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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Direita e esquerda são dispensáveis quando se sabe o caminho

Salomão estava certo, por que, em tudo que há de novo no que vejo posso encontrar fios conectados ao que já aconteceu em algum momento da história.

Não interessa a ideologia que serve de pano de fundo se o que você defende desrespeita o direito de existir de qualquer pessoa. 

Não interessa qual é a cor da coleira que te puxa quando você está saindo do controle. 

Não interessa se a outra pessoa é um assassino confesso ou a Madre Teresa. 

Não interessa se ela se fantasia de justiça. 

Não interessa se o discurso é bonito e floreado. 

Mais pessoas do que eu poderia contar morreram por conta de uma ideologia narcisista mas me deixe te contar uma novidade: não foi apenas uma vez.

Somos idiotas. Teimosos. Não conseguimos aprender com nossos próprios erros.

Quando você entende que existem pessoas que funcionam de um modo bem parecido com o seu, não importa a cultura, a língua que falam nem o que elas fazem, é possível entender que você poderia ser qualquer uma delas. Com um milhão de diferenças culturais, de personalidade, de comportamento: você poderia ser essa pessoa. 

Essa pessoa que nega a existência de um deus. 
Essa pessoa que é devota a um deus.
Essa pessoa que sente raiva, que chora e ri, que se desespera e se sente sozinha. 
Essa pessoa que é arrogante, 
que vive em função de outros, 
que vive pra ganhar dinheiro 
ou que mendiga o pão nosso de cada dia. 

Quando você consegue perceber que qualquer um tem o direito de errar, fica fácil aprender com os erros, inclusive dos outros. E é aí que você percebe que, embora tenham significados distintos, por vezes as diferenças ideológicas se fazem sutis entre justiça e tortura. Entre restauração e estrago. Entre dignidade e depravação. É sua a responsabilidade de entender que existe um abismo gigantesco entre uma e outra.

É aí você percebe que uma ideologia por si só não vai dignificar ninguém.

Esquecemos de observar o equilíbrio na natureza e nos tornamos extremistas nojentos, não nos importando que, no fim do dia, o que sobra é mais um ser humano que parece inacessível.

O tempo todo me questiono sobre questões políticas. Afinal de contas, o que importa se eu sou de direita ou de esquerda? Importa mesmo qual a ideologia que me satisfaz se eu não consigo cumprir com aquilo que me proponho a fazer? Se eu não amadureci e continuo me comportando feito uma criança mimada? Se eu não me preocupo com os que ainda estão por vir? Se eu não respeito a mim mesma nem aos que estão ao meu redor? 

Aos que entendem de política, me perdoem. Eu nunca consegui enxergar coisas boas através do extremismo de ambos os lados. Eu nunca consegui enxergar o mais importante nessas filosofias: a verdade. Para mim tudo sempre foi e sempre vai ser uma questão de quem é capaz de dissimular melhor. Eu entendo que vocês possam ter ficado ofendidos, algumas das minhas convicções já foram questionadas, mas todas as vezes que isso aconteceu, eu parava para me questionar também. O mais importante continua sendo a coerência e o respeito nas relações, principalmente se tratando de opiniões.

Lutamos tanto por entender os pormenores da nossa existência e função na sociedade e esquecemos que quando a gente sabe o caminho não precisa ficar prestando atenção nos conceitos de direita e esquerda na trajetória. Quando a gente entende quem é, de fato, o inimigo, a luta é mais efetiva. Quando a verdade se pronuncia não há mentira que se sustente. 

Infelizmente, sigo sem entender de política. Infelizmente, sigo me lamentando pela história.

domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre cartões postais e o que nos faz humanos

Na semana em que fiquei mais velha pude ter a certeza de que sou apenas mais uma pessoa nesse mundo gigantesco e maluco. Mais um ano de vida me acrescentou uma espécie de paz, de sensação de dever cumprido e aquela sensação de continuidade, a velha sensação de triunfar ao apenas ser alguém que respira sobre a face da Terra.

Infelizmente nessa semana que passou muitas pessoas perderam esse privilégio. Muitas outras perderam o privilégio de seu lar, de seu sustento, de sua esperança no futuro. Se eu vivo mas não me solidarizo, estou morta. Não tenho mais motivos para continuar sendo rotulada como humana. Sim, hoje a pauta é pesada. Em 2015 preferi deixar a celebração da vida um pouco de lado neste texto característico de aniversário e escrever sobre coisas que pesaram em meu coração.

No mesmo dia do atentado em Paris recebi um cartão postal de uma amiga que está na França. Até então eu ainda não sabia o que tinha acontecido por lá e fiquei extremamente feliz com o presente. Novamente, os pequenos gestos são os que iluminam os dias. E somente muito depois consegui me atualizar das notícias. Esse é mais um dos acontecimentos estarrecedores de uma humanidade doente que precisa urgentemente se tornar, de ato, humana de novo. Quão transfiguradas são as lentes de um fanatismo religioso que incita a morte de pessoas? Quão transfigurados são os discursos de ódio a um estereótipo específico? Quão doentes são as mentes que incitam tais atos? São perguntas que ecoam na minha mente dia e noite, sem parar. Se você pensa que está certo ao declarar "que matem todos esses muçulmanos", você apenas está se tornando um deles. Que as mortes em Paris nos lembrem o quão perigosa uma ideologia pode ser e que as autoridades possam resolver a situação com pulso firme, mas lembrando também que extremismos não levam a lugar nenhum. Digo as autoridades por que, honestamente, eu, em meus 23 anos recém completados não posso fazer muito em relação a essa situação. E se você conseguiu agir de alguma forma, fique à vontade para criticar aqueles que apenas tem a alternativa de orar pelas pessoas que perderam amigos e familiares na tragédia; caso contrário, as orações serão muito menos hipócritas do que sua crítica.

Voltando ao Brasil mas sem deixar de falar de humanidade, o desastre do rompimento das barragens em Mariana tocou minha alma praticamente na mesma intensidade que a tragédia ocorrida em Paris. Talvez eu tenha ficado ainda mais em choque por ser algo em que eu poderia ter participação no futuro, tendo em vista a profissão que escolhi. Podem ter sido muitos os motivos para que a primeira barragem se rompesse, desde fraude na fiscalização até algum erro na execução da obra. É sim imprescindível que se encontrem os responsáveis, no entanto, após esse terrível acontecimento o mais importante tem sido buscar ações para resolver os problemas gerados, envolvendo mais uma vez questões de compaixão, solidariedade e humanidade. Muitas pessoas ali perderam família, perderam seus lares e suas expectativas de futuro. A natureza sofrerá e chorará as consequências desse acontecimento. Mas o que tem me impressionado por esses dias é a quantidade de postagens sem o mínimo senso de noção, criticando qualquer tipo de ação feita para ajudar as pessoas. SIM, AJUDAR. Fico indignada com a capacidade de reclamar do que está sendo feito, do que está planejado pra ser feito e do que ainda nem foi planejado. Tudo é motivo para reclamações. Se não adianta mudar a foto do perfil nem orar por todos que foram afetados, sinto muito, cara pálida, mas reclamar disso também não vai resolver muita coisa.

Termino dizendo que não importa se quem está sofrendo mora em Paris, Mariana ou do lado da sua casa. Se você perdeu a capacidade de se comover com a dor alheia, você não é mais humano. Comover-se não é apenas orar pelo próximo que você nem mesmo conhece. Comover-se é mover-se junto com o que sofre, é buscar medidas par aliviar seu sofrimento. Eu nada posso fazer a não ser orar pelas famílias das vítimas em Paris e em Mariana, por seus motivos distintos de sofrimento, para que Aquele que está sempre no controle (até mesmo em meio ao que pareça caos) possa amenizar esse sofrimento. O que posso fazer é continuar a me envolver em questões simples, como escutar os problemas de um amigo, participar das ações movidas na faculdade para ajudar instituições que cuidam de pessoas, doar meu tempo de alguma maneira. Comover. Estar em movimento junto com outros parecidos comigo. Participar de seu sofrimento, de sua luta. Isso é o que nos faz "pequenos Cristos", não a religião. Mas acima de tudo, comover-se é o que nos faz humanos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre 2014: uma odisseia na montanha russa da vida

Tão certo como todo final de ano tem especial do Roberto Carlos, achei que entregar a mim mesma uma retrospectiva de cada ano é algo que deve ser feito na mesma frequência. E 2014 foi um ano surpreendente em tantos aspectos que eu não poderia deixar passar. O resumo do ano pode ser uma simples frase: a vida é uma caixinha de surpresas. Quer ler TUDO o que aprendi em 2014? Segue comigo, mas respira fundo por que a viagem é longa...

Primeiro quero dizer que 2014 foi repleto de altos e baixos, literalmente. Foi o ano de fotos inesquecíveis, recomeços memoráveis e nível de estresse nas alturas!

Em fevereiro me apaixonei de novo pela praia, pelo mar e tudo mais... tinha esquecido de como é gostoso andar com os pés na areia e sem tantas preocupações na cabeça. Toda vez que viajo pra qualquer lugar que seja tenho aprendido a admirar quão grande e magnífico é o Criador de todas as coisas. Como não se sentir extremamente pequeno e amado diante da imensidão de água salgada? Como não se sentir criança de novo voltando pra casa com o joelho ralado?

No acampamento de Carnaval tive algumas surpresas e quatro dias agradáveis pra ajudar a colocar a cabeça no lugar de novo. O acampamento desse ano provou que não interessa o lugar, mas quem está com você. Lembro-me de “Into the Wild”, quando descreve que “a felicidade só é real quando é compartilhada”. Não no Facebook, não no Instagram, mas na vida real. Com pessoas de verdade. Fui Branca de Neve por uma noite, dei muitas risadas, conheci gente nova e muito amada e mudei muitas perspectivas.

Receber meus bixos e bixetes foi algo memorável também. Lembro-me exatamente de como me sentia quando fora minha vez. Era o começo de um sonho que jamais imaginava o quão trabalhoso seria e eles estavam se sentindo da mesma maneira. Todos aqueles jovens entrando no louco mundo de uma Universidade Federal, muitos longe de casa e do conforto da comidinha da mamãe. Muitos cheios de medos e inseguranças, outros cheios de expectativas, mas todos de alguma forma se sentindo realizados por começar uma nova etapa. A alegria dos bixos não dura muito, é verdade. Mas é uma alegria sincera. Legítima. É doloroso vê-la se desfazer quando chegam as primeiras notas ruins e os primeiros professores que não merecem esse título...

Ainda sobre faculdade, descobri que algumas pessoas merecem uma segunda chance e outras não mereciam nem mesmo a primeira. Algumas poucas pessoas foram sempre muito solícitas em ajudar durante os períodos de desespero, entrega de trabalhos e provas. Outras pessoas foram carregadas nas costas durante os trabalhos em grupo. Mas não me cabe o apontar de dedos. Não é meu dever julgar se ocorreu alguma injustiça. Deus sabe de todas as coisas e Ele bem sabe como recompensar cada um segundo a Sua justiça. O que eu aprendi com isso? A nunca mais tentar trabalhar em equipe com algumas pessoas. Para os solícitos um beijo, um abraço e todas as melhores coisas desse mundo. Obrigada por aguentarem uma maluca surtada perguntando coisas sem parar pelo WhatsApp. Amanda, essa é principalmente pra você! Obrigada de novo, pessoa mais linda que qualquer top model!

Por falar em pessoas lindas (minha teoria sobre beleza segue logo após), conheci várias delas melhor em 2014. Gente que se desdobra pra fazer festa surpresa, que ama ajudar o próximo (alô Natais!), que me fazem acreditar que nesse mundo ainda existe gente de coração bom. Fiquei muito feliz por estreitar alguns laços de amizade que não existiam ano passado. Sempre gosto de conhecer pessoas novas e diferentes de mim ou ser surpreendida com pessoas extremamente parecidas comigo em algum aspecto inusitado.

Continuo vivendo sob minha teoria sobre a beleza. Ela consiste em acreditar que quanto mais você conhece uma pessoa, mais ela parece bonita (ou feia) na sua avaliação. Muitas das pessoas que conheci melhor esse ano estão parecendo mais bonitas pra mim agora. A beleza começa quando as palavras e ações falam mais alto que qualquer imperfeição da aparência. E como é gostoso encontrar esse tipo de beleza...

Novamente vem a lição sobre paciência, ensinada todos os dias, um pouco por vez. Primeiro com todos os problemas. Eles não foram fáceis nem simples. Ver quem você ama sofrendo é algo terrível e ninguém está preparado pra isso. Em 2014 a vida me mostrou que as coisas acontecem rapidamente. Vidas são geradas e destroçadas com a mesma velocidade e intensidade. Relacionamentos são construídos e destruídos ao mesmo tempo ao seu redor. O mundo gira muito rápido pra quem só observa e muito devagar pra todos os que esperam. Depois de todos os problemas, aprendi a ter paciência comigo. Nunca estarei satisfeita com o que sou e isso é bom. Preciso melhorar sempre, mas também é necessário que eu aceite minhas limitações e saiba conviver com cada uma delas.

Meu coraçãozinho continua livre por enquanto. No início do ano estava tentando me livrar, com minha maneira trouxa de agir, de um passado meio estranho e desengonçado que eu jurava que andaria com as próprias pernas. Logo depois disso, resolvi tentar ser sociável, amigável, adorável e todos os outros adjetivos terminados em L que você possa imaginar. Só fiz papel de trouxa uma vez mais. Desisti e estava crente de que morrer solteira era sim a opção mais viável pra mim, um serzinho estranho que habita esse mundo. Não é um destino tão cruel assim. Aprendi a me virar sozinha e estou me dando bem. No geral. Mas quem me conhece sabe que eu tenho facilidade em ceder. Quando o assunto envolve amigas casamenteiras então, cedo num instante. Preciso dizer que me surpreendi com todas as semelhanças, com tamanha doçura e leveza. Novamente, tentei fazer da paciência a estrela da história e continuo tentando. É inegável que muitos dos meus dias terríveis foram salvos por uma conversa agradável. Muitas risadas fora de contexto foram dadas. E uma coisinha quase esquecida pelo meu coração começou a brilhar de novo. Uma coisinha extremamente importante chamada esperança. Encontrei-me na situação de pagar a língua. Minha tia e sua bendita maldição do sotaque. Alô tia, a senhora tinha razão. E a pergunta que fica de toda essa história que conta tudo sem contar nada é: por que não?!

A melhor decisão tomada em 2014 foi, sem dúvida, dividir um apartamento em São Carlos. Eu achava que morar sozinha era a melhor opção, mas os meus últimos dias sozinha no apartamento mudaram essa teoria. Ter um lugar pra considerar seu fora de casa é simplesmente sensacional. Não faço ideia de onde foi parar a menina que voltou pra casa chorando depois da primeira semana de faculdade ano passado. Hoje ela vai ao banco, ao supermercado, à farmácia, à rodoviária e à faculdade reclamando sempre que pode, mas se sentindo o máximo por estar dando conta de tudo. A menina que antes carregava as malas cheias de roupa todo fim de semana encontrou uma companheira inseparável, amada e digna de apego cujo nome é Máquina de Lavar Roupas. É certo que gosto mais da minha Brastemp do que de muitas pessoas. Ela é muito mais confiável pra mim que algumas delas, mas a companhia das pessoas também é muito bem vinda. Nosso pequeno apê esteve cheio de pessoas várias vezes durante o ano e cheio de conversas sérias e engraçadas com a Carol. Teve Post It Poker (acho que devemos patentear isso), lasanha, balada de FT4, brigadeiro com velinha e parabéns no portão, inveja do chão com mais cabelo do que eu e bolo de cenoura com cobertura de brigadeiro com azeite. Vida de universitário não é nada fácil. Mas é uma delícia quando a gente tem um cantinho pra poder voltar depois de um dia cheio de sermão de professores sem noção.

Vamos falar das doenças? Olha, 2014 não foi nada fácil em termos de saúde. Passei tão mal durante minha viagem pra praia no começo do ano que achei que fosse morrer. Sério. De verdade. Já estava quase vendo a luz no fim do túnel, mas graças a Deus a enfermeira achou minha veia e eu voltei pra casa viva. Os enfermeiros se superaram esse ano em relação às minhas veias: foram bem sucedidos sempre. Acho que foi em janeiro que fui tirar sangue para os exames que a médica pediu e foram oito tubos. Sim, oito. No meio do ano achei que fosse morrer de tanto tossir, mas era só uma alergia muito chata. Foram dias... inusitados aqueles. Pra fechar com chave de ouro, peguei dengue. Sim. Dengue. Se você ainda não teve dengue nunca zombe de quem teve. Eu sempre achei que era algo tranquilo, tipo uma gripe, que você fica molenga e desanimado e com um pouco de suco de laranja e carinho tudo se resolve mas paguei minha língua, mais uma vez. Essa foi a segunda vez no ano na qual achei que iria morrer. É tão terrível que você não come, não levanta do lugar, não bebe água, não tem vontade de se mexer. Graças ao bom Deus minha miséria durou uns 10 dias, no máximo. Depois de 3 exames de sangue e 5 litros de Gatorade estou aqui, vivinha da Silva e mais saudável do que nunca. Depois da dengue só a TPM (sim, ela permanece, olha que linda! Cadê a placa de sarcasmo?) e as dores de cabeça constantes me perturbaram.

Os maus hábitos adquiridos em 2013 continuam de alguma forma. A alimentação não está legal, a correria continua acabando com meu estômago e minha mente. Estou bem certa que, se eu não aprender a controlar tudo isso, até o fim da graduação já terei adquirido gastrite ou algo pior. Continuo no sedentarismo. É muita coisa que eu não me orgulho. É muito defeito que ainda precisa ser corrigido...

Algumas coisas bobas e sinceras continuam a roubar meu coração e meu sorriso. Um arco íris na janela, um abraço, um sonho bom. Minha participação mais presente no Natal Solidário me fez lembrar como é bom ser criança e por que eu escolhi fazer engenharia civil. A visita técnica que deu o start pras férias foi sensacional. Estar em um heliporto aumentou minha vontade de voar, de conhecer um mundo que meus olhos só veem através de telas. A visita pra Viracopos também me fez pensar em qual área seguir, no que desejo realizar... Passar em Cálculo 1 (sim, o 1 ainda) foi fenomenal. Ainda mais com o professor sensacional que tive. Passar em FT4 e Mecânica dos Solos também, considerando que pude enxergar no professor de FT4 uma pessoa (muito doida e estranhamente parecida comigo) que entende o desespero dos alunos e é, por consequência e por se importar, um pouco psicólogo também. Nada se compara à alegria de estar reunida com os amigos no domingo a noite e gritar “PASSEI!” do nada. E todos comemorarem. Comer ostra e peixe cru (como diria mamãe) também foi marcante, mas melhores foram as risadas... Saber que as pessoas ainda te amarão mesmo que muitos anos passem e muitas coisas aconteçam também é maravilhoso. Mas como esquecer seu vizinho alemão tirando com a sua cara enquanto ainda era intervalo do 7 a 1?!

De 2014 ficaram muito mais coisas além das matérias que terei de fazer de novo. Família é a certeza de que sempre vai ter um abrigo pra você. Amigos são a certeza de que a graça da vida são os relacionamentos. E Douglas Adams que me perdoe, mas Deus é a resposta para as questões mais importantes da vida, do Universo e tudo mais. E isso aqui já está grande demais. Mas ainda tem post sobre o Natal esse ano. Será que vocês ainda vão me aguentar?!

domingo, 7 de dezembro de 2014

Sobre esperança em meio a tempos difíceis

Neste sábado aprendi várias coisas interessantes que quero compartilhar aqui. 
O dia tão esperado da campanha dos estudantes da Federal e da USP que participam do Natal Solidário chegou. Eu esperava coisas completamente diferentes do que aconteceram. O sol não deu trégua o dia todo e, durante toda a tarde, mais ou menos 150 verdinhos estavam espalhados por São Carlos arrecadando doações para ajudar instituições da cidade. Quantos são daqui? Eu não faço ideia, chuto menos de 1%...
A arrecadação começou. Segui com dois amigos cobrindo uma área de tamanho razoável onde já tínhamos panfletado avisando sobre a arrecadação. No começo, cada casa era uma expectativa, cada pacote de macarrão uma vitória. É engraçado como é possível se envolver tanto com alguma causa a ponto de ficar feliz por cada pequena conquista. Deve ser como quando os pais assistem aos filhos durante a vida. Cada pequeno passo é uma alegria.
Percebi que sempre as casas mais humildes eram as que nos davam sacolas cheias. Das mansões e casarões em que batemos recebemos um "ainda não fiz a despesa do mês" ou um pacote de achocolatado aberto. Contrastando com isso, uma senhora me entregou um pacote de fraldas dizendo que não tinha feito a despesa por que estava com o braço quebrado fazia um tempo. Ela morava nos fundos de uma casa. Outra senhora, em uma casa de tamanho razoável, negou a doação por que estava almoçando e a comida iria esfriar. Muitas outras, de residências humildes, me entregaram litros de óleo, pacotes de macarrão e um Deus abençoe no final. Um senhor fez uma brincadeira com minha amiga e começou a conversar com a gente, perguntando de onde éramos. Disse que trabalhou na região de Americana e conhecia bem as tecelagens. Por fim, desejou boa estadia para nós em São Carlos e nos despedimos dele com a doçura de um pacote de açúcar que nem se comparava à doçura daquele senhor para com a gente. Em uma casa cheia de enfeites de Natal, uma mulher respondeu prontamente e logo me trouxe uma sacola cheia de coisas, me dizendo que havia uma bolacha pra gente no pacote. Eu agradeci e falei que tínhamos bolachas e certamente aquela iria para a pilha de doações.
Chegando ao final do nosso trajeto eu estava extremamente cansada. Quando nossa água acabou, paramos em frente a uma loja de móveis e pedimos água. A moça nos atendeu prontamente, nos deixou entrar até nos fundos da loja e disse para bebermos o quanto fosse necessário. Aquela atitude, por mais simples que fosse, significou muito pra nós. Ser bem recebido em qualquer lugar é sempre algo que acalenta a alma, ainda que seja só pra tomar um copo de água.
No final da tarde existiam muitas considerações em minha cabeça, como sempre. Como é fácil para as pessoas mais humildes doarem, como é difícil para quem tem muito desfazer-se de pouco, como é recompensador fazer algo para ajudar as pessoas que precisam... e é bom rir de si mesmo quando você se encontra perdida em um quarteirão! Os amigos também fizeram o meu dia feliz!
Com tudo isso, recordei que, novamente: antes de qualquer coisa sou um ser humano. Não interessa quantas matérias eu bombei, quanto dinheiro tem na minha conta e muito menos onde eu moro: as lágrimas são sofridas pra todos, um sorriso acalenta qualquer coração e um pacote de feijão pode significar muito mais do que um quilo de alimento não perecível.
Não importa o quão sofrida esteja a vida, quantas dificuldades ainda estejam por vir, quantas derrotas aguardam o tempo passar... nada disso interessa quando você resolve doar um pouco do seu tempo para ajudar quem precisa.
Com o entardecer, o outro compromisso da noite se aproximava e o cansaço ficava mais evidente. A cabeça vermelha de sol, as pernas ardendo e o coração alegre. Foi com o coração alegre que fui adorar Aquele que colocou o amor no meu coração. Foi com o coração leve que pude perceber o que significa comunhão. É sempre no coração do Pai que nos encontramos, conhecendo outros que se encontram por lá, não interessando o lugar onde a reunião acontece. Ali, éramos todos filhos do mesmo Pai, embora as convenções sociais e a timidez me fizessem um pouco desconfortável.
Descobri nesse final de semana, incluindo a visita à creche na sexta que não descrevi aqui, que doar-se faz com que você se identifique primeiro. Traz de volta uma sensação de que você tem uma missão para cumprir. Traz de volta sua fé, tanto em um Pai sempre amoroso, quanto em pessoas que sabem demonstrar esse amor através de ações.
Em meio a tempos difíceis brotou uma esperança que jamais previ. Em meio a tempos tenebrosos, não apenas em relação à faculdade, mas em quase todas as áreas da minha vida; nasceu uma sensação de alívio. Aquela sensação que eu tinha do mundo quando minha idade era parecida com a daqueles pequenos de sexta feira. A sensação de que o mundo poderia ser mudado se existissem pessoas dispostas. A certeza de que essas pessoas existem me fez mais feliz. Papai Noel que me desculpe, mas ele continua sendo um personagem coadjuvante no meu Natal...

sábado, 22 de novembro de 2014

Sobre insignificância e responsabilidades

Aqui no meu cantinho, em um mundo imenso em quilometragem e minúsculo em suas conexões, continuo caminhando. Respirando sobre o planeta que chamaram de "Terra" um dia desses. Muitas coisas me intrigam, muitas não fazem sentido algum.
Hoje comecei a pensar em quanto as pessoas estão realmente envolvidas com seu próprio umbigo. Essa semana, enquanto eu panfletava na frente de um supermercado, não pude deixar de ouvir a conversa entre a amiga que estava junto comigo com um senhor que recebeu o panfleto. Ele dizia que era dever do governo sustentar as instituições para as quais estávamos ali arrecadando doações e que se continuássemos a fazer aquele trabalho as autoridades continuariam acomodadas e nada nunca mudaria. Apesar desse discurso, ele contribuiu.
Penso no que poderia fazer no lugar onde me encontro... Estudante, pagando aluguel e passagens, sem tempo para fazer muitas coisas, sem um transporte eficiente. O que eu poderia fazer? Em minha enorme insignificância decidi tentar ajudar o próximo, ainda que de maneira extremamente precária, com algumas horas da minha semana corrida. Em minha enorme pequenez decidi que eu não ficaria sentada esperando alguém fazer a obrigação que lhe é devida. 
O mundo continua girando enquanto negligenciamos nossas obrigações. O mundo gira enquanto muito dinheiro é lavado, muitas crianças morrem de fome e muito dinheiro é gasto em inutilidades. Não importam quantas coisas que consideramos injustiças aconteçam: o mundo continuará a girar apesar de todas elas. Mas quem não pode parar sou eu!
Enquanto muitos tendem a cruzar os braços e aproveitar o balanço, me recuso a depender de negligência. Tudo começa com coisas pequenas. Se eu ficar parada, quem é que faz a minha parte? Sei que não posso fazer muito, sei que não tenho tanta influência. Sei também que se todos fizessem muito pouco, muito seria feito. Julguem os negligentes, mas eles não fazem diferença pra mim. Não me interessam os que não fazem o que lhes é delegado: é certo que eles terão sua recompensa, de um jeito ou de outro.
Tenho uma irritação extrema com quem assume responsabilidades sabendo que não será capaz de cumpri-las e o pior: nunca pede socorro. Sei que não sou perfeita: quando algo excede minha capacidade saio feito louca gritando por ajuda. Desde pequenas coisas como um trabalho em grupo da faculdade até o plano de governo do país essa lógica pode ser aplicada. 
Em minha enorme insignificância ficava extremamente feliz por cada pacote de macarrão depositado naquela caixa. Por cada sabonete. Por cada pessoa que respondia meu "boa tarde, você já conhece o Natal Solidário?" com um sorriso. Pelas doações das pessoas mais simples. Pelas doações das senhorinhas simpáticas. Todos estávamos fazendo algo pra ajudar o próximo, ainda que fosse muito pouco, e o Universo estava vendo aquilo. E eu já recebi minha recompensa, mesmo não merecendo absolutamente nada, por que estava ali fazendo minha obrigação. Independentemente de qualquer circunstância não dá pra ficar de braços cruzados.
Acho que é por esse motivo que escrevo. Por acreditar que, de alguma forma, posso influenciar outras pessoas a não continuarem patinando em seus erros. Por acreditar que as pessoas possam aprender com os meus erros e, dessa forma, poderei poupá-las de algum sofrimento desnecessário. Por acreditar que de alguma forma posso tocar corações. Por ter recebido a capacidade de me expressar em palavras, mesmo que de forma meio torta na maioria das vezes. Por lembrar da história do passarinho que carregava água para apagar o incêndio na floresta: ele não negou sua responsabilidade ainda que ela fizesse pouca diferença em um mundo grande em extensão, mas pequeno em solidariedade.

domingo, 2 de novembro de 2014

Sobre miséria, pequenas alegrias e histórias de humanidade

Tempos difíceis trazem horas intermináveis e pesos insuportáveis. Felizmente nada dura pra sempre e, roubando uma frase perdida da internet, acho que a vida não é sobre esperar tempestades passarem, mas sobre aprender a dançar na chuva. Sempre que os raios cortam meu coração em milhões de pedaços, as pequenas coisas me fazem dançar enquanto estou no olho do furacão.  Aquela risada frouxa do seu amigo meio trouxa, aquele picolé numa tarde quente, aquela criança correndo livre na praça. Uma conversa agradável antes de dormir, um almoço com gente amada, uma piadinha no meio da aula chata, um "boa viagem" do motorista do ônibus, um "bom dia" do vizinho ou do professor. Pequenas coisas que trazem alegria. Pequenas coisas que me fazem ainda acreditar que existe bondade no coração das pessoas. Tem gente que não tem mais sensibilidade pra perceber, que não treinou os olhos pra procurar onde está Deus no meio da tempestade, que esqueceu como ser grato.

Uma das coisas que mais me chateou durante essa semana não está relacionada as minhas provas, nem a minha falta de tempo e de sono. Foi a frase de um morador de rua na rodoviária. Enquanto ele me pedia dinheiro para comprar comida, me contava que os funcionários do restaurante próximo preferiam jogar a comida no lixo a fazerem uma marmita para ele e para a mulher. A verdade? É lógico que eu não sei, não o conheço e não sei se o pouco dinheiro que lhe dei foi realmente para que comprasse algo para comer. Mas eu nunca passei fome. Nunca dormi na rua. Nunca me senti invisível da maneira como aquele homem é capaz de se sentir aos olhos de uma sociedade insensível. Quando estava indo embora do guichê com minhas passagens ele me agradeceu de novo e desejou boa viagem. Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça depois de um dia extremamente tumultuado. Quantas pessoas como aquele homem eu já ignorei em minha vida? Quantas pessoas como ele morrem todos os dias sem que ninguém chore por eles, sem que ninguém sinta saudades? Como é possível que alguém com uma história provavelmente muito difícil, cheia de sofrimento ainda é capaz de ser gentil? Se você não enxerga um ser humano ali, sentado na calçada precisando de ajuda, sua humanidade já foi perdida há muito tempo. Se você acha que ele pode sair dali por conta própria é por que nunca presenciou alguém que se encontrava em desespero, no mais fundo dos abismos cujo maior desejo era encontrar uma mão para poder se apoiar na subida de volta à superfície. Não me refiro apenas a aquele homem; ele é apenas mais um de tantos outros que não tiveram a mesma sorte que você. Ainda que você precise lutar para conseguir conquistar seus sonhos, há comida em sua barriga, um chuveiro limpinho e uma cama confortável em sua casa.

A maior miséria que pode atingir um ser humano é a ausência de gratidão. Quem não consegue ser grato pelas coisas que acontecem, sejam elas boas ou ruins, não consegue ser feliz e faz com que todos ao seu redor se tornem miseráveis. Quem não sabe ser grato vive mendigando atenção, vive sob a falta constante de amor ao próximo, vive de mesquinhez. Tem uma venda nos olhos que o impede de enxergar as pequenas coisas que trazem alegria.

Outra situação que passei e mas me trouxe imensa alegria, quase como quando eu mesma passei no vestibular, foi a história de um rapaz que passou pelas salas da Federal alguns dias atrás. Ele era de Pernambuco e tinha vindo com a mãe e o padrasto para São Paulo, estudado por supletivo e conseguido bolsa de estudos para cursar biologia em uma universidade particular de São Carlos. Confessou que antes de entrar na faculdade jogava GTA o dia todo e que sofreu, como todos nós que estávamos ali o ouvindo, para passar em todas as matérias e só conseguiu com muito café e muito esforço. Mas aquele não era seu sonho, embora estivesse fazendo o melhor que podia. Seu sonho era cursar Medicina Veterinária e ele conseguiu: passou na Federal de Pernambuco e estava ali por que precisava de dinheiro para comprar a passagem para fazer a matrícula e voltar para ficar com o resto de sua família enquanto cursava Veterinária. Aquele menino com certeza passou por muito mais coisas que eu para conseguir o que queria. Ele aprendeu a dançar enquanto estava chovendo. Sei exatamente como ele se sentiu quando viu seu nome na lista. Sei exatamente como é a sensação de estar prestes a realizar um sonho. Aquela conquista parecia muito com a minha e aquele discurso trouxe um pouco mais de esperança ao meu coração. Ainda existe quem lute pelos sonhos. Ainda existem pessoas boas nesse mundo e eu tenho certeza de que conheci melhor várias delas esse ano...

Se a sua rabugisse não permite que essas histórias toquem alguma parte humana que ainda te reste, eu apenas lamento. "Quero trazer à memória o que me dá esperança", e aquilo que não traz, quero poder ter a força para mudar.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Brasil que ninguém estava esperando

Confesso que  nunca em minha vida imaginaria que veria tamanha movimentação no país em que nasci. Estava certa de que a situação na qual o Brasil se encontrava (e se encontra) jamais iria mudar por possuirmos um povo acomodado, sendo eu parte desse povo. Não imaginava que várias cidades do país se levantariam pra gritar sua dor, pra expor suas injustiças e cutucar as feridas de um Brasil deficiente.

Devido à rotina de correrias só pude me atualizar das notícias sábado passado e vi que a coisa estava séria mesmo. À princípio achei que tudo se resumiria a São Paulo e aos famigerados R$0,20. Mas não. O povo estava cansado de engolir a seco, cansado de esconder suas dores, insatisfeito com toda a roubalheira que perpassa o governo desse país. E aí, cito a música: "disseste que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a tua casa mas a vizinhança inteira. E há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade, e há tempos são os jovens que adoecem, e há tempos há ferrugem nos sorrisos".

Pois é. O grito acordou a vizinhança inteira, não sabemos realmente a medida da maldade e os jovens estão doentes, carecem de motivos pra sorrir de verdade. Não temos transporte adequado, educação adequada, tratamentos de saúde adequados. O cúmulo do descaso se deu aqui mesmo, em São Carlos, onde existe a possibilidade de fechamento do curso de medicina por falta de estrutura. Como ficam todos esses anos de dedicação desses jovens ao estudo? Onde enterrarão o sonho de cuidar da humanidade?

O povo está em seu direito de manifestar-se e é aí que entra minha indignação em relação à passada quinta feira. A história toda vocês já conhecem: polícia impaciente machucando gente inocente e tudo mais. Indignação define o que eu senti naquele momento. Mas já se passou uma semana...

Meus olhos presenciaram nas telas cenas que jamais imaginei. Rio de Janeiro e São Paulo com suas avenidas lotadas de manifestantes. Pessoas com cartazes enfáticos. Crianças, idosos. O Congresso tomado por manifestantes, que em sua grande maioria eram pacíficos, mas estavam ali pra mostrar ao mundo sua insatisfação, revelando o lugar onde ocorre todo o tipo de porquice dos governantes. Utilizando dinheiro público, é claro. De repente, o Brasil inteiro estava se mexendo, as pessoas estavam saindo do conforto de suas casas para expressar sua enorme insatisfação. E eu achava que tudo isso não ia passar de uma manifestação contra o aumento dos R$0,20...

Claro que achei tudo muito lindo (excluindo as atitudes de uma minoria que quis destruir ao invés de manifestar-se), mas agora que a primeira agitação passou e foi conseguida a revogação do preço das passagens (ainda que de forma errada, pois ela não levará ao investimento das empresas no transporte público, uma vez que se deu pela redução dos impostos e não dos lucros), paro pra pensar qual é o próximo passo.

É bem claro que, fora a questão do caótico transporte público, os manifestantes tem objetivos diversos. Corrupção (que é um termo muito geral), saúde, educação, gastos excessivos com a Copa do Mundo, PEC-37... Aí eu lhes pergunto: onde essas manifestações irão nos levar? Todos os que foram pra rua demonstraram sua tremenda insatisfação e não estão nada mais do que certos por isso. Estão em seu direito. Mas e agora? O que é que muda? A alegria do brasileiro vai ser estampada em infinitas passeatas de muitos dias pra mudarmos todos os problemas do país?

Infelizmente, o povo que necessita do transporte, saúde e educação pública não comparece a essas manifestações. Ou está em minoria representado ali. A camada social menos privilegiada não está nas ruas. Estão nas ruas a  "elite cultural" do país, que se viu no direito de gritar pelas injustiças do país como um todo, que os atingem e que atingem os menos afortunados. Até onde isso é bom, até onde é ruim, eu não sei. Não faço ideia. Não me pergunte.

Na minha humilde e leiguíssima opinião (não entendo bulhufas de política), ainda falta foco nessa "revolução dos vinte centavos". Conseguiram o principal. Ainda há muito a ser feito. Nem o fim de partidos, nem o impeachment da Dilma, nem vandalismos resolverão o problema. Se os governantes não mudarem de atitude e VOCÊ, meu caro coleguinha virtual que me lê, não aprender a votar corretamente nada vai mudar.

Continue colocando pessoas corruptas para te representar e vá pra rua erguer a bandeira do país, vai adiantar ó: um monte.

E outra coisa muito importante: exigimos transparência e honestidade dos governantes, mas será que somos transparentes e honestos? JOVENS, vocês não contam mentirinhas? Não gastam dinheiro dos pais sem contar realmente pra onde foi esse dinheiro? Não colam nas provas? Pois é. Hipócritas! Pegam cartazes, pintam as caras mas não mudam pra ser parte da mudança. Não exija dos outros o que você próprio não faz.

Sim, o gigante acordou. O povo brasileiro não foge à luta. Essa guerra é nossa, até que os protestos se tornem apenas eventos sociais. Até que os protestos não possuam foco. Até que cheguem as eleições e sejam eleitos corruptos.

Não tenho o direito de criticar ninguém, critiquei a mim mesma com tudo isso, por que sou uma cidadã que pouco se interessa pelos seus direitos ou pela política de seu país, mas, como sempre digo aqui, possuo o desejo para mudar. A mudança começa de dentro e exige organização. Que tudo isso não seja em vão, que seja apenas o começo de uma era na qual a Senzala se liberte das rédeas da Casa Grande e comece a influenciar nas decisões do país, afinal, a exploração acabou há muito tempo. Teoricamente.

sábado, 15 de junho de 2013

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo...
Daquele amor desesperado
Daquele palpite intrometido
Da insensatez de adolescente

Foram-se os tempos de infância
nos quais podia ser quem eu queria ser,
escrever como queria escrever
brincar sem ter preocupações futuras.
Tempos que eram tão simples,
tão mais humildes,
tão menos influenciáveis pelas opiniões alheias,
sem tanta tecnologia,
apenas os corações eram conectados.

Foram-se os tempos de adolescente,
a hipérbole eterna,
as paixões desesperadas,
as amizades eternas de dois meses,
as melhores risadas,
os melhores anos...
Foram-se os complexos de feiura,
as choradeiras irremediáveis,
as reclamações sem motivo.
Foi-se o tempo de todo o exagero característico.

Foi-se o tempo em que uma grande sensatez tomou conta de mim,
o tempo em que achava que estava no controle,
no qual achei que fosse dona de mim.
É preciso aceitar que acabou o tempo da nostalgia.
Acabou o tempo em que acreditava cegamente.
O tempo do questionamento,
do lamento,
da reivindicação chegou!

Soltem as granadas,
liberem os pensamentos,
chamem um psiquiatra:
nasce mais um adulto em uma sociedade doente!

sábado, 20 de abril de 2013

Quantas lágrimas ainda cabem nos seus olhos?

Chorei.
Não sei quantas lágrimas ainda cabem nos meus olhos.

Chorei pelo plano frustrado, pelo tempo perdido e pela falta de planejamento. Chorei pela atitude desesperada de gente que não sabia mais lidar com tamanho peso nos ombros. Desabei tudo o que me pesava sobre outras pessoas que já tinham fardos suficientes.

Chorei pela morte, pelo que tirou de mim e pela paz que deixou, pela sua sedução constante nessa minha personalidade melancólica e solitária. Não quero ir ao seu encontro, mas às vezes ela me chama pra dançar nos contos do Poe, nas músicas nostálgicas de antigamente e no próprio lamento que provoca.

Chorei pela falta de conduta, por causa de atitudes de gente mesquinha, que não tinha nada se não a arrogância. Pelos que perdem a cabeça quando ganham poder, pelos que estão cegos buscando acima de tudo ajuntar pedaços de papel em contas bancárias que serão insignificantes daqui a 100 anos.

Chorei pela falta de auto estima, mas isso foi há tempos, ainda era uma menina... hoje as lágrimas não merecem mais esse motivo. Cresci e chorei pela falta de beleza na alma de quem me cercava.

Chorei pela minha ausência que você não sentiu e, se sentiu, fez questão de disfarçar. Chorei pelo cansaço de correr atrás de tudo e de todos, por começar conversas desanimadas com gente que não estava disposta a receber meu amor.

Chorei pela sua ausência no meu dia, por não ser surpreendida. Chorei por que as coisas me pareciam tão difíceis, tão impossíveis a cada dia que eu tinha medo de desabar.

Chorei pela criança que passou do meu lado sem esperança e mais lágrimas vieram por que nada fiz. Chorei pelo homem que viveu seu dia sem pensar no que está fazendo e pela moça que passou pelas ruas se esquivando, evitando ser vista. Chorei por que milhares, milhões sofrem muito mais do que imagino e continuo aqui, sem fazer absolutamente nada a respeito. Por que corações como o meu batem sem nenhuma razão especial, por que olhos como os meus não enxergam um futuro promissor e a falta de oportunidades está em todos os lugares. Chorei por esse mundo que deveria ser desfeito, queimado, destruído e esquecido por que já foi absolutamente contaminado pela ganância do homem.

Chorei pela criança que perdeu a infância trabalhando, sem nenhuma brincadeira, nenhum lar. Chorei pelos adolescentes sem personalidade, levados pelos ventos de modismos sem se preocupar com as consequências do que fazem. Chorei pelo jovem que nada espera do futuro. Chorei ainda pelo adulto que trabalha exaustivamente durante a semana sem se lembrar de sua família, de seus ideais e de sua alma. Chorei pelo idoso que não teve amparo, que foi abandonado como se a sua sabedoria de vida não lhe valesse nada e como se as coisas que viveu não tivessem construído história.

Através do encontro de novas forças ainda existe sensibilidade em mim. Não sei quantas lágrimas ainda cabem nos meus olhos, mas as chorarei.Todos os dias e noites, até se esgotarem no lugar onde elas simplesmente não existirão.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Histórias pra contar

Eu não sou boa em contar histórias. Talvez eu jamais seja boa nisso. No entanto, hoje eu sei, no fundo da minha alma, que eu preciso contar a vocês as histórias de dois homens. Serão reais, serão criados? Será que algum deles me lê? Cabe a vocês imaginar.

A história do primeiro é um resumo de sua personalidade, a história do segundo, o resumo de uma noite.

O primeiro homem era casado e pai, bem sucedido. Tinha sua casa, sua família, sua vida estabelecida. Frequentava a igreja regularmente, possuía responsabilidades dentro dela, era exemplo ali, principalmente para os jovens. Falava com propriedade sobre as coisas de Deus, despertava sentimentos de ação no coração dos jovens que o ouviam. Queria ver e fazer as coisas acontecerem. Isso é um perigo quando a satisfação do ego é mais importante do que a ação. E esse homem desconhecia a base de tudo sobre o que falava: o amor. Achava que o amor era uma simplesmente entregar algum dinheiro para realizar as coisas, achava que sua imagem de doador financeiro era o que inspirava amor e que o prestígio que possuía ali estava muito bem, obrigado. Esse homem não sabia que, para suas palavras fizessem sentido, precisava amar as pessoas fora do ambiente congregacional. Não sabia respeitar seus empregados. Quem estava abaixo era destinado a ser pisado. Será? Era desonesto em seus negócios. Ele achava que se falasse sobre as coisas do céu seria absolvido do inferno. Achava que o amor sobre o qual falava era uma coisa seletiva, em que amaria apenas pessoas que o amassem e pessoas que poderiam servir no futuro. Pessoas que o ajudariam a manter a sua imagem. Ele não era o primeiro e infelizmente não seria o último a pensar assim.

O segundo homem não possuía nada, vivia pelas ruas, não sabia o que era ter um teto assegurado sobre sua cabeça. Bebia constantemente e não conseguia ver muito sentido nas coisas desta vida. Em uma noite, meio fora de sua consciência ainda, entrou em uma igreja. Ele não estava limpo, nem se apresentava como se tivesse um milhão de dólares, mas os homens que estavam ali o receberam, o acomodaram. Ele foi recebido dignamente, como qualquer um dos outros que estavam ali. Quando as pessoas começaram a sair, ele esperou. Não por que ainda estivesse bêbado, mas por que precisava falar com quem estava dirigindo o culto. Disse-lhe obrigado, pois não costumavam tratá-lo daquele jeito nos lugares onde entrava. Estava habituado a ser tratado de qualquer jeito e a ser impedido de entrar em templos por causa de sua aparência.

Esses dois homens não teriam nada em comum, exceto a presença em um mesmo lugar, na mesma noite, talvez. Um deles sabia teoricamente sobre o amor, o outro experimentou brevemente o amor.

É improvável que quaisquer destes homens leiam esta postagem, mas quero deixar um recado ao primeiro homem. Se você fala com tanta propriedade sobre Deus, sabe quão incalculável é o seu amor. Você deve ter experimentado uma fração desse amor. Ame as pessoas que fazem parte dos seus dias, não apenas aos frequentadores do templo. Não se comporte como um publicano. Pare de depositar seu amor no dinheiro, conta bancária não compra lugar no céu nem te faz mais santo. Resumidamente, tenha um pouco de dignidade naquilo que diz. Não estou te mandando ao tribunal, nem declarando meu ódio a você, mas há um Deus acima desse mundo, e Ele é justo. Você mesmo disse, lembra? Nunca fiz questão de parecer perfeita, Deus sabe disso. Eu erro. Demais. Não consigo amar as pessoas completamente, não consigo sair da minha bendita área de conforto, não busco a Deus como eu queria. Ele sabe que eu não sou hipócrita. Eu tenho a tendência ao exagero, mas acredito que você existe. Se você estivesse na porta da igreja e ninguém estivesse vendo, você receberia o segundo homem?

Deus sabe como eu me irrito com hipocrisia. Todos temos vários lados de uma personalidade, mas possuir duas é completamente diferente. Não entendo o porquê de querer parecer santo aos olhos da sociedade. O prestígio dos homens não interessa. Os aplausos são passageiros. Dinheiro não compra consciência tranquila, apesar do que a sociedade tenta nos ensinar. Infinitamente melhor é quem admite que erra e se arrepende do que quem diz nunca errar.

Esqueci de ligar meu filtro de eufemismo hoje novamente. Acho que estou ganhando a batalha da sinceridade, e posso me sentir muito melhor. E se eu incomodei você que me lê, estou feliz. Significa que estou saindo da zona de conforto. Que não escrevo para massagear egos feridos. Agora escrevo para deixar inquietude. Bagunça que só você pode arrumar.