domingo, 1 de julho de 2018

Meu relato de parto (do TGI)

ATENÇÃO: esse texto é apenas uma brincadeira minha em relação ao que muitos dizem a respeito do temido TCC (ou, no meu caso, TGI). Não quero de forma alguma ofender as mamães lindas desse meio virtual, apenas abordar um tema tenso de maneira leve. Dedico à todos que "pariram" um TCC, uma dissertação de mestrado e/ou tese de doutorado. Vocês são guerreiros. 


A necessidade de ser mãe começou 5 anos e uns meses atrás, quando venci o vestibular e perdi o medo de sonhar. À princípio eu não sabia o trabalhão que esse filho ia me dar, afinal de contas, a gente nunca sabe tudo até viver né?
Pois bem. Como todo processo de decisão, a futura mãe aqui foi atrás de opiniões.

"É, entrar na faculdade é moleza, quero ver sair!" 
"É, essa alegria é coisa de bixo novinho, com o passar do tempo essas gargalhadas diminuem" 
"É, o TCC é horrível mesmo, dá um trabalhão".

Mas, como na maioria das vezes, quis ser o maldito ponto fora da curva. Aquele que a gente olha e se pergunta "onde foi que eu errei, por que esse bendito tá aí?".
Eu poderia ter parido um TGI na área da sociologia, da produção, da administração ou até quem sabe da psicologia (um dia talvez esse filho também nasça). Mas o nome na lista já escolhia a especialidade do meu filho: engenharia civil.
As dores do parto vieram antes da concepção e tinham um nome muito distinto: departamento da matemática. A cada dor (ou prova) sentia que meu filho nunca ia nascer. A cada vermelho espalhado pelas folhas oficiais, parecia que ele estava mais longe de mim.
Enfim, contemplando luzes no fim do túnel, ao lado de amigos que encheram meus dias de gargalhadas sinceras e choros desesperados, ele começou a tomar forma. Eu me apaixonei por aquele tema tão complicado, misterioso e cheio de problemas. Mas aquele tema era o meu tema e eu era a desenvolvedora dele, foi amor de verdade à primeira vista.
Como toda futura mãe, imaginava meu filho muito robusto, com uma vida cheia de possibilidades e com a opinião forte. Com o passar dos meses percebi que não seria assim mas minha parteira orientadora me fez acreditar mais no meu filho, dizendo que ele tinha futuro sim, que eu encontraria o caminho para fazê-lo nascer. Muitas horas de conversa com ela foram fundamentais... E cada vez eu a deixava levando um sorriso e uma nova esperança. Um exemplo de ser humano com tantos filhos já paridos e tanta experiência no complexo assunto pelo qual me apaixonei.
Chegou o dia do parto e eu não estava nervosa. Um novo ponto fora da curva poderia me descrever. Eu já sabia tudo o que poderia acontecer, já tinha visto vários partos de TGI e TCC, uns mais calmos outros mais turbulentos, mas todos com finais felizes. Mesmo com a voz fora das CNTP, fiz a apresentação de toda aquela trabalheira que envolvia vários dias escrevendo, 2 monitores, 500 litros de café e muitas pessoas na torcida. A amiga mais antiga de graduação também estava presenciando o momento, toda feliz e morrendo de sono, me deixando feliz e aliviada por tê-la ali comigo. Minha arguição começou com uma pergunta peculiar e com histórias sensacionais sobre os objetos de estudo que tanto me dediquei. Parecia um dia no parque de diversão. Falando de merda, lógico. Afinal de contas, ninguém pensa no destino final das merdas literais que fazemos durante a vida (enquanto que as outras são constantemente lembradas). Mas aqueles 3 e eu pensávamos em soluções pra mau cheiro, pra lodo e pra novas ideias nas estações de tratamento de esgoto e, assim como as merdas subjetivas, concluímos que com os erros é que se poderia aprender pra poder consertar. Aquilo que eu esperava que seria uma eterna correção de erros ortográficos e técnicos virou uma conversa agradável (só faltou a cerveja e o pastel pra ficar melhor).
Meu filho estava parido. Recebendo as observações dos profissionais e, nesse caso, eles me ajudaram a escolher o nome dele. Eu não imaginava que ele seria perfeito. Estudo de caso de três estações de tratamento de esgoto com reator anaeróbio localizadas no Estado de São Paulo nascia. Pra minha felicidade, foi finalizado com 10, muito sorriso e descontração, contrariando todas as histórias de terror que eu ouvi sobre ele durante a graduação. Naquele momento todo o esforço e dedicação valeram a pena e comigo ficou a esperança de que a jornada estava apenas começando.

sábado, 16 de junho de 2018

Minha jornada com o minimalismo

Nos últimos anos comecei a me familiarizar com o termo do título e a pensar mais sobre como vivemos de excessos o tempo todo, eu principalmente. Algumas vezes, bem antes de começar a refletir sobre meu modo de consumir, eu olhava para as coisas que estavam no meu quarto e pensava por que acumulava tantas coisas que não usava. E por que continuava comprando mais coisas. E por que, de repente, não havia mais espaço para coisas novas.

De certa forma, essa mentalidade minimalista sempre foi presente na minha casa, especialmente quando você conhece minha mãe. Ela vivia me dando altas broncas sobre como eu comprava muito mais produtos do que daria conta de usar ou livros do que daria conta de ler. Ela tinha razão.

Ficou claro que eu entulhava além da necessidade quando, ao trazer tudo o que era meu para um espaço só, enchi um armário gigantesco com coisas. Roupas, sapatos e cosméticos. E a necessidade de agilidade da minha vida em fazer malas e ter sempre comigo produtos que supostamente uso todos os dias me perseguia diariamente. Na nova mudança trouxe o mínimo do mínimo e adivinhem: ainda tenho coisas aqui comigo que nunca utilizei em 5 meses de Ribeirão. Isso me irrita profundamente por que posso visualizar o dinheiro gasto em cada compra não utilizada.

Percebi que a ideia de comprar era mais forte do que a utilidade daquilo na minha vida. Acredito que, com minhas roupas eu estou bem perto de alcançar um ideal maravilhoso de utilização, até por que, meus quilos a mais fizeram o papel de selecionador natural das roupas que precisavam ir embora. Já meus livros e produtos... quanto ainda preciso caminhar! Parei de comprar livros há anos por não dar conta de ler (Netflix me deixou preguiçosa, confesso). Chega a ser monstruoso o esforço que faço diariamente tentando me convencer de que não, não preciso comprar mais uma base se nem passo maquiagem todos os dias. Não, não preciso comprar mais um esmalte por que já tenho uma cor parecida com aquela.

A vontade de desentulhar é tanta que sinto que deveria simplesmente jogar tudo fora e ficar apenas com os essenciais, mas a razão obviamente me diz para que utilize tudo e pare de comprar novamente o que não uso com frequência. Sigo andando a passos de formiguinha, numa guerra entre o minimalismo e a minha necessidade de estocar coisas.

Atualmente, comecei a me questionar a respeito da quantidade de lixo que produzo e estou muito preocupada. Consumir delivery me faz um monstro das embalagens e merda, como eu amo um supermercado. Em uma atitude mais simples, parei de utilizar canudos em restaurantes e afins. Canudo é a coisa mais desnecessária da vida, você usa por meia hora e joga fora e todos nós sabemos que você seria perfeitamente capaz de beber qualquer coisa (exceto um milkshake talvez) sem um canudo.

Continuo me questionando, todos os dias. A alergia me fez repensar todas as formulações dos meus cosméticos. A falta de espaço me fez repensar meus acúmulos. A falta de paz me fez repensar meus relacionamentos do final do ano passado pra cá. Espero que a falta de saúde não venha me fazer repensar minha alimentação nem minha rotina e que consiga mudar antes disso. Deixar algo pra trás no mundo em que vivemos parece auto-sabotagem, mas vivo aprendendo, todos os dias, que isso é essencial para minha sanidade e meu crescimento.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sobre medos internos e ideais maiores

Pode ser que você não tenha se dado ao luxo de parar pra pensar sobre si mesmo no meio da sua rotina, por que, vamos combinar que uma pausa é realmente um luxo nessa sociedade doida em que a gente vive. Pode ser que você esteja vivendo há tanto tempo no piloto automático que nem tenha se dado conta de que se passaram anos sem que você saiba direito quem é e eu vou te contar um segredo: descobrir quem somos é extremamente dolorido, mas libertador.
As dores são as primeiras a dar as caras. A falta de autoestima, a dificuldade em confiar nas pessoas, a autopunição severa. Tudo isso vira um monstro interno que te dilacera, reafirmando que sim, o seu pior inimigo é você mesmo. Não tem receita mágica pra afugentar traumas e fantasmas que rondam nossa mente todos os dias, é tudo uma questão de treinamento e ideais maiores. O treinamento serve para que a gente possa refletir sobre sentimentos sem ser levado ao olho de um furação por eles. A preocupação é um ótimo gatilho para iniciar um planejamento, por exemplo, mas às vezes é tão intensa que nos leva a um estado de inércia diante de qualquer situação, como uma simples pia de louça suja. O medo deve ser o maior indicador daquilo que pode ser conquistado um dia, mas em excesso também provoca esse sentimento de letargia e nos paralisa, embaçando nossa visão em situações rotineiras. A questão sobre ideais maiores vem da sua realidade, por isso é uma das partes mais difíceis.
O limbo existencial pré formanda e estagiária faz com que, por muitas vezes, em muitas ocasiões eu me sinta um lixo. O mercado da engenharia civil não colabora nem um pouco com a minha situação psicológica, mas a vida continua seguindo e eu tento todos os dias afugentar pensamentos terríveis sobre a crise enquanto planejo futuros e ajo sobre eles. É engraçado como atualmente uma volta na obra parece um passeio no parque enquanto que três meses atrás parecia um passeio no parque... dos dinossauros (desculpem a piadinha infame, mas não resisti). Mudanças, em sua maioria, são aterrorizantes para mim, mas depois de um tempo é possível dominar e superar medos irracionais.
Assim seguimos a vida, com dias bons, outros nem tanto assim, passando vários nervosos, morrendo de saudades das vidas em tantas outras cidades diferentes da que eu lhes escrevo hoje. Segue-se a vida, buscando a tão sonhada independência financeira (ela existe mesmo? alguém me conta se é um sonho inalcançável?), a tão sonhada diferença em alguma parte desse mundo enorme. Encontro em um futuro que nem sei se existirá meus ideais maiores. Mas quer saber? É muito desperdício não aproveitar a jornada. É muito desperdício ficar cobiçando padrões irreais e realidades caras e fúteis quando tem tanta gente por aí morando em prédio abandonado, comendo o que consegue pra não morrer de fome, morrendo em incêndio catastrófico por que, infelizmente, estava fazendo o melhor que podia da situação em que se encontrava. Eu não sei vocês, mas eu não consigo me aquietar com essas situações.
Mas seguimos a vida, enfrentando nossos maiores pesadelos diariamente (ainda que apenas os vejamos pela TV), cada um com seus níveis de sofrimento. Seguimos a vida, fazendo do amor de um Pai cuidadoso a felicidade diária, a resposta para os medos e a esperança no futuro através do seu movimento em nós, para arrumar as bagunças que nós mesmos causamos. O sentimento de incapacidade sempre me dominou, mas é na caminhada diária de treinamento e reflexão que me me capacito. É não estando pronta e mesmo assim fazendo que descubro que sou capaz. Por que esse chamado de ação é simplesmente irresistível e eu não posso negá-lo. Meus medos se dissolvem quando enxergo ordem no caos e esperança no futuro através Daquele que rege um universo inteiro e ainda olha pra mim com amor e misericórdia.

 "Vai em frente filha, continua andando que te capacito na jornada... Mas não esquece de reparar nesse nascer do sol lindo que preparei só pra te ver sorrir, não esquece que estou agindo através das pessoas que estão ao seu lado, não esquece do seu valor, nem do preço que paguei pra te ter do meu lado. Vai filha, seja a melhor pessoa que você puder ser, mesmo com inseguranças e medos e se fortalece na sua jornada por que estarei com você sempre."

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Aquela retrospectiva atrasada (quase não rolou)

É estranho como ciclos se renovam na vida da gente. Na verdade, é magnífico. Sempre existe renovação à espreita, sempre há a chance de recomeçar e de corrigir velhos erros. Por vezes é exaustivo, é verdade, mas eu sempre precisei de novas chances. Atire a primeira pedra de 2018 quem nunca precisou.Tenho tanto pra dizer, contar de tanto que aprendi, de tanto que ainda falta aprender...

Em 2017 foi necessário ter muita paciência, afinal, não é todo ano que tem 3 finais de semestre pra te trazer aquela sensação de semi morte depois de cada prova e trabalho. 3 de janeiro e eu já estava lá, fazendo prova inclusive. Não me perguntem, eu não sei como deu certo. A cada tarefa entregue a gente jura que não vai mais aguentar fazer nada e que vai morrer ali mesmo, do lado de fora da sala de prova. Mas uma força, um motor sobrenatural te puxa pra cima e te faz focar de novo e terminar trabalhos às 4 da manhã. Você cria metas impossíveis e às vezes as cumpre. Quando não consegue só vai do jeito que conseguiu mesmo. E a vida segue mesmo assim, só percebi agora que completei todos os créditos de matérias e dia 20 de dezembro me faltaram o TCC e o estágio pra que as burocracias todas atestassem minhas habilidades de formanda em engenharia civil.

Vez ou outra a gente conhece uns professores decentes, que são como pais de jornada acadêmica pra você. Tive o privilégio de conhecer novos professores nesse último ano e mais ainda, redescobrir junto com alguns, a graça de lecionar. Apesar de começos cheios de nervoso, estresse e cansaço, redescobri mestres dentro de pessoas que só precisavam voltar a olhar os alunos como eles são: limitados, mas esforçados. Esforços esses (malditos esforços!) me renderam aprovações em matérias que eu jurava que seriam impossíveis. Quando se é mestre, é muito necessário olhar o trabalho de seus alunos com compaixão e atenção. Deus sempre me mostrou que esforço é recompensado, mesmo quando a pessoa que acredita em você nem é você. Deus me mostrou quão eficaz pode ser a oração para transformar meu próprio coração e olhar para o próximo com compaixão e sim, isso no ambiente acadêmico principalmente. Qualquer espécie de ranço ou ódio por atitudes questionáveis de mestres foi substituído por entendimento e quando era mais difícil mudar o sentimento, por compaixão. Afinal, todos nós erramos e temos momentos de fraqueza. Por vezes, a lição não é aprendida no meio da briga, mas no abraço que sobra no fim dela. Saio da presença dos mestres com o coração agradecido, leve e preparado para a jornada a seguir, encontrando neles o apoio da transformação profissional de uma garota que não fazia ideia do que era ser engenheira, mas agora vislumbra essa profissão. Não desistir em nada, ainda que pareça sem esperanças, foi a minha recompensa, o meu aprendizado na graduação em 2017. Não teria conseguido sozinha, mas os agradecimentos seguem em breve ainda nesse mesmo textão.

Também foi o ano de presenciar pessoas competentes demais entregando trabalhos de conclusão de curso que eram sensacionais. Ao mesmo tempo em que uma onda inexplicável de orgulho e gratidão invadiam o meu coração, outra onda de saudade e nostalgia batia e fazia de mim uma pessoa estranha, sem muita reação em relação a tudo que estava acontecendo. Mas nossa, como foi ótimo conviver com tantas pessoas maravilhosas durante esses 5 anos de graduação, ter encontrado minha família perdida, que foi suporte, apoio e colo. O meu TCC ficou pra 2018, pra ser terminado com calma, com cuidado. Esse sempre tinha sido o plano, de qualquer jeito.

Nunca fui uma pessoa fácil de lidar, tenho minhas mil limitações e nem todo mundo é capaz de entender e aceitar algumas delas. Por muitos motivos me entristeci com distanciamentos, me senti rejeitada, me senti triste de verdade. Apesar de muitas vezes eu ser o lugar onde as pessoas encontrassem descanso, tantas vezes era eu quem precisava parar. Era eu quem precisava de colo quando oferecia consolo para os outros. Felizmente, Deus sempre esteve lá. Ele sempre foi minha paz e me mostrou através de músicas bonitas, através de pessoas que me abraçavam do nada, através de inúmeras demonstrações de seu amor e de sua graça sobre mim.

Mesmo sendo essa estranha criaturinha desse mundo, em 2017 eu me despedi de 2 lares. Foram 2 mudanças sofridas em um único ano. Na metade de 2017, eu estava ali, dissolvendo uma parceria de quase 4 anos, uma parceria que tinha dado certo em inúmeras maneiras. Eu não simplesmente dividia apartamento, eu dividia os problemas da vida. E o peso diminuía. E eu fui colo, eu precisei de colo, eu perdi as contas de quantos brigadeiros com chocolate meio amargo foram feitos para incentivar ou curar qualquer coisa, desde provas até cansaços e corações partidos. Eu encontrei uma irmã perdida, ganhei família e inquilina irmã também (alô Amanda). Nosso apartamentinho vivia cheio de gente, cheio de vida, de trabalhos monstruosos sem fim e de euzinha dormindo e lavando louça. Nos dias de mudança, em que eu estava enlouquecida terminando trabalhos, nem deu tempo de relembrar tudo. Nem deu tempo de entender que aquele tempo ia ter fim e que uma das nossas se casaria dali uns dias. Mas agora, olho pra esses dias com a gratidão mais profunda que poderia ter, afinal de contas, foi um período de descobrimento e transformação mútua, onde a gente tinha tanta intimidade uma com a outra a ponto de conseguir dar as broncas mais sinceras e ter os papos mais malucos durante os horários de refeição. Deus foi bom comigo e me proporcionou outro lar, em um período bem curto de tempo, mas intenso de aprendizados e compartilhamentos também. Um lar onde eu aprendi que uma pia de louças pode ter poder pra te fazer começar chorar e é sério, tinha alguma coisa na água daquele lugar. Um lar onde eu tive conversas bem doidas, pontos de vista bem interessantes e carinho, acolhimento sem medida e, de novo, vivência de experiências similares com grande troca de figurinhas durante o processo. Eu só tenho a agradecer às meninas que me proporcionaram a evolução nesses dois lares. Meu coração já morre de saudades de vocês.

Em 2017 também aprendi que pessoas muito diferentes podem sim agregar visões interessantes pra sua vida, mas que é necessário tomar cuidado para não se perder em caminhos que não queria trilhar. É preciso ser grato pelos ensinamentos encontrados no meio das discussões e pela paciência agregada. Também é necessário perceber realidades das quais você não quer participar, máscaras que não quer colocar por já ter sofrido demais pra retirar cada uma delas em algum outro momento da vida. Não importa onde se vá, sempre há uma religiosidade travestida de amor. Não importa onde se vá, há gente oportunista. Não importa onde se vá, existe maldade. O que importa mesmo é ser capaz de trocar as lentes pelas quais se enxerga o mundo. Os sofrimentos envolvidos. A perversidade inerente a cada um, incluindo primeiramente euzinha. É extremamente necessário tentar entender motivos alheios e se eles forem balela, paciência. Às vezes a gente precisa ser egoísta pra ter paz. Às vezes a gente precisa desapegar da ideia de infância de salvar o mundo todo e de que eu seria capaz de transformar pessoas. Não. Não é minha a capacidade de transformar pensamentos, só o amor é. E ainda assim, não é o meu amor. O meu acaba sendo só um reflexo do maior amor do mundo. E eu aceito os erros alheios, as escolhas alheias e as consequências delas por que é necessário que eu aceite os meus primeiro e saiba da necessidade de perdoar, pra minha própria sanidade mental. No fim das contas, sobram textões meus pra esses casos. Sobram orações. Sobra amor, ou ao menos a tentativa dele.

Em 2017 cansei de prometer e não cumprir. Comecei aos poucos. Quando o estresse estava insuportável e eu precisava de algo para sustentar o meu corpo antes que ele não aguentasse mais, descobri que poderia caminhar na USP. Distrair as ideias e melhorar a vida. Não, eu não sou regrada. Não, eu não fazia isso todos os dias.
Aí o inverno chegou. e foi aí que descobri o aplicativo de ioga. Não adotei filosofias, só as "asanas", ou poses, e segui esticando meu corpo. Foi ótimo, consegui manter firme durante 3 meses quase todos os dias. Pretendo voltar, muito em breve; tenho certeza que o meu tapetinho está com saudades. Por fim, no quesito saúde, descobri um jeito inovador de comer salada. Quero voltar a fazer e comer mais saudável. Mas sabe, tem dias que só um hamburger com os amigos tem o poder de restauração da saude mental e do corpo também. (Esse processo tá no limbo desde dezembro. Não voltei a fazer ioga nem a comer salada de um jeito saudável. Desculpa mundo).

A quem interessar possa, 2017 foi sim o ano de celebrar o amor. No inesquecível casamento da amiga, que eu tive o prazer de acompanhar de perto, em relacionamentos cagados que acabaram, em momentos de clareza diante do que era amor e o que era oportunismo, em broncas infinitas e em momentos de carinho comigo mesma. Afinal, o amor próprio era necessário e por vezes eu o deixava de escanteio. No fim das contas, eu estava bem sozinha sim senhor, mas sentia aquela vontadezinha de viver um amorzinho desses leves, que colocam sorriso no rosto da gente e transbordam. No fundo sempre rolava aquela vontadezinha de viver um amor igual aos que foram celebrados em 2017. Eu não imaginava que viveria muito mais do que aquilo, tudo em 2017 mesmo.

No finalzinho do ano, tive a mais grata surpresa de todas. Contrariando as possibilidades, me apaixonei. Eu acho que nunca soube o que era isso de fato, por isso a demora enorme em me soltar, em admitir, em aceitar e compreender um sentimento de que não seria mais só eu. Passei muitos anos confortável em ser eu mesma, não sabia mais como encaixar alguém pra me acrescentar momentos agradáveis na rotina que eu trilharia a partir dali. Como nós dois já tínhamos tido nossas cotas de sofrimento com relacionamentos, aprendemos muito. E aprendemos juntos a cada dia. Eu acho o máximo quando digo que comecei a namorar dois meses antes de "me formar" e que ele mora a mais de 500 quilômetros de mim por que as pessoas me olham com cara de "vocês são doidos". A gente é mesmo. Mais doido de tudo isso é saber que eu posso contar com ele em qualquer momento, por que quando existem notícias boas ele é o primeiro a saber e quando existem notícias ruins ele é o primeiro que me acalma. Ele é o único que consegue me fazer chorar de saudade e alegria ao mesmo tempo. A rotina, o estresse, o trabalho, as outras pessoas e o passar dos dias não afetam o amor, só a distância que faz o toque e o carinho serem um pouco prejudicados, mas isso não importa tanto quando a gente sabe que um dia vai ter fim. Ele tem aprendido a ter paciência comigo e, pelo que sempre escrevi aqui, já se sabe que eu jamais imaginei viver isso. E se sabe o quanto eu sou grata por encontrar quem fosse capaz de transbordar alegria e gratidão na minha vida. Te amo gatinho.

Essa retrospectiva está atrasada faz uns muitos meses, mas está na hora de finalizar. 2018 tem sido um ano louco, com 6000 quilômetros rodados até agora e muitos deles trouxeram lições importantes que talvez sejam compartilhadas também. Acho que o restante das coisas que me aconteceram em 2017 já estão bem registradas aqui e muitas outras precisam ser deixadas pra trás mesmo. Olhando pra frente, tentando buscar otimismo pras mudanças acontecidas em 2018, me despeço com lágrimas (que não me deixam mais) e esperança no futuro, o resto a gente planeja e executa da melhor maneira possível.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Quando o amor acontece

Eu sei que você vai dizer que eu estou falando clichés de romances melosos ou vivendo num mundo cor de rosa, mas a verdade é que a gente sabe quando o amor (de verdade, duradouro) acontece.
Por 24 anos eu achei que essa história de amor de verdade fosse mentira. E por 24 anos eu não vivi um relacionamento que remotamente me inspirasse a imaginar um futuro, uma vida boa e feliz ao lado de alguém. É certo que a gente pode viver muitos relacionamentos sem que neles exista amor, de fato. A verdade, meus caros, é que o amor chegou na hora em que eu estava preparada, mas não muito acessível. Tipo quando a gente acaba de limpar a casa e chega visita mas você precisa sair por que tem compromisso. Você quer receber a visita, sua casa tá linda pra acolher ela, mas você não tem o tempo necessário pra se dedicar naquele momento.
O amor também chegou alterando todas as minhas percepções e que maravilhoso foi esse processo. Eu percebi que o amor é um misto de cuidado, paixão e amizade. Um relacionamento é muito mais sobre fazer o outro feliz do que fazer a si mesmo feliz. Eu demorei a perceber que a minha dedicação ao amor renderia frutos doces e deliciosos. O cuidado com quem se ama não deve anular quem somos nem alterar nossas amizades, trabalho ou estudos, mas, sempre que possível, o amor deve encontrar uma brecha e se encaixar, somando felicidade nessas áreas.
Não se engane, o começo pode ser tenebroso. Você pode descobrir os maiores traumas de quem se ama e os seus próprios. Você pode passar por choradeiras longas e doloridas, por discussões exaustivas, mas no fim das contas, quando o amor tem lugar, a reconciliação é certa. Você pode se machucar e também machucar o outro, mas o amor cicatriza feridas quando existem dois corações sensatos e dispostos a trilhar a aventura que é um relacionamento.
Sabe, eu não acreditava que isso era pra mim. Eu nunca pensei que o amor fosse me encontrar na faculdade, no fim dos 5 anos, e imaginava menos ainda que ele fosse me fazer transbordar de felicidade. Sim, o clichê é verdade. Você vai se derreter pelo sorriso dele, vai querer dar um beijo bem gostoso em toda oportunidade que tiver e ainda vai ser a pessoa mais melosa do mundo quando você jurava de pé junto que era durona. Você vai permitir que o amor te conheça e antes que perceba já vai estar o chamando de "mor".
Não se engane: não existe relacionamento duradouro de amor sem que os dois estejam dispostos e abertos. Sem que haja compreensão, carinho e o básico: respeito. É uma jornada sensacional, um aprendizado constante e, quando você pega o jeito, tudo se resolve fácil.
Se existe uma receita? Não existe, mas sigo dando conselhos não autorizados por ser intrometida e querer ajudar pessoas nas jornadas delas. Primeiro, seja a pessoa interessante. Depois, se interesse por alguém, se quiser. Por último, se houver esse alguém, dedique-se e escolha fazer o outro feliz sem que isso atrapalhe quem você é de verdade. Seja alguém melhor, incentive seu amor a ser alguém melhor, celebre as conquistas e o abrace em meio às perdas. Se eu pudesse te dar um último conselho, diria para não se interessar por quem não te acha interessante, mas eu sei que isso é difícil e que muitos não seguem esse conselho (eu mesma já não o segui muitas vezes - todas elas tiveram finais e não continuidade). A outra parte do conselho é que você olhe com olhos curiosos pra quem te acha interessante. Pra quem está ao seu lado em todos os momentos e não nega ajuda com as suas dificuldades. Foi assim que descobri o amor, do jeito mais doido, numa tarde de estudos antes de uma recuperação. Mal sabia que meu professor carrasco contribuiria para o melhor presente que recebi na vida até hoje.
Quando o amor acontece a gente fica besta mesmo. Ri de qualquer coisa, chora de saudade, chora de alegria, chora de raiva, chora de desespero (sim, eu reencontrei minhas lágrimas todas, o amor me consertou). Quando o amor acontece, a vida que era cheia, fica a ponto de transbordar e você sabe que ali vai ter alguém no fim do dia pra recarregar sua bateria e te aconchegar no lugar mais gostoso do mundo, que é dentro do abraço dele.
Quando o amor acontece, você não está nem aí se as pessoas estão te achando melosa ou falsa: você simplesmente sabe que é amor. Quando o amor acontece meu bem, não tem como evitar. É feito chuva de verão que vem pra refrescar a dureza de um dia abafado. O amor simplesmente acontece.

sábado, 4 de novembro de 2017

Sobre fugas e furacões

Ela fugia, à toda velocidade, do amor.
Com o coração dolorido, se poupava da dor,
trancada num castelo, rodeada de preconceitos,
julgamentos e sobrecargas.
Tinha esquecido que nesse mundo louco,
onde tudo o que importa é vaidade,
o amor ainda se escondia nos detalhes.

Ela fugia, ainda correndo, no caminho contrário ao amor,
afundando na loucura.
Sua sanidade por um triz,
seus sorrisos tão pesados, tão cheios de contentamento.
Tanta felicidade ao redor,
seria possível que ela fosse desfrutar disso?

Ela fugia, andando nos caminhos de auto punição,
colocando o amor por si mesma na última prateleira
e virando as costas.
Alguém enxergaria de fato quem ela é?
Alguém a puxaria de volta à sanidade?

Ela fugia, e então parou.
Ao longe, o inesperado sorriu.
Ao longe, a mulher que ela nem sabia
que morava dentro dela também sorriu.
Algo começava a mudar.
Seus preconceitos, julgamentos e sobrecargas
eram aos poucos substituídos
por carinho, suavidade e amor.
Seria esse o caminho?

Ela parou de fugir.
Suas energias estavam em outro lugar agora,
suas exigências eram outras,
suas experiências se transformavam
enquanto ela mudava também.
Seus castelos que pareciam tão fortes,
eram de areia.
Desmoronaram.

Pedia para que o verão viesse com a chuva,
até que encontrasse o amor ou furacões,
afinal, havia abrigo para ela no fim da fuga.
A chuva veio mostrando que,
em seus pequenos furacões,
também é possível encontrar o amor.

domingo, 3 de setembro de 2017

Só o amor

Não se deixe enganar: só o amor pode.

Ele não reconhece causas perdidas. Ele não te subestima. Ele não te menospreza.

Só o amor pode te abraçar quando tudo que existe em você é caos.
Só o amor pode mostrar seus erros com carinho.
Só o amor pode entender que você vai errar o tempo todo e só o amor pode te perdoar.
Só o amor pode esquecer o erro.

Não se deixe enganar: o amor só se desenvolve com a prática.

Ele não facilita a sua vida. Ele não te acomoda. Ele não te deixa parar.

Só o amor te faz voltar para o caminho.
Só o amor te faz paciente e bondoso.
Só o amor te faz ajudar quando você não gosta para que quem você ama se sinta confortável.
Só o amor te faz transformar realidades cruéis e egoístas.

Não se deixe enganar: ele não nasceu em você mas te faz capaz.

Você quer posse. Você quer se satisfazer. Você quer o foco.

Só o amor é capaz de providenciar mudanças profundas e duradouras.
Só o amor é capaz de te guiar ileso para fora dos tiroteios diários de ódio gratuito.
Só o amor é capaz de te deixar feliz por estar nos bastidores da conquista.
Só o amor é capaz de te fazer viver plenamente.

Não se deixe enganar pelo que não é amor. Não se deixe enganar pelo que não é duradouro.

Não se deixe enganar: o amor é constante.
Desde sempre, para sempre.
Vivo e eficaz.
Improvável e real.
Move-se e move-nos.
Ganha batalhas perdidas e surpreende os incrédulos.

Não se deixe enganar: o amor é um só.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Para você que tem estilhaços onde tinha um coração

Sinto muito que isso tenha acontecido com você, amor.
Não é minha a intenção de te fazer reviver e sofrer tudo de novo.
Vim te contar que seu coração está aqui,
no alcance dos meus olhos,
e existem tantos estilhaços que seria impossível identificá-lo
se você não tivesse me contado o que está quebrado.

Sinto muito, amor,
que alguém tenha quebrado o teu coração.
Já quebraram o meu, mas também já balancei o martelo.
O que você realmente precisa saber são duas coisas muito importantes:
você não é responsável pela quebra
e apenas você é capaz de recuperar cada estilhaço.

É certo que a gente sempre se culpa, amor...
Deveria ter sido mais tolerante,
ter sido mais ousada,
ter sido mais submissa.
Não.
Eu sei que você não deveria.
Não se culpe quando você não conseguiu cumprir a expectativa alheia.
Não se culpe por ser você.
Não se culpe se o seu amor não era suficiente para que ele ficasse.

Deixa-o ir, amor.
Deixa.
Deixa os ventos de tempestade levarem esse sentimento.
Deixa os caminhos se distanciarem,
deixa as lembranças boas num baú com chave.
Perca a chave, amor, mas nunca o baú.
Você sabe exatamente o que tem guardado.

Não sou capaz de reconhecer seus estilhaços, amor.
É tanto caco perdido aqui que já não me lembro mais
quais são os meus e quais são os seus.
Se ajoelha aqui, vamos com calma.
Vou buscar aquela cola necessária,
meus equipamentos de artesanato,
todos os clichês que me fazem uma Amélia experiente
pra ajudar no remendo de um coração.

Ih, amor, vai faltar um pedacinho aqui.
Foi aquele empiasto que levou embora né?
Pega aqui esse pedaço meu,
quase encaixa e não vai me fazer falta.

Eu quero me aventurar, amor!
Quero viver uma vida cheia,
plena, sofrida, calejada e
com muitos pedaços faltando aqui no meu coração.

Mas ele nunca ficará furado, amor.
Ganhei alguns pedaços.
Outros roubei.
Roubei mesmo! Eles estavam ali,
dispostos à toa e cabiam exatamente
onde encontrei um buraco em mim.

Mas a verdade é que meu coração estilhaçado hoje é multicolorido.
Cada trauma e lembrança o transformou no mais lindo dos caleidoscópios.

Ah amor, o coração engana a gente viu.
Se você foi capaz de consertar tudo sozinha uma vez,
certamente vai se poupar do trabalho numa segunda.
Faz todo o sentido do mundo, amor.
Mas a gente tem que lembrar que nem tudo nessa vida faz sentido agora.

Sei que o dia vai chegar em que você vai querer entregar seu coração
nas mãos de outra pessoa e eu não posso te garantir
que esse alguém irá cuidar dele da melhor maneira.

Amor, ele poderá quebrar seu coração em mil pedaços de novo.

Mas acredito,
desacreditando um pouco,
que a entrega vai valer a pena
e o seu coração não vai ser um troféu na estante alheia,
nem um pedaço de papel na gaveta do escritório,
nem um remédio prescrito pra inflar egos e se encaixar nos padrões.

Mas saiba amor,
que os remendos permanecerão.
Só existe um amor capaz de fazê-los desaparecer,
mas esse amor é tema pra uma conversa e um café.

Vem comigo amor, que te conto sobre o maior amor do mundo.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Sobre questionamentos da vida moderna

É com um incrível e insuportável peso que venho dizer que, aos poucos, todas as amarras estão se soltando. Quando a gente começa a se perguntar sobre o sentido das coisas na vida tudo parece ganhar outra perspectiva. É com outros óculos que escrevo hoje, tentando deixar as palavras aqui de um jeito simples e entendível.

Será mesmo que eu preciso de um armário abarrotado de coisas que eu nem gosto? Será mesmo que, agora, com quase 25, preciso guardar os registros de dias sofridos, de uma Marola que era isso mesmo: uma onda que nunca quebraria? Pois bem, a onda quebrou. Venho quebrando alguns padrões conforme as experiências se apresentam. Nada contra quem curte viver do mesmo jeito a vida toda, sem buscar entendimento nem assimilar novas ideias, mas não consigo mais.

Começou alguns anos atrás com o acúmulo de cosméticos. Sim, gosto desse universo, mais do que roupas e sapatos, mas até que ponto sou refém de lançamentos e até que ponto sou livre para experimentar outras coisas da vida que não sejam relacionadas a cosméticos? O questionamento me veio na forma de uma alergia que durou mais de um mês. O motivo? Esmaltes. O primeiro vício. Agora fui obrigada a me desfazer de todos os que não podem mais ser usados e quer saber? Estou achando ótimo. Miga, se você gosta de esmalte, vem falar comigo, plmdds preciso dar fim neles

A sensação esquisita continuou quando percebi que tinha 5 produtos com as mesmas funções. Por quê? Não sei. Eu nem uso maquiagem com tanta frequência, tenho zero problemas em sair na rua de cara lavada e meu cabelo nem é mais comprido (e jamais será novamente). Seriam todos os produtos uma espécie de desculpa, de muleta, de artifício pra me mostrar o quão infeliz comigo mesma eu sou? Também reduzi. Sigo reduzindo. Espero que chegue o dia em que todos os meus produtos caibam em uma simples necessaire.

Quando meu corpo começou a travar e os cabelos brancos começaram a dar as caras com mais frequência, tive que tomar uma atitude. A atitude que venho negligenciando há anos e foi uma das maiores surpresas pra mim. Meu corpo reclamava, eu precisava cuidar dele. Comecei a fazer ioga, sozinha, no meu quarto, com um aplicativo de celular como professor. Faz quase dois meses e nunca mais acordei toda travada. Jamais imaginei que uma coisa tão simples fosse capaz de dar tantos resultados. Eu nunca me adaptaria a uma rotina de academia, de exercícios pesados nem de esportes coletivos. Admiro muitíssimo quem consegue, juro. Mas papai que me desculpe, nunca serei boa nos esportes. A vontade de perder uns quilinhos não vem mais por conta da estética: é só pra diminuir o peso da pancinha na hora da prancha mesmo (e por que o IMC diz que tem um quilo me deixando como sobrepeso). Alimentação saudável? Parei de tomar refrigerante com frequência, conta? Alimentação saudável é assunto pra mais pra frente, Marola acostumou com a rotina da ioga por enquanto, ainda precisa acostumar com a rotina de comer direito e não comprar mais miojo no mercado.

Sinceramente, sem querer parecer convencida nem nada, nunca estive mais confortável em minha própria pele. Isso nada tem a ver com os quilos na balança, nem com os cosméticos, nem com a ioga: tem a ver com aceitação pessoal. Tem a ver com olhar no espelho sem procurar me encaixar em padrões, afinal cada indivíduo é único e cada corpo segue um ritmo. Joguei os estereótipos pela janela e segui procurando me cobrar menos, me culpar menos e me perdoar mais, sem esquecer que o mais importante é saber o ponto de equilíbrio entre comer um quilo de comida de uma vez e viver só de salada. No fim das contas, a balança que importa é aquela que não mostra números, mas qualidade de vida.

Mas sabe o que me faz realmente feliz? Uma boa noite de sono. Completa. Não duas horinhas dormindo no sofá pra conseguir terminar projeto. Me faz feliz tomar café com as amigas e não almoçar uma marmita, em pé, no corredor do prédio dos mestrandos. Me faz feliz chegar em casa e ter bolo de fubá com café fresquinho. Me faz feliz rever e abraçar pessoas que eu não via em meses, quem sabe anos. Me faz feliz não ser julgada pela correria dos meus dias e ser entendida quando digo que a vida anda sim uma loucura e estou buscando sanidade diariamente. Me faz feliz quando as pessoas entendem que é preciso traçar prioridades e que nem sempre a gente consegue segui-las. Me faz feliz poder sentar no sofá e ler um livro. 

Pra onde é que a gente corre tanto sem chegar em lugar nenhum? Acho que as prioridades estão no mundo invertido mesmo. O alvo parece distante, a vista segue embaçada. Felizmente, ao longe dá pra ver aquele velho e conhecido farol que pisca durante a noite toda mostrando a rocha. É ali que existe terra firme e todos os meus questionamentos encontram respostas.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sobre mudanças (e por que minhas lágrimas não caem)

Essa sim é uma postagem jeito blog de ser, contando sobre experiências e expectativas, prevendo futuros e chorando passado. Eu tenho mais 3 trabalhos pra fazer, mas eles que me perdoem: o final do semestre pode esperar e eu estou exausta.

Faz 5 anos que saí pela porta de casa com todo o conforto e comodidades de ter alguém sempre fazendo tudo por mim. Faz 5 anos que vivo uma vida maluca de conhecer gente, de se apaixonar e desapaixonar, de consolar e receber colo de quem menos se espera, de crescer como pessoa e aprender a resolver minhas próprias tretas. Faz 5 anos que aprendi a reparar em detalhes (talvez isso já faça quase 25, mas andei me aprimorando ultimamente), a encontrar refúgio quando os trovões estrondam do lado de fora, a rir descontroladamente quando não posso controlar as coisas e a me divertir mesmo quando tudo parece caos. Faz 5 longos anos que sou engolida por compromissos com a graduação, em busca de um dos sonhos de criança, em busca de algo que não sei explicar ao certo, mas que me chama todas as manhãs pra dançar, tentando me dar esperança na caminhada e forças pra cumprir propósitos.

Sempre me recusei a viver por mim mesma. Sempre recusei aquilo que todos buscam. Poucos me entendem, eu mesma me questiono muitas vezes. Minha vida ainda segue um rumo nublado, com dois caminhos distintos a seguir, mas sigo de braços abertos e lutando para cada um deles. Confesso que o primeiro é uma jornada solitária e difícil, mas todas as vezes que embarquei em viagens assim inesperadamente encontrei tanta gente... Quem sabe do futuro, não é mesmo?

Essa jornada de aprendizado só serviu pra abrir meus olhos de diversas maneiras, pra conhecer pessoas completamente diferentes que vivem os mesmos dramas, pra conhecer pessoas extremamente parecidas que vivem dramas diferentes. Ai gente, a vida é um negócio tão doido né? Tanta gente cruza o nosso caminho e vai deixando marcas, vai modificando, ensinando, amando. É uma correria louca que seria insuportável não fossem as pessoas que conheci.

Por amar ouvir e compartilhar histórias, agora me encontro aqui, com um vazio bem grande no peito esperando pela mudança que não chega. Aliás, que chega rápida e sorrateira, não me deixando perceber o quão drástica ela será. Minha racionalidade não me permite chorar: foram tantos anos de drama adolescente, de sofrimento enclausurado e lágrimas incessantes que agora, quase com um quarto de século na vida, minhas lágrimas não caem mais.

Depois de muito tempo entendendo que sentimentos fazem a vida um pouco mais complicada acabei me tornando muito mais racional. E prática. Muito raramente minha razão solta as rédeas. Eu sabia que essa mudança chegaria, sabia que os ecos do apartamento vazio fariam com que meu peito apertasse, e, contraditoriamente, sei que assim que o aperto vier as lágrimas vão cair. Descontroladamente. Não vai ser bonito, eu não sou o tipo de pessoa "ah, que fofa que ela fica chorando". Definitivamente não.

Juro que queria corresponder às lágrimas que me seriam de direito. Ao choro não fingido pra expressar saudade, expressar gratidão, pra expressar sentimento. Sei que todos passaremos por muitas outras mudanças na vida então passei a enxergar os quadros maiores. Os anos futuros, os anos que se passaram, a oportunidade aproveitada e desperdiçada, as risadas e os perrengues. Aquele sentimento de eternidade que é colocado nosso coração, que Salomão tanto fala. Ele sabia que a vida é um grande repetir-se de momentos (chega de momento em viga, concreto me traumatizou), de maneiras semelhantes, em contínuo movimento: às vezes enfadonho, por vezes cansativo, mas, se a gente aprender a prestar atenção, a repetição toma uma cor bonita. Única. Especial.

Sim, hoje eu estou sensível. Bem como nas últimas semanas. Já dizia Roberto Carlos: são tantas emoções, bicho. Não estou sabendo lidar! É um misto gigantesco de felicidade e tristeza, de saudade e esperança, ai... Queria me despedir bonitinha e séria, então calma!

Eu não tenho lágrimas nos meus olhos, mas invariavelmente, meu peito está cheio de sentimentos balizados pela razão e minhas palavras não me abandonam. Essas mesmas, gastas, repetidas e daquele jeito que você já conhece. Acho que tenho probleminhas, mas continuo a escrever por que meus dedos não param, não cansam de transformar sentimentos em palavras. Minhas lágrimas vêm em forma de letras.