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domingo, 6 de outubro de 2019

O que a sua responsabilidade ensina


Pra quem já leu alguns dos textos mais antigos desse espaço perdido da internet, sabe o quanto empatia é importante pra mim. Mas demorou ANOS, muitos deles, pra que eu percebesse a diferença entre ter empatia com a dor do outro e assumir responsabilidades por decisões que não são minhas.

De um jeito ou de outro, dadas as devidas proporções, nós somos responsáveis por nós mesmos. O que nos afeta, o que nos traz alegria, o que nos satisfaz e tudo o que nos traz contentamento. Nós somos responsáveis por fazer escolhas o tempo todo e também responsáveis por colher as consequências delas. Se essa informação te deixa inquieto, não é pra menos. Nascemos com a ideia fixa de lançar as culpas (e as consequências delas) em cima do primeiro que aparece, quando na verdade, o primeiro que aparece sou eu mesma.

Outra coisa que demorou ANOS, mas que graças a Deus, aconteceu e continua acontecendo, é a consciência de que não sou a vítima na minha história. Eu sou quem a vive e a protagoniza, mesmo acreditando que não sou quem a escreve. Graças a Deus, de novo!

Sendo assim, um momento bizarro de claridade e consciência me trouxe à tona uma verdade incrível: a opinião alheia sobre mim não é minha responsabilidade. Logo, por que me importaria tanto a respeito disso? Por que isso roubaria a minha paz, meu contentamento, meus objetivos de vida? Eis que a verdade da única opinião que importa, me libertará (e me liberta diariamente). Sem entender onde começou, mas consciente disso por alguns bons anos, essa importância tão grande, se tornou ínfima.
 
A empatia me chama pra dançar todos os dias, mas a minha responsabilidade me traz de volta à realidade quando a menina que quer consertar o mundo inteiro de uma vez aparece. "Não são suas escolhas, não é a sua vida", é o que a responsabilidade diz. Não se engane: a empatia vem avassaladora e os conselhos também, quando solicitados. A minha responsabilidade também me ensinou a não mais oferecer conselhos quando não forem solicitados.

Descobri ainda, que a minha responsabilidade também tem um papel importante na manutenção do equilíbrio emocional. Eu sou a responsável por manejar meus sentimentos doidos dentro de mim. Quem aperta meus botões do Divertidamente sou eu. É claro que sem a ajuda jamais chegaria até aqui ou teria tido essa conclusão. Mas já parou pra pensar em o quanto comportamentos alheios, que não podemos controlar mas olha, nem os meus eu consigo às vezes, nos afetam? Mudamos de humor em um segundo por conta de ações alheias. A reação é, novamente adivinha!, nossa responsabilidade.

Por que dar tanto poder a uma reação ou sentimento que nem tem relação com as nossas escolhas? Quando essa pergunta é respondida, a energia da reação (ela continua existindo, mas de um jeito diferente), vai por outro caminho. E então, é possível continuar a desenhar na areia quando aparecem pessoas furiosas com o erro de outra pessoa, querendo puni-la. É possível deixar os julgamentos de lado e enxergar sob outra perspectiva. É possível entender a ferida, sem salgá-la. Minha atenção é gasta na pacificação, no acolhimento e no abrir de olhos. A atenção do outro, que foi o responsável por causar tanto alvoroço, é despertada para o conselho. "Vai, e não peques mais". 

Precisamos aprender diariamente a bater ao invés de arrombar portas. A consequência de um arrombamento é o conserto da porta, que, eventualmente, é minha responsabilidade. Não seria um cenário melhor bater à porta, aguardar e ser recebido, para que a consequência seja entrar e tomar uma xícara de café?

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Sobre piloto automático e sentar no meio do caminho

Talvez você nunca tenha tido tempo de parar de viver no automático. Seguiu em frente, sem olhar muito as placas indicando novos caminhos, se viu amedrontado por possibilidades de mudança e não se permitiu amadurecer, crescer ou aceitar decisões difíceis. Sou grata, muito grata, por que tive oportunidade de sentar no meio da estrada pra me permitir parar de viver no automático.
Meu caminho me fez grande. Me libertou. Caminhar me mostrou o quão longe eu poderia ir sem precisar ter medo do futuro. Caminhar em meio aos pallets de blocos e caminhões betoneira me transformou, virou a chave. Viajar sem ter tudo milimetricamente planejado ou sem me exaurir de ansiedade semanas antes me fez livre. Mostrou que eu poderia. Que eu voaria.
Minha vida fora da gaiola era interessante, mas eu sentia uma falta enorme da rotina. Falta de um lar, de paredes fixas, de dormir na mesma cama por 3 noites consecutivas. Os aventureiros que me perdoem, mas amo um ninho bem feito. Quando finalmente a rotina me pertencia e estava prestes a dar o próximo passo, tive de seguir uma placa na estrada que ninguém quer caminhar. Desempregada.
Sentei no meio do caminho. De 12 horas por dia de trabalho, a zero, em um piscar de olhos. A freada brusca interrompia um caminho que sabe-se lá onde iria chegar. Exaustão profissional? Descontentamento? Euforia momentânea? Uma revolução na construção civil? Eu não sei, mas espero que a última possibilidade se prove cada dia mais real. Sou grata por não saber. Sou grata por ter aprendido, em tantos níveis, os valores de várias gerações. Por ter convivido com tantas diferenças, passado por tantos perrengues e sobrevivido. Por ter aprendido sobre a profissão, por ter ensinado, por ter tido fim. Não me encaixava perfeitamente, é até engraçado. Faz pouco tempo que tive a oportunidade de tentar montar aqueles quebra cabeças gigantes e descobri que, se o encaixe é estranho, está errado. Se a peça fica faltando uma curvinha que seja, está errado. Sou grata, acredito que estava faltando uma curvinha para o meu encaixe.
Sentada no meio da estrada, analisei possibilidades. Deixei ir aquilo que já sabia que não encaixaria. Fui descartada em possibilidades que gostaria de me encaixar. Até que percebi que de nada adianta sentar-se no meio dos caminhos. Você precisa se mexer. A vida é o que acontece enquanto você espera. Redescobri a vocação de servir, minha cabeça pensa melhor através das necessidades dos outros. Atendê-las talvez seja meu chamado, dentro da minha profissão. Mudar pequenas realidades, como é que tinha me esquecido disso? Estava no piloto automático. Vivendo por viver. Agora entendi que primeiro é a minha realidade que muda e o que sobram são as metas, os planejamentos e, é claro, o caminho a ser percorrido. Felizmente não vou sozinha, tenho ajuda. Descobrir objetivos aos 26 é bem legal, é uma oportunidade única. Não dá pra parar no meio do caminho nem viver no piloto automático. Não dá pra caminhar de olhos vendados, sem enxergar o próprio caminho. Mas é possível descobrir sua casa na próxima esquina. É possível encontrar seu lar mais perto do que você imagina, sem nunca ter esquecido os percalços da caminhada. É possível sentir-se livre, ainda que despedaçado. É possível sentir-se forte, ainda que o choro venha. É possível caminhar e contemplar a vista e, ainda que ela ainda não nos agrade, saber que a paisagem mais linda vai estar logo ali, na esquina. E digo mais: essa paisagem todinha foi construída durante a minha caminhada. Passo por passo, tijolo por tijolo, decisão por decisão. Sou eu a responsável pelas minhas decisões e ninguém mais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Que Deus te dê o suficiente (e por que eu não tenho um carro)

Entre muitas idas e vindas, nas rodoviárias da vida, tenho aprendido a duras penas a ser menos desesperada. É possível comprar passagem na véspera, mudar a agenda da semana na quarta feira e pasmem: organizar uma mudança em apenas dois dias.
É possível também parar pra admirar uma livraria no meio da rodoviária de Campinas enquanto o próximo ônibus não sai. Numa dessas situações, hoje, mãe e filha me fizeram sentir um turbilhão de emoções quando numa conversa casual o tema vestibular surgiu. Foi incrível poder dizer "não se preocupa, eu consegui, é possível!".  Um sorriso de alívio preencheu os rostos e pude me lembrar de todas as aflições e pensamentos acelerados que me traziam tanto sofrimento. Lembrei também, extremamente grata, de toda a jornada da faculdade e do meu amadurecimento pessoal e profissional nesse período.
Enquanto chegava em Campinas, seguindo nesse pensamento de desaceleração, respondi a mim mesma mais uma vez que não, eu não preciso ter um carro. Por mais que o modelo ideal do sucesso quando se começa a trabalhar seja fazer uma divida vitalícia (carro só é investimento quando se é motorista de aplicativo), prefiro a simplicidade e a minha liberdade em relação aos gastos e ao comprometimento que um carro significa. Não tenho problemas em me comprometer, mas faço muitíssimas considerações antes que me comprometa. Assim também com um carro. 90% das pessoas que passavam pela pista estavam sozinhas no carro, gerando trânsito e poluindo cada vez mais. Existem exceções, mas quando todos acham que são exceção a tragédia está anunciada. Eu não sou exceção. Eu posso muito bem encarar uma rodoviária, um motorista de aplicativo meio perdido e não vou morrer por isso. Eu posso desacelerar.
A história toda do carro se conecta perfeitamente com o fim da história da mãe e filha na livraria. A mãe se despediu desejando que "Deus te dê o suficiente" e esse é um dos desejos mais lindos que poderia receber. O suficiente hoje é um chuveiro pra tomar banho e uma cama pra dormir. O suficiente é um conteiner com um galão de isotônico no meio do sol e da terra da obra. O suficiente é poder se sentir livre pra escolher seus próprios ideais de sucesso. O suficiente são aquelas músicas antigas, tocadas num acústico com violão no domingo a noite no culto e que te lembram da menina que sonhava mudar o mundo. Mal sabia ela que o mundo inteiro se muda num ritmo lento e constante, mas sem fim. Continue mudando, continue aprendendo, se desafiando e se libertando das ideias que não fazem sentido. A vida é muito mais do que os ideais de sucesso dos seus pais, tios e avós. A vida é o que acontece enquanto Deus te dá o que é suficiente.

Obs: não se sinta mal se o sonho da sua vida sempre foi ter um carro. Mas se sinta mal por perseguir os ideais de sucesso dos outros, sem saber qual é o seu.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Aquela retrospectiva atrasada (quase não rolou)

É estranho como ciclos se renovam na vida da gente. Na verdade, é magnífico. Sempre existe renovação à espreita, sempre há a chance de recomeçar e de corrigir velhos erros. Por vezes é exaustivo, é verdade, mas eu sempre precisei de novas chances. Atire a primeira pedra de 2018 quem nunca precisou.Tenho tanto pra dizer, contar de tanto que aprendi, de tanto que ainda falta aprender...

Em 2017 foi necessário ter muita paciência, afinal, não é todo ano que tem 3 finais de semestre pra te trazer aquela sensação de semi morte depois de cada prova e trabalho. 3 de janeiro e eu já estava lá, fazendo prova inclusive. Não me perguntem, eu não sei como deu certo. A cada tarefa entregue a gente jura que não vai mais aguentar fazer nada e que vai morrer ali mesmo, do lado de fora da sala de prova. Mas uma força, um motor sobrenatural te puxa pra cima e te faz focar de novo e terminar trabalhos às 4 da manhã. Você cria metas impossíveis e às vezes as cumpre. Quando não consegue só vai do jeito que conseguiu mesmo. E a vida segue mesmo assim, só percebi agora que completei todos os créditos de matérias e dia 20 de dezembro me faltaram o TCC e o estágio pra que as burocracias todas atestassem minhas habilidades de formanda em engenharia civil.

Vez ou outra a gente conhece uns professores decentes, que são como pais de jornada acadêmica pra você. Tive o privilégio de conhecer novos professores nesse último ano e mais ainda, redescobrir junto com alguns, a graça de lecionar. Apesar de começos cheios de nervoso, estresse e cansaço, redescobri mestres dentro de pessoas que só precisavam voltar a olhar os alunos como eles são: limitados, mas esforçados. Esforços esses (malditos esforços!) me renderam aprovações em matérias que eu jurava que seriam impossíveis. Quando se é mestre, é muito necessário olhar o trabalho de seus alunos com compaixão e atenção. Deus sempre me mostrou que esforço é recompensado, mesmo quando a pessoa que acredita em você nem é você. Deus me mostrou quão eficaz pode ser a oração para transformar meu próprio coração e olhar para o próximo com compaixão e sim, isso no ambiente acadêmico principalmente. Qualquer espécie de ranço ou ódio por atitudes questionáveis de mestres foi substituído por entendimento e quando era mais difícil mudar o sentimento, por compaixão. Afinal, todos nós erramos e temos momentos de fraqueza. Por vezes, a lição não é aprendida no meio da briga, mas no abraço que sobra no fim dela. Saio da presença dos mestres com o coração agradecido, leve e preparado para a jornada a seguir, encontrando neles o apoio da transformação profissional de uma garota que não fazia ideia do que era ser engenheira, mas agora vislumbra essa profissão. Não desistir em nada, ainda que pareça sem esperanças, foi a minha recompensa, o meu aprendizado na graduação em 2017. Não teria conseguido sozinha, mas os agradecimentos seguem em breve ainda nesse mesmo textão.

Também foi o ano de presenciar pessoas competentes demais entregando trabalhos de conclusão de curso que eram sensacionais. Ao mesmo tempo em que uma onda inexplicável de orgulho e gratidão invadiam o meu coração, outra onda de saudade e nostalgia batia e fazia de mim uma pessoa estranha, sem muita reação em relação a tudo que estava acontecendo. Mas nossa, como foi ótimo conviver com tantas pessoas maravilhosas durante esses 5 anos de graduação, ter encontrado minha família perdida, que foi suporte, apoio e colo. O meu TCC ficou pra 2018, pra ser terminado com calma, com cuidado. Esse sempre tinha sido o plano, de qualquer jeito.

Nunca fui uma pessoa fácil de lidar, tenho minhas mil limitações e nem todo mundo é capaz de entender e aceitar algumas delas. Por muitos motivos me entristeci com distanciamentos, me senti rejeitada, me senti triste de verdade. Apesar de muitas vezes eu ser o lugar onde as pessoas encontrassem descanso, tantas vezes era eu quem precisava parar. Era eu quem precisava de colo quando oferecia consolo para os outros. Felizmente, Deus sempre esteve lá. Ele sempre foi minha paz e me mostrou através de músicas bonitas, através de pessoas que me abraçavam do nada, através de inúmeras demonstrações de seu amor e de sua graça sobre mim.

Mesmo sendo essa estranha criaturinha desse mundo, em 2017 eu me despedi de 2 lares. Foram 2 mudanças sofridas em um único ano. Na metade de 2017, eu estava ali, dissolvendo uma parceria de quase 4 anos, uma parceria que tinha dado certo em inúmeras maneiras. Eu não simplesmente dividia apartamento, eu dividia os problemas da vida. E o peso diminuía. E eu fui colo, eu precisei de colo, eu perdi as contas de quantos brigadeiros com chocolate meio amargo foram feitos para incentivar ou curar qualquer coisa, desde provas até cansaços e corações partidos. Eu encontrei uma irmã perdida, ganhei família e inquilina irmã também (alô Amanda). Nosso apartamentinho vivia cheio de gente, cheio de vida, de trabalhos monstruosos sem fim e de euzinha dormindo e lavando louça. Nos dias de mudança, em que eu estava enlouquecida terminando trabalhos, nem deu tempo de relembrar tudo. Nem deu tempo de entender que aquele tempo ia ter fim e que uma das nossas se casaria dali uns dias. Mas agora, olho pra esses dias com a gratidão mais profunda que poderia ter, afinal de contas, foi um período de descobrimento e transformação mútua, onde a gente tinha tanta intimidade uma com a outra a ponto de conseguir dar as broncas mais sinceras e ter os papos mais malucos durante os horários de refeição. Deus foi bom comigo e me proporcionou outro lar, em um período bem curto de tempo, mas intenso de aprendizados e compartilhamentos também. Um lar onde eu aprendi que uma pia de louças pode ter poder pra te fazer começar chorar e é sério, tinha alguma coisa na água daquele lugar. Um lar onde eu tive conversas bem doidas, pontos de vista bem interessantes e carinho, acolhimento sem medida e, de novo, vivência de experiências similares com grande troca de figurinhas durante o processo. Eu só tenho a agradecer às meninas que me proporcionaram a evolução nesses dois lares. Meu coração já morre de saudades de vocês.

Em 2017 também aprendi que pessoas muito diferentes podem sim agregar visões interessantes pra sua vida, mas que é necessário tomar cuidado para não se perder em caminhos que não queria trilhar. É preciso ser grato pelos ensinamentos encontrados no meio das discussões e pela paciência agregada. Também é necessário perceber realidades das quais você não quer participar, máscaras que não quer colocar por já ter sofrido demais pra retirar cada uma delas em algum outro momento da vida. Não importa onde se vá, sempre há uma religiosidade travestida de amor. Não importa onde se vá, há gente oportunista. Não importa onde se vá, existe maldade. O que importa mesmo é ser capaz de trocar as lentes pelas quais se enxerga o mundo. Os sofrimentos envolvidos. A perversidade inerente a cada um, incluindo primeiramente euzinha. É extremamente necessário tentar entender motivos alheios e se eles forem balela, paciência. Às vezes a gente precisa ser egoísta pra ter paz. Às vezes a gente precisa desapegar da ideia de infância de salvar o mundo todo e de que eu seria capaz de transformar pessoas. Não. Não é minha a capacidade de transformar pensamentos, só o amor é. E ainda assim, não é o meu amor. O meu acaba sendo só um reflexo do maior amor do mundo. E eu aceito os erros alheios, as escolhas alheias e as consequências delas por que é necessário que eu aceite os meus primeiro e saiba da necessidade de perdoar, pra minha própria sanidade mental. No fim das contas, sobram textões meus pra esses casos. Sobram orações. Sobra amor, ou ao menos a tentativa dele.

Em 2017 cansei de prometer e não cumprir. Comecei aos poucos. Quando o estresse estava insuportável e eu precisava de algo para sustentar o meu corpo antes que ele não aguentasse mais, descobri que poderia caminhar na USP. Distrair as ideias e melhorar a vida. Não, eu não sou regrada. Não, eu não fazia isso todos os dias.
Aí o inverno chegou. e foi aí que descobri o aplicativo de ioga. Não adotei filosofias, só as "asanas", ou poses, e segui esticando meu corpo. Foi ótimo, consegui manter firme durante 3 meses quase todos os dias. Pretendo voltar, muito em breve; tenho certeza que o meu tapetinho está com saudades. Por fim, no quesito saúde, descobri um jeito inovador de comer salada. Quero voltar a fazer e comer mais saudável. Mas sabe, tem dias que só um hamburger com os amigos tem o poder de restauração da saude mental e do corpo também. (Esse processo tá no limbo desde dezembro. Não voltei a fazer ioga nem a comer salada de um jeito saudável. Desculpa mundo).

A quem interessar possa, 2017 foi sim o ano de celebrar o amor. No inesquecível casamento da amiga, que eu tive o prazer de acompanhar de perto, em relacionamentos cagados que acabaram, em momentos de clareza diante do que era amor e o que era oportunismo, em broncas infinitas e em momentos de carinho comigo mesma. Afinal, o amor próprio era necessário e por vezes eu o deixava de escanteio. No fim das contas, eu estava bem sozinha sim senhor, mas sentia aquela vontadezinha de viver um amorzinho desses leves, que colocam sorriso no rosto da gente e transbordam. No fundo sempre rolava aquela vontadezinha de viver um amor igual aos que foram celebrados em 2017. Eu não imaginava que viveria muito mais do que aquilo, tudo em 2017 mesmo.

No finalzinho do ano, tive a mais grata surpresa de todas. Contrariando as possibilidades, me apaixonei. Eu acho que nunca soube o que era isso de fato, por isso a demora enorme em me soltar, em admitir, em aceitar e compreender um sentimento de que não seria mais só eu. Passei muitos anos confortável em ser eu mesma, não sabia mais como encaixar alguém pra me acrescentar momentos agradáveis na rotina que eu trilharia a partir dali. Como nós dois já tínhamos tido nossas cotas de sofrimento com relacionamentos, aprendemos muito. E aprendemos juntos a cada dia. Eu acho o máximo quando digo que comecei a namorar dois meses antes de "me formar" e que ele mora a mais de 500 quilômetros de mim por que as pessoas me olham com cara de "vocês são doidos". A gente é mesmo. Mais doido de tudo isso é saber que eu posso contar com ele em qualquer momento, por que quando existem notícias boas ele é o primeiro a saber e quando existem notícias ruins ele é o primeiro que me acalma. Ele é o único que consegue me fazer chorar de saudade e alegria ao mesmo tempo. A rotina, o estresse, o trabalho, as outras pessoas e o passar dos dias não afetam o amor, só a distância que faz o toque e o carinho serem um pouco prejudicados, mas isso não importa tanto quando a gente sabe que um dia vai ter fim. Ele tem aprendido a ter paciência comigo e, pelo que sempre escrevi aqui, já se sabe que eu jamais imaginei viver isso. E se sabe o quanto eu sou grata por encontrar quem fosse capaz de transbordar alegria e gratidão na minha vida. Te amo gatinho.

Essa retrospectiva está atrasada faz uns muitos meses, mas está na hora de finalizar. 2018 tem sido um ano louco, com 6000 quilômetros rodados até agora e muitos deles trouxeram lições importantes que talvez sejam compartilhadas também. Acho que o restante das coisas que me aconteceram em 2017 já estão bem registradas aqui e muitas outras precisam ser deixadas pra trás mesmo. Olhando pra frente, tentando buscar otimismo pras mudanças acontecidas em 2018, me despeço com lágrimas (que não me deixam mais) e esperança no futuro, o resto a gente planeja e executa da melhor maneira possível.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Quando eu era criança

Quando eu era criança pensava que continuaria aprendendo tudo na velocidade acelerada e contínua para sempre, que nunca encontraria dificuldades para aprender e sempre seria elogiada pelas professoras ao longo da vida. Quando cresci e entrei na faculdade, descobri em mim um ritmo de aprendizado lento, difícil e arrastado. Sofrido. Ainda assim, apesar das aulas intermináveis e muitas caretas ao longo de cada uma delas, pareço ser reconhecida por alguns professores, até mesmo alguns que me reprovaram ainda sorriem para mim nos corredores da UFSCar. A criança que eu era sorri de volta para eles.

Quando eu era criança sonhava que poderia mudar o mundo. Todo ele, de uma vez. Não entendia a desigualdade entre as pessoas e, no início da adolescência, cheguei a pensar que somente algumas atitudes muito drásticas resolveriam os problemas do mundo. Agora que cresci descobri que eu não posso mudar grandes extensões do mundo sozinha. Que é impossível resolver todos os problemas do mundo. Nada do que eu faça sozinha vai modificar de maneira efetiva alguma realidade. Descobri, depois de crescida, que realidades são mudadas quando juntos fazemos algo para isso. A criança que eu era estaria muito orgulhosa hoje ao saber que descobri meios de mudar pequenas realidades.

Quando eu era criança, imaginava que aos 23 anos estaria morando fora de casa, formada em alguma profissão e casada. Eu era uma criança extremamente conservadora risos Agora que cresci, prestes a fazer 24 anos, ainda dependo do dinheiro dos meus pais e ainda falta um pouco para me formar. Agradeço a Deus todos os dias pela experiência libertadora e empoderadora de morar fora de casa. A criança que eu era queria estar casada aos 20 anos de idade, mas ela não sabia o quão rápido passariam os anos da adolescência e que, com o passar dos anos, a ideia de casar com essa idade era extremamente surreal para a adulta que ela se tornaria. Ela não desconfiava que o primeiro namorado demoraria tanto para aparecer e muito menos que relacionamentos sempre seriam uma parte deliciosamente confusa da sua existência. Agora que cresci, a imagem do casamento continua linda, adorável e doce, mas ela não é mais fundamental. A criança que eu era teria dificuldades para compreender a sensação de ser completa sozinha. Ela jamais acreditaria em mim se eu lhe dissesse que ela sorriria todos os dias para o espelho por saber que é amada. Ela jamais acreditaria que estava tão perto de se tornar uma engenheira. Ela ficaria muito brava ao saber que com quase 24 anos, sua futura eu, mesmo sendo habilitada não dirigia. Eu também, eu também...

Quando eu era criança, conheci os processos de tratamento da água e participei de campanhas em prol do meio ambiente. Meu coração batia mais forte e de algum modo eu desconfiava que aquele seria meu mundo mágico quando adulta. Quando via na televisão desmoronamentos e enchentes já sabia que era ali que tinha que trabalhar. Hoje, crescida, quando minhas aulas preferidas correm, só consigo lembrar daquela menininha curiosa com os olhos brilhando ao ver que poderia melhorar a vida de muita gente simplesmente exercendo uma profissão de maneira digna.

A criança que eu era ainda existe e é reflexo do que sou hoje. Esse relato é apenas pra lembrar que você deve satisfações à criança que foi agora que se tornou adulto. Você corresponde às expectativas que tinha?


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Não tenho pressa

Diminua essa sua velocidade,
vem devagarinho,
vem sem expectativas,
apenas vem.
Diminua essa sua pressa,
essa ansiedade louca de crescer e ganhar o mundo:
seu mundo é bem aí,
seu mundo serei eu?
Seu mundo, já sabe, ele também é meu!

Diminua o brilho dessa tela,
carrega menos o carregador do smartphone,
aprenda a conviver com cada responsabilidade.
Diminua a frequência de reclamações,
olha pra vida de peito aberto,
como quem não espera nada e vem.
Esqueça esses limites admissíveis,
abandona a pressa da vingança,
joga fora a amargura e vem.

Vem comigo nessa nova jornada
de ignorar a cara feia,
de desaprender a mentir,
de observar o mundo bem do jeito que ele é.

Eu não tenho pressa
Nunca mais terei pressa de cumprir com as obrigações da sociedade
Eu não preciso de dinheiro,
não preciso de sucesso,
não preciso de outro alguém,
não preciso de uma ideia fixa pra ser feliz.

Não tenho a mínima pressa...
Estrangeiros não se apressam em suas jornadas:
as vivem como quem ama, saboreando cada momento do caminho.

Não tenho pressa pra que o final de semana chegue,
pra que a agonia de uma novidade torne-se passado,
pra que a vida se encaminhe como convém.

É fora da caixa que tudo muda,
é na pátria que não é minha que aprendo novos costumes.

De toda essa pressa, o que é certo é a saudade de Casa,
do lar que deixei quando chorei pela primeira vez neste mundo.
Mas eu não tenho pressa,
me deixe viver no estrangeirismo desse planeta pra que no fim eu voe decidida,
sem remorsos, sem correntes nem gaiolas
em direção ao meu Lar.

sábado, 15 de junho de 2013

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo...
Daquele amor desesperado
Daquele palpite intrometido
Da insensatez de adolescente

Foram-se os tempos de infância
nos quais podia ser quem eu queria ser,
escrever como queria escrever
brincar sem ter preocupações futuras.
Tempos que eram tão simples,
tão mais humildes,
tão menos influenciáveis pelas opiniões alheias,
sem tanta tecnologia,
apenas os corações eram conectados.

Foram-se os tempos de adolescente,
a hipérbole eterna,
as paixões desesperadas,
as amizades eternas de dois meses,
as melhores risadas,
os melhores anos...
Foram-se os complexos de feiura,
as choradeiras irremediáveis,
as reclamações sem motivo.
Foi-se o tempo de todo o exagero característico.

Foi-se o tempo em que uma grande sensatez tomou conta de mim,
o tempo em que achava que estava no controle,
no qual achei que fosse dona de mim.
É preciso aceitar que acabou o tempo da nostalgia.
Acabou o tempo em que acreditava cegamente.
O tempo do questionamento,
do lamento,
da reivindicação chegou!

Soltem as granadas,
liberem os pensamentos,
chamem um psiquiatra:
nasce mais um adulto em uma sociedade doente!