeira. A pátria que sempre sonhei.

A décima razão foi a própria razão, que ele mesmo me ensinou. Não atribui tantas razões apenas por me sentir de um jeito ou de outro: as encontrei por serem lógicas para mim. Por serem exatas. Por serem profundas. Por trazerem um sentido jamais antes alcançado, não por me fazerem chorar em meio a multidões e espetáculos montados. A décima razão era a própria razão que falava comigo enquanto eu cantava sozinha. Enquanto eu não sabia me expressar com palavras. Enquanto tudo o que restava era um aperto inconsolável no meu coração e uma agonia profunda. Enquanto eu andava pelas ruas e percebia o quão distante eu estava do meu verdadeiro lar e por que eu nunca me sentiria completa fora dele. Eram em todos esses momentos que a própria razão ecoa a dentro de mim como um sino, piscava ao longe como um farol alertando à marinheira que havia rochedos pelo caminho e era necessário ajustar a rota.

A décima primeira razão veio quando ele me mostrou o que eu poderia fazer. Não sozinha, mas debaixo de sua orientação. Ele me mostrou que poderia usar as palavras pra curar corações partidos. Mostrou-me que era o seu reflexo quando eu entendia a dor alheia e a amenizava. Essa razão sempre me deixou atribuir a ele esses momentos e agradece-lo por me ajudar a ser mais parecida com ele.

A décima segunda razão era simples. Eu voltei a acreditar por que ele acreditou em mim primeiro. Ele me viu quando eu era invisível.

A última razão, a razão derradeira de me fazer acreditar, foi também a primeira. Em seu plano de me trazer de volta ao lar ele me amou. Antes de tudo, antes que eu soubesse o que era amar, antes que eu viesse me transformar em quem sou hoje. Seu plano era me amar. Seu plano era certificar-se que eu estaria junto dele além do tempo, além das angústias, além de qualquer dor e rancor que houvessem nessa existência. A derradeira razão era o Amor. O maior deles. Pago com cruz, com morte, sofrimento e sangue. Quitado. Justificado.

Querida Hannah, queria que você tivesse experimentado um pouco desse amor. Queria ter sido o reflexo desse amor em sua vida. De maneira constante, presente e intensa, como ele tem sido pra mim. Hoje foi um dia triste, Hannah... Lembrei-me do sofrimento dele e do seu. Lembrei-me do sofrimento de tantos outros como você, mas especialmente dos insultos que ele suportou e que de alguma forma se identificavam com os seus. Com os meus. Ele sabe. Ele te acompanha ainda que você não perceba a companhia dele. Deixe-me te dizer uma coisa Hannah... Você é importante e amada por ele. Nenhum sofrimento é impossível de cura através do seu amor. Por isso te conto minhas 13 razões, Hannah. Por que amanhã é dia de celebrar a vitória da morte e entender que ele não é apenas uma historinha, mas uma esperança avassaladora pra quem entende e vive cada uma dessas razões.