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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Agora eu vejo!

Hoje o texto atrasado está aqui pra fechar bem esse mês interminável (mas cheio de coisas legais) chamado agosto. O mês que sempre começa com o esquecimento de um rosto piadinha interna minha e de quem conhece a música primeiro de agosto e termina com uma canseira danada... Mas esse texto não é de minha autoria! 
Olha que privilégio o meu, poder colocar um pedacinho de alguém nesse cantinho específico da web! A pessoa quis que eu a postasse como anônima, mas de bom grado lhe colocaria o nome aqui... Fiquei muito feliz com o que ela escreveu por ser uma ideia que também compartilho. Não se oculte ao seu presente. Nunca deixe de ser agradecido. Se ajeita aí e lê, vai te fazer um bem danado. 

Se eu sou feliz?
Sim, muito!
Como eu cheguei a essa conclusão é a história que temos para hoje.

Após assistir uma palestra, decidi refletir sobre quais são meus valores e a minha missão de vida. Estava escrevendo a minha visão quando percebi que ela não combinava com a missão. Minha missão era: “Acrescentar felicidade na vida dos outros”, enquanto que a visão era: “Formar uma família UNIDA”.

Mas, e aí? Como ter uma família unida me faria levar alegria aos outros? Foi então que pensei que para espalhar algo no mundo, você precisa primeiro conhecer/entender bem esse “algo”. Veja só, se desejo espalhar conhecimento sobre a fauna e a flora do Havaí, primeiramente EU preciso ter esse conhecimento. Se desejo levar comida para acabar com a fome no mundo, eu tenho que saber como comer e entender como os outros comem. Assim, logicamente percebi que se quero espalhar felicidade, eu tenho que ser feliz!

Nesse instante me fiz a primeira pergunta aqui mostrada e rapidamente veio a resposta. Sou grata por absolutamente tudo que tenho, física e emocionalmente. Ok. Se sou feliz por que achava que não era?

Simples. Eu não via a felicidade porque simplesmente MORRO DE MEDO que ela acabe de uma hora para a outra! Esse medo do futuro, do incerto está atrapalhando o presente. Pude notar que o medo de como será o amanhã, do desconhecido, o medo de que algo venha e acabe com a minha felicidade me impedia de ter a CONSCIÊNCIA do quão incrível minha vida é!

Agora, somente agora, posso voltar ao passo inicial e apesar de ainda não saber qual minha missão e visão, sei que vivi e vivo feliz! Por mais incrível que pareça isso aumentou ainda mais minha felicidade porque EU SEI que muitas outras pessoas não podem dizer o mesmo. E não pela sua atual condição, por enfrentar alguma dificuldade, mas sim porque elas, assim como eu, estavam cegas com relação ao seu maravilhoso presente.

domingo, 3 de abril de 2016

Sobre surpreender-se

Quando me diziam pra não criar expectativas e me deixar surpreender, eu realmente não acreditava que o sentimento seria tão bom. Quando me diziam que eu deveria me permitir ser mais feliz, eu não acreditava que poderia ser pra mim. Parecia egoísta da minha parte ser feliz em meio a tanto sofrimento, mas era aquilo que eu tinha pedido a Deus durante longos anos e esquecido jogado num canto do meu arquivo pessoal. Era exatamente tudo aquilo que eu tinha pedido em meio a muitas rebeldias de adolescente e calmarias de pré adulta.

Nunca tive bons olhos sobre histórias de príncipes, romances exagerados, declarações espalhafatosas e coisas do tipo. Fui me tornando muito cética em relação ao amor romântico desde que me contaram a história de Senhora, do José de Alencar (chata pra caraca com aquele exagero romântico característico do Zé).

Eu não estava em condições de me opor a uma mudança na minha vida: eu apenas aceitava cada uma delas de braços abertos.Veio a mudança mais inesperada dos meus dias desde a famosa engenharia. E veio com um sorriso nos lábios e flores nas mãos. Veio de mansinho, veio no tempo certo, veio pra aumentar o que já era grande. Não se enganem: essa mudança não veio de repente. Começou numa pesquisa rápida, numa piscadinha, num elogio na verdade dois! e em um radar atento que eu tenho para o que é raro. Continuou nos malabares, na fantasia, na brincadeira e no troféu de 1ST. Essa mudança teve concretização numa carona frustrada mal planejada COF COF e na desculpa mais esfarrapada da face da Terra pra começar um assunto. Então eu estava ali encarando tudo como quem realmente não acreditava que a mudança se encaixaria em minha tão conhecida realidade. Surreal!

Tudo aquilo que eu achava exagero encontrou um ponto certo, o doce não desandou. Acho que, no fim das contas, faz parte do amor a coisa toda dos grandes gestos, das palavras adocicadas e dos carinhos incontáveis que fazem quem anda desacreditado torcer o nariz para casais apaixonados. No fim das contas, são as mãos dadas que trazem suporte pro crescimento do sentimento. No fim das contas, a distância não importa muito mesmo... Quem diria?

Quando a semana acaba, encerro mais uma presunção em mim. Mais um julgamento cético cai por terra. Cada pessoa é um universo, cada amor é uma história. Conturbada, simples, leve, exagerada. Cada amor é um resgate. De dignidade, de esperança, de suavidade, de carinho. Cada amor é uma mudança. De rumo, de percepção, de atitude e de pensamento. Cada dia que passa faz o inacreditável parecer possível e aquele sonho arquivado parecer cada vez mais perto da realidade. E eu continuo aqui, em minha rebeldia de adolescente, declarando a plenos pulmões: por que não?!

domingo, 6 de dezembro de 2015

Sobre gentileza e a magia do Natal

Hoje quero lembrar da menina de cabelo ruivo e cachinhos que cedeu lugar a um senhor no ônibus algumas semanas atrás e ainda bateu um papo com ele naquela manhã, quero lembrar dos muitos sorrisos de bom dia, das muitas mensagens de boa noite, dos abraços acolhedores, dos beijos inesperados, dos guarda-chuvas compartilhados, das gentilezas nossas de cada dia.

Neste domingo quero lembrar de cada um que salvou minha pele nesse semestre me ajudando em um trabalho ou outro, de cada um que riu dos absurdos de alguns professores, de cada carona pra faculdade e de cada risada escandalosa... Eu quero lembrar das músicas de Natal, de cada pessoa que largou tudo na vida pra trabalhar em prol do próximo, quero lembrar de todas as cartas, cartões postais e dedicatórias que já recebi na vida. Também quero lembrar do seu Joaquim, tão feliz e disposto mesmo na velhice e também da dona Sebastiana, que me desejou tão carinhosamente as bençãos de Deus... Tenho meus momentos de nostalgia, meus objetos nostálgicos, mas hoje eu quero mesmo é lembrar de cada gentileza, de cada pedaço de amor espalhado na minha memória.

Quero relembrar todo o trabalho que uma Operação Natal proporcionou. Desde o início eu já conhecia cada etapa e todos os anos a disposição aumenta! Cada um que esteve presente nessa Operação gigantesca (pelo menos aos meus pequeninos olhos) fez mover um encantamento sem precedentes em cada sorriso de criança ou de um idoso que recebeu presentes adiantados do "Papai Noel". É certo que não acredito mais nele, mas o importante é que agora posso ser Papai Noel de alguém. Percebo que tenho muito mais do que preciso, sou imensamente abençoada e é sim MEU o dever de compartilhar essas bençãos com quem precisa!

Ontem foi um dos dias memoráveis dessa minha singela existência. Estava desesperada por ser líder de um dos bairros, teria de deixar tudo organizado para a arrecadação de alimentos, produtos de higiene e limpeza para várias instituições de São Carlos. Que responsabilidade! Desconfio que para meu bairro vieram as melhores pessoas, porque todos foram impecáveis, maravilhosos e eu fico emocionada só de lembrar da dedicação de cada um pra fazer nossa tarde ser tão especial.  Foi uma jornada cansativa, com chuva e com muita risada e descontração, com correria, alegria e uma disposição sem precedentes! Aos voluntários que participaram ontem somente, fica o convite para o ano que vem participarem desde o começo.

No fim das contas, estava ansiosa em casa esperando o resultado da arrecadação, afinal serei engenheira e o que me importavam eram os números... Incrivelmente, aquelas 200 (ou mais) pessoas arrecadaram 5,4 TONELADAS de doações! Meu coração se encheu de alegria por cada um que se dispôs a entregar seu dia (em um final de semestre tumultuado) para ajudar o próximo e por cada um que deu um pedacinho de sua dispensa de casa para doar.

Ao senhor dono do açougue ao lado de casa que doou papel higiênico por não ter outra coisa, às senhorinhas simpáticas que me entregaram a sacolinha que já estava separada, à mãe que entregou a doação para o filho me entregar ensinando a criança a ser solidária, a cada um que me retribuiu um sorriso e às senhoras que me disseram para eu continuar ajudando mesmo depois de formada, desejando um Natal abençoado para mim e minha família; a todos esses e muitos outros que fizeram parte dessa história o meu sincero obrigada por trazerem à minha memória o que me dá esperança. Por me fazerem acreditar na bondade, por deixarem lembranças marcantes em meu coração. E ao moço que tocava piano lindamente e me disse simplesmente "NÃO", eu apenas desejo que esse encantamento chegue a você através de sua música, que me emocionou, mesmo sendo tocada sem emoção alguma. Que a magia do Natal e a gentileza nossa de cada dia possam transformar seu coração.

É impressionante o que um trabalho de formiguinha consegue fazer. É impressionante onde a gentileza e a disposição podem nos levar. O meu presente de Natal eu já ganhei por que meu Natal já começou... e o seu?!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sobre resiliência, felicidade e entrega

Eu sei que todo mundo já está cansado de ler do que venho aprendendo, sofrendo e agradecendo sobre as aventuras de ser uma jovem que mora fora de casa, estuda engenharia civil e tenta seguir a cada dia os princípios da vida cristã. Mas tenho sentido a necessidade de compartilhar a respeito disso. As poesias meio tortas que surgem de vez em quando são exceções. Então senta aí, ajeita os óculos e vem comigo!

Resiliência, por definição, é a capacidade de suportar o sofrimento, resistir às dificuldades ou às pressões impostas sem entrar em surto psicológico. Sim, surto psicológico. Essa característica também está ligada à vontade de vencer quando há um contexto de tensão. 

Resiliência, pra mim, é exercício diário. Só quem convive comigo bem de perto tem uma certa noção da quantidade de coisas acontecendo, da quantidade de pressões sobre os meus ombros e da correria em minha vida. A verdade é que nos últimos anos tenho aprendido, em um grande curso intensivo, a ser resiliente. Desde a fase em que começaram a surgir responsabilidades sobre o rumo da vida dificuldades surgiram. Durante o período do vestibular era uma experiência estranha e eu não sabia lidar direito com esse sofrimento. Quando mudei de cidade e comecei a faculdade estava extremamente perdida e foi sim um período terrível pra mim. Eu não encontrava tempo pra parar. Eu sabia exatamente o que estava errado mas não conseguia me corrigir. Se você for curioso o suficiente, dá uma lida nos posts de 2013. Era tudo um misto de momentos de alegria intensa e de completo pânico!

Felizmente, como comentei com uma amiga essa semana, Deus estava no controle de tudo desde o começo. Embora eu duvidasse muito disso no começo dessa jornada, agora não consigo pensar o contrário nenhum segundo sequer. Ele me ensinou primeiro a aprender a sofrer, me deixou atravessar vales tenebrosos sob sua proteção e me mostrou que nada do que faz é em vão. Hoje eu sei que não passei onde queria, eu fui colocada onde deveria estar. Fiz as amizades com pessoas que Ele sabia que me ajudariam a atravessar cada fase tenebrosa e me auxiliar, me colocando de volta no rumo quando eu estava longe Dele. Assim que me dei conta dessas verdades, em meio ao sofrimento, me senti feliz. Como jamais estive em toda a minha vida. Então, pedia dia e noite que toda a ansiedade, o medo do futuro e a angústia fossem retirados do meu coração. Eu tinha um propósito maior, eu era amada, Ele queria me ver feliz.

Muitos me dizem que cristãos são pessoas que tem medo do inferno. Como podem dizer tal coisa quando um amor tão grande cheio de um cuidado preciosista (preciosista MESMO! mas isso é outra história...) e uma felicidade genuína invadem cada milímetro da existência de quem O sente? Ser cristão não é ter medo do inferno: é amar Aquele que pagou o preço pra que eu não fosse julgado e condenado. É experimentar esse amor diariamente, é entregar todas as minhas preocupações e desejos no altar Daquele que já me conhecia antes mesmo que eu fosse.

Não consigo entender resiliência sem colocar esse amor no contexto. Eu não consegui ser resiliente sem ele. É claro que às vezes dá vontade de chorar, se descabelar e se enfiar num buraco pra não sair nunca mais, afinal, Ele me fez exagerada e dramática. Mas a paz e a felicidade não estão em um Rivotril calma tá gente, eu não tomo/tomei Rivotril. Não, infelizmente plástico bolha não ajuda. A única maneira de encontrar a felicidade no sofrimento, ou seja, de ser resiliente, é entregando TUDO no altar Dele. Aprende um pouco com a minha experiência, não quero te ver sofrer. Tem um Amor maior que te chama e convida:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve."
Mateus 11:28-30

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre 2014: uma odisseia na montanha russa da vida

Tão certo como todo final de ano tem especial do Roberto Carlos, achei que entregar a mim mesma uma retrospectiva de cada ano é algo que deve ser feito na mesma frequência. E 2014 foi um ano surpreendente em tantos aspectos que eu não poderia deixar passar. O resumo do ano pode ser uma simples frase: a vida é uma caixinha de surpresas. Quer ler TUDO o que aprendi em 2014? Segue comigo, mas respira fundo por que a viagem é longa...

Primeiro quero dizer que 2014 foi repleto de altos e baixos, literalmente. Foi o ano de fotos inesquecíveis, recomeços memoráveis e nível de estresse nas alturas!

Em fevereiro me apaixonei de novo pela praia, pelo mar e tudo mais... tinha esquecido de como é gostoso andar com os pés na areia e sem tantas preocupações na cabeça. Toda vez que viajo pra qualquer lugar que seja tenho aprendido a admirar quão grande e magnífico é o Criador de todas as coisas. Como não se sentir extremamente pequeno e amado diante da imensidão de água salgada? Como não se sentir criança de novo voltando pra casa com o joelho ralado?

No acampamento de Carnaval tive algumas surpresas e quatro dias agradáveis pra ajudar a colocar a cabeça no lugar de novo. O acampamento desse ano provou que não interessa o lugar, mas quem está com você. Lembro-me de “Into the Wild”, quando descreve que “a felicidade só é real quando é compartilhada”. Não no Facebook, não no Instagram, mas na vida real. Com pessoas de verdade. Fui Branca de Neve por uma noite, dei muitas risadas, conheci gente nova e muito amada e mudei muitas perspectivas.

Receber meus bixos e bixetes foi algo memorável também. Lembro-me exatamente de como me sentia quando fora minha vez. Era o começo de um sonho que jamais imaginava o quão trabalhoso seria e eles estavam se sentindo da mesma maneira. Todos aqueles jovens entrando no louco mundo de uma Universidade Federal, muitos longe de casa e do conforto da comidinha da mamãe. Muitos cheios de medos e inseguranças, outros cheios de expectativas, mas todos de alguma forma se sentindo realizados por começar uma nova etapa. A alegria dos bixos não dura muito, é verdade. Mas é uma alegria sincera. Legítima. É doloroso vê-la se desfazer quando chegam as primeiras notas ruins e os primeiros professores que não merecem esse título...

Ainda sobre faculdade, descobri que algumas pessoas merecem uma segunda chance e outras não mereciam nem mesmo a primeira. Algumas poucas pessoas foram sempre muito solícitas em ajudar durante os períodos de desespero, entrega de trabalhos e provas. Outras pessoas foram carregadas nas costas durante os trabalhos em grupo. Mas não me cabe o apontar de dedos. Não é meu dever julgar se ocorreu alguma injustiça. Deus sabe de todas as coisas e Ele bem sabe como recompensar cada um segundo a Sua justiça. O que eu aprendi com isso? A nunca mais tentar trabalhar em equipe com algumas pessoas. Para os solícitos um beijo, um abraço e todas as melhores coisas desse mundo. Obrigada por aguentarem uma maluca surtada perguntando coisas sem parar pelo WhatsApp. Amanda, essa é principalmente pra você! Obrigada de novo, pessoa mais linda que qualquer top model!

Por falar em pessoas lindas (minha teoria sobre beleza segue logo após), conheci várias delas melhor em 2014. Gente que se desdobra pra fazer festa surpresa, que ama ajudar o próximo (alô Natais!), que me fazem acreditar que nesse mundo ainda existe gente de coração bom. Fiquei muito feliz por estreitar alguns laços de amizade que não existiam ano passado. Sempre gosto de conhecer pessoas novas e diferentes de mim ou ser surpreendida com pessoas extremamente parecidas comigo em algum aspecto inusitado.

Continuo vivendo sob minha teoria sobre a beleza. Ela consiste em acreditar que quanto mais você conhece uma pessoa, mais ela parece bonita (ou feia) na sua avaliação. Muitas das pessoas que conheci melhor esse ano estão parecendo mais bonitas pra mim agora. A beleza começa quando as palavras e ações falam mais alto que qualquer imperfeição da aparência. E como é gostoso encontrar esse tipo de beleza...

Novamente vem a lição sobre paciência, ensinada todos os dias, um pouco por vez. Primeiro com todos os problemas. Eles não foram fáceis nem simples. Ver quem você ama sofrendo é algo terrível e ninguém está preparado pra isso. Em 2014 a vida me mostrou que as coisas acontecem rapidamente. Vidas são geradas e destroçadas com a mesma velocidade e intensidade. Relacionamentos são construídos e destruídos ao mesmo tempo ao seu redor. O mundo gira muito rápido pra quem só observa e muito devagar pra todos os que esperam. Depois de todos os problemas, aprendi a ter paciência comigo. Nunca estarei satisfeita com o que sou e isso é bom. Preciso melhorar sempre, mas também é necessário que eu aceite minhas limitações e saiba conviver com cada uma delas.

Meu coraçãozinho continua livre por enquanto. No início do ano estava tentando me livrar, com minha maneira trouxa de agir, de um passado meio estranho e desengonçado que eu jurava que andaria com as próprias pernas. Logo depois disso, resolvi tentar ser sociável, amigável, adorável e todos os outros adjetivos terminados em L que você possa imaginar. Só fiz papel de trouxa uma vez mais. Desisti e estava crente de que morrer solteira era sim a opção mais viável pra mim, um serzinho estranho que habita esse mundo. Não é um destino tão cruel assim. Aprendi a me virar sozinha e estou me dando bem. No geral. Mas quem me conhece sabe que eu tenho facilidade em ceder. Quando o assunto envolve amigas casamenteiras então, cedo num instante. Preciso dizer que me surpreendi com todas as semelhanças, com tamanha doçura e leveza. Novamente, tentei fazer da paciência a estrela da história e continuo tentando. É inegável que muitos dos meus dias terríveis foram salvos por uma conversa agradável. Muitas risadas fora de contexto foram dadas. E uma coisinha quase esquecida pelo meu coração começou a brilhar de novo. Uma coisinha extremamente importante chamada esperança. Encontrei-me na situação de pagar a língua. Minha tia e sua bendita maldição do sotaque. Alô tia, a senhora tinha razão. E a pergunta que fica de toda essa história que conta tudo sem contar nada é: por que não?!

A melhor decisão tomada em 2014 foi, sem dúvida, dividir um apartamento em São Carlos. Eu achava que morar sozinha era a melhor opção, mas os meus últimos dias sozinha no apartamento mudaram essa teoria. Ter um lugar pra considerar seu fora de casa é simplesmente sensacional. Não faço ideia de onde foi parar a menina que voltou pra casa chorando depois da primeira semana de faculdade ano passado. Hoje ela vai ao banco, ao supermercado, à farmácia, à rodoviária e à faculdade reclamando sempre que pode, mas se sentindo o máximo por estar dando conta de tudo. A menina que antes carregava as malas cheias de roupa todo fim de semana encontrou uma companheira inseparável, amada e digna de apego cujo nome é Máquina de Lavar Roupas. É certo que gosto mais da minha Brastemp do que de muitas pessoas. Ela é muito mais confiável pra mim que algumas delas, mas a companhia das pessoas também é muito bem vinda. Nosso pequeno apê esteve cheio de pessoas várias vezes durante o ano e cheio de conversas sérias e engraçadas com a Carol. Teve Post It Poker (acho que devemos patentear isso), lasanha, balada de FT4, brigadeiro com velinha e parabéns no portão, inveja do chão com mais cabelo do que eu e bolo de cenoura com cobertura de brigadeiro com azeite. Vida de universitário não é nada fácil. Mas é uma delícia quando a gente tem um cantinho pra poder voltar depois de um dia cheio de sermão de professores sem noção.

Vamos falar das doenças? Olha, 2014 não foi nada fácil em termos de saúde. Passei tão mal durante minha viagem pra praia no começo do ano que achei que fosse morrer. Sério. De verdade. Já estava quase vendo a luz no fim do túnel, mas graças a Deus a enfermeira achou minha veia e eu voltei pra casa viva. Os enfermeiros se superaram esse ano em relação às minhas veias: foram bem sucedidos sempre. Acho que foi em janeiro que fui tirar sangue para os exames que a médica pediu e foram oito tubos. Sim, oito. No meio do ano achei que fosse morrer de tanto tossir, mas era só uma alergia muito chata. Foram dias... inusitados aqueles. Pra fechar com chave de ouro, peguei dengue. Sim. Dengue. Se você ainda não teve dengue nunca zombe de quem teve. Eu sempre achei que era algo tranquilo, tipo uma gripe, que você fica molenga e desanimado e com um pouco de suco de laranja e carinho tudo se resolve mas paguei minha língua, mais uma vez. Essa foi a segunda vez no ano na qual achei que iria morrer. É tão terrível que você não come, não levanta do lugar, não bebe água, não tem vontade de se mexer. Graças ao bom Deus minha miséria durou uns 10 dias, no máximo. Depois de 3 exames de sangue e 5 litros de Gatorade estou aqui, vivinha da Silva e mais saudável do que nunca. Depois da dengue só a TPM (sim, ela permanece, olha que linda! Cadê a placa de sarcasmo?) e as dores de cabeça constantes me perturbaram.

Os maus hábitos adquiridos em 2013 continuam de alguma forma. A alimentação não está legal, a correria continua acabando com meu estômago e minha mente. Estou bem certa que, se eu não aprender a controlar tudo isso, até o fim da graduação já terei adquirido gastrite ou algo pior. Continuo no sedentarismo. É muita coisa que eu não me orgulho. É muito defeito que ainda precisa ser corrigido...

Algumas coisas bobas e sinceras continuam a roubar meu coração e meu sorriso. Um arco íris na janela, um abraço, um sonho bom. Minha participação mais presente no Natal Solidário me fez lembrar como é bom ser criança e por que eu escolhi fazer engenharia civil. A visita técnica que deu o start pras férias foi sensacional. Estar em um heliporto aumentou minha vontade de voar, de conhecer um mundo que meus olhos só veem através de telas. A visita pra Viracopos também me fez pensar em qual área seguir, no que desejo realizar... Passar em Cálculo 1 (sim, o 1 ainda) foi fenomenal. Ainda mais com o professor sensacional que tive. Passar em FT4 e Mecânica dos Solos também, considerando que pude enxergar no professor de FT4 uma pessoa (muito doida e estranhamente parecida comigo) que entende o desespero dos alunos e é, por consequência e por se importar, um pouco psicólogo também. Nada se compara à alegria de estar reunida com os amigos no domingo a noite e gritar “PASSEI!” do nada. E todos comemorarem. Comer ostra e peixe cru (como diria mamãe) também foi marcante, mas melhores foram as risadas... Saber que as pessoas ainda te amarão mesmo que muitos anos passem e muitas coisas aconteçam também é maravilhoso. Mas como esquecer seu vizinho alemão tirando com a sua cara enquanto ainda era intervalo do 7 a 1?!

De 2014 ficaram muito mais coisas além das matérias que terei de fazer de novo. Família é a certeza de que sempre vai ter um abrigo pra você. Amigos são a certeza de que a graça da vida são os relacionamentos. E Douglas Adams que me perdoe, mas Deus é a resposta para as questões mais importantes da vida, do Universo e tudo mais. E isso aqui já está grande demais. Mas ainda tem post sobre o Natal esse ano. Será que vocês ainda vão me aguentar?!

domingo, 7 de dezembro de 2014

Sobre esperança em meio a tempos difíceis

Neste sábado aprendi várias coisas interessantes que quero compartilhar aqui. 
O dia tão esperado da campanha dos estudantes da Federal e da USP que participam do Natal Solidário chegou. Eu esperava coisas completamente diferentes do que aconteceram. O sol não deu trégua o dia todo e, durante toda a tarde, mais ou menos 150 verdinhos estavam espalhados por São Carlos arrecadando doações para ajudar instituições da cidade. Quantos são daqui? Eu não faço ideia, chuto menos de 1%...
A arrecadação começou. Segui com dois amigos cobrindo uma área de tamanho razoável onde já tínhamos panfletado avisando sobre a arrecadação. No começo, cada casa era uma expectativa, cada pacote de macarrão uma vitória. É engraçado como é possível se envolver tanto com alguma causa a ponto de ficar feliz por cada pequena conquista. Deve ser como quando os pais assistem aos filhos durante a vida. Cada pequeno passo é uma alegria.
Percebi que sempre as casas mais humildes eram as que nos davam sacolas cheias. Das mansões e casarões em que batemos recebemos um "ainda não fiz a despesa do mês" ou um pacote de achocolatado aberto. Contrastando com isso, uma senhora me entregou um pacote de fraldas dizendo que não tinha feito a despesa por que estava com o braço quebrado fazia um tempo. Ela morava nos fundos de uma casa. Outra senhora, em uma casa de tamanho razoável, negou a doação por que estava almoçando e a comida iria esfriar. Muitas outras, de residências humildes, me entregaram litros de óleo, pacotes de macarrão e um Deus abençoe no final. Um senhor fez uma brincadeira com minha amiga e começou a conversar com a gente, perguntando de onde éramos. Disse que trabalhou na região de Americana e conhecia bem as tecelagens. Por fim, desejou boa estadia para nós em São Carlos e nos despedimos dele com a doçura de um pacote de açúcar que nem se comparava à doçura daquele senhor para com a gente. Em uma casa cheia de enfeites de Natal, uma mulher respondeu prontamente e logo me trouxe uma sacola cheia de coisas, me dizendo que havia uma bolacha pra gente no pacote. Eu agradeci e falei que tínhamos bolachas e certamente aquela iria para a pilha de doações.
Chegando ao final do nosso trajeto eu estava extremamente cansada. Quando nossa água acabou, paramos em frente a uma loja de móveis e pedimos água. A moça nos atendeu prontamente, nos deixou entrar até nos fundos da loja e disse para bebermos o quanto fosse necessário. Aquela atitude, por mais simples que fosse, significou muito pra nós. Ser bem recebido em qualquer lugar é sempre algo que acalenta a alma, ainda que seja só pra tomar um copo de água.
No final da tarde existiam muitas considerações em minha cabeça, como sempre. Como é fácil para as pessoas mais humildes doarem, como é difícil para quem tem muito desfazer-se de pouco, como é recompensador fazer algo para ajudar as pessoas que precisam... e é bom rir de si mesmo quando você se encontra perdida em um quarteirão! Os amigos também fizeram o meu dia feliz!
Com tudo isso, recordei que, novamente: antes de qualquer coisa sou um ser humano. Não interessa quantas matérias eu bombei, quanto dinheiro tem na minha conta e muito menos onde eu moro: as lágrimas são sofridas pra todos, um sorriso acalenta qualquer coração e um pacote de feijão pode significar muito mais do que um quilo de alimento não perecível.
Não importa o quão sofrida esteja a vida, quantas dificuldades ainda estejam por vir, quantas derrotas aguardam o tempo passar... nada disso interessa quando você resolve doar um pouco do seu tempo para ajudar quem precisa.
Com o entardecer, o outro compromisso da noite se aproximava e o cansaço ficava mais evidente. A cabeça vermelha de sol, as pernas ardendo e o coração alegre. Foi com o coração alegre que fui adorar Aquele que colocou o amor no meu coração. Foi com o coração leve que pude perceber o que significa comunhão. É sempre no coração do Pai que nos encontramos, conhecendo outros que se encontram por lá, não interessando o lugar onde a reunião acontece. Ali, éramos todos filhos do mesmo Pai, embora as convenções sociais e a timidez me fizessem um pouco desconfortável.
Descobri nesse final de semana, incluindo a visita à creche na sexta que não descrevi aqui, que doar-se faz com que você se identifique primeiro. Traz de volta uma sensação de que você tem uma missão para cumprir. Traz de volta sua fé, tanto em um Pai sempre amoroso, quanto em pessoas que sabem demonstrar esse amor através de ações.
Em meio a tempos difíceis brotou uma esperança que jamais previ. Em meio a tempos tenebrosos, não apenas em relação à faculdade, mas em quase todas as áreas da minha vida; nasceu uma sensação de alívio. Aquela sensação que eu tinha do mundo quando minha idade era parecida com a daqueles pequenos de sexta feira. A sensação de que o mundo poderia ser mudado se existissem pessoas dispostas. A certeza de que essas pessoas existem me fez mais feliz. Papai Noel que me desculpe, mas ele continua sendo um personagem coadjuvante no meu Natal...

sábado, 22 de novembro de 2014

Sobre insignificância e responsabilidades

Aqui no meu cantinho, em um mundo imenso em quilometragem e minúsculo em suas conexões, continuo caminhando. Respirando sobre o planeta que chamaram de "Terra" um dia desses. Muitas coisas me intrigam, muitas não fazem sentido algum.
Hoje comecei a pensar em quanto as pessoas estão realmente envolvidas com seu próprio umbigo. Essa semana, enquanto eu panfletava na frente de um supermercado, não pude deixar de ouvir a conversa entre a amiga que estava junto comigo com um senhor que recebeu o panfleto. Ele dizia que era dever do governo sustentar as instituições para as quais estávamos ali arrecadando doações e que se continuássemos a fazer aquele trabalho as autoridades continuariam acomodadas e nada nunca mudaria. Apesar desse discurso, ele contribuiu.
Penso no que poderia fazer no lugar onde me encontro... Estudante, pagando aluguel e passagens, sem tempo para fazer muitas coisas, sem um transporte eficiente. O que eu poderia fazer? Em minha enorme insignificância decidi tentar ajudar o próximo, ainda que de maneira extremamente precária, com algumas horas da minha semana corrida. Em minha enorme pequenez decidi que eu não ficaria sentada esperando alguém fazer a obrigação que lhe é devida. 
O mundo continua girando enquanto negligenciamos nossas obrigações. O mundo gira enquanto muito dinheiro é lavado, muitas crianças morrem de fome e muito dinheiro é gasto em inutilidades. Não importam quantas coisas que consideramos injustiças aconteçam: o mundo continuará a girar apesar de todas elas. Mas quem não pode parar sou eu!
Enquanto muitos tendem a cruzar os braços e aproveitar o balanço, me recuso a depender de negligência. Tudo começa com coisas pequenas. Se eu ficar parada, quem é que faz a minha parte? Sei que não posso fazer muito, sei que não tenho tanta influência. Sei também que se todos fizessem muito pouco, muito seria feito. Julguem os negligentes, mas eles não fazem diferença pra mim. Não me interessam os que não fazem o que lhes é delegado: é certo que eles terão sua recompensa, de um jeito ou de outro.
Tenho uma irritação extrema com quem assume responsabilidades sabendo que não será capaz de cumpri-las e o pior: nunca pede socorro. Sei que não sou perfeita: quando algo excede minha capacidade saio feito louca gritando por ajuda. Desde pequenas coisas como um trabalho em grupo da faculdade até o plano de governo do país essa lógica pode ser aplicada. 
Em minha enorme insignificância ficava extremamente feliz por cada pacote de macarrão depositado naquela caixa. Por cada sabonete. Por cada pessoa que respondia meu "boa tarde, você já conhece o Natal Solidário?" com um sorriso. Pelas doações das pessoas mais simples. Pelas doações das senhorinhas simpáticas. Todos estávamos fazendo algo pra ajudar o próximo, ainda que fosse muito pouco, e o Universo estava vendo aquilo. E eu já recebi minha recompensa, mesmo não merecendo absolutamente nada, por que estava ali fazendo minha obrigação. Independentemente de qualquer circunstância não dá pra ficar de braços cruzados.
Acho que é por esse motivo que escrevo. Por acreditar que, de alguma forma, posso influenciar outras pessoas a não continuarem patinando em seus erros. Por acreditar que as pessoas possam aprender com os meus erros e, dessa forma, poderei poupá-las de algum sofrimento desnecessário. Por acreditar que de alguma forma posso tocar corações. Por ter recebido a capacidade de me expressar em palavras, mesmo que de forma meio torta na maioria das vezes. Por lembrar da história do passarinho que carregava água para apagar o incêndio na floresta: ele não negou sua responsabilidade ainda que ela fizesse pouca diferença em um mundo grande em extensão, mas pequeno em solidariedade.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Todos os presentes que ganhei

Postagem atrasada por motivos de doença no notebook da dona do blog. Antes tarde do que nunca.

Sabe, fazer aniversário me transforma em uma pessoa estranha, pra mim mesma e para os outros. A cada ano começo a me lembrar de tudo o que já passou, do meu aniversário do ano interior, das vitórias e derrotas do meu dia a dia nem tão emocionante assim. Tudo muito significativo e que me faz lembrar que a vida é realmente composta de milhares de momentos especiais.
Ganhei de presente minha saúde quando eu ainda era criança, e, apesar dos milhares problemas enfrentados e das gritarias feitas quando eu via pessoas de branco, cresci saudável até demais. Gordinha. Com umas gripes meio chatas, mas qual criança nunca teve febre nem nariz escorrendo?
Ganhei também, assim que nasci, uma família. Por que Deus me permitiu nascer no lugar onde mora meu coração, no lugar que eu posso chamar de lar. Lugar composto de pessoas que sempre fizeram seu melhor para que eu fosse feliz, que sempre me amaram (até na fase adolescente HORMÔNIOS SOCORRO que todo mundo passa). Nesse lar, ganhei valores e convicções que jamais serão deixados para trás. Aprendi a valorizar o conhecimento. Aprendi a valorizar pessoas. Aprendi a ser sempre solícita em ajudar ao próximo, por que ninguém sabe quando pode precisar de ajuda também. Agora que moro um pouco fora do espaço onde eu ainda chamo e sempre chamarei de lar, sei o quão importante e maravilhoso é poder ter uma família te esperando com um abraço. Ganhei sem merecer e ganhei de maneira certa: Deus não poderia ter me mandado para qualquer outra família que não fosse a minha.
Ganhei vários amigos ao longo dos anos. De uns eu obtive tanta luz que, apesar de ter perdido um pouco o contato, eu ainda posso enxergar um brilho ao longe. De outros, obtive um colo agradável pra chorar as mágoas da vida. De outros ainda, ganhei a distância e o silêncio; mas não me importo, alguns eu continuo a amar da mesma maneira. Ganhei amigos mais chegados que um irmão, capazes de entenderem minhas dores, meus momentos de silêncio e as minhas palhaçadas. Ganhei leveza na vida através deles. Percebi que sim, a minha parte mais bonita deve ser meu coração para que alguns ainda continuem me amando mesmo com tantos defeitos...
Ganhei uma responsabilidade descomunal nesses últimos anos. Aprendi a ser administradora da minha própria personalidade, a ser a mudança que eu busco no mundo. Ganhei muitos afazeres novos e uma nova amiga inseparável chamada Máquina de Lavar Roupas. Ganhei visitas constantes no banco, telefonemas constantes aos serviços de atendimento ao cliente, relatórios infinitos e horários de acordar muito bem definidos. Aprendi que a comida não fica pronta sozinha e que as louças só ficam limpas se você lavar.
Ganhei um amor incondicional e perfeito há tantos anos... mas ainda me faz suspirar todos os dias saber o quanto o Criador de todas as coisas me ama. Esse é sem dúvida o maior e mais bonito presente que eu poderei ganhar em toda a minha vida.
Ganhei uma vaga pra cursar o que decidi fazer para poder fazer da melhor maneira possível e agradeço todos os dias por esse presente. Eu amo muitas partes daquela Universidade. Muitas de suas paisagens vão ficar pra sempre na minha memória e o céu azul pintado de verde, rosa e amarelo pelas árvores me faz sorrir feito besta às vezes, mas não me importo: todo mundo já sabe que eu sou meio besta mesmo... Acredito que não seria tão feliz em outro lugar. Acredito que estou exatamente onde deveria estar, apesar de todos os percalços sofridos no caminho. Correria insana para que um dia eu possa escrever pra vocês que eu ganhei aquele pedaço de papel que diz que sou engenheira.
Ganhei muito mais coisas que jamais merecia. Algumas eu nem imaginava ganhar, outras pedi muito a Deus. Ele me ensinou a ter paciência. A esperar pelo melhor, por que a vontade Dele SEMPRE foi a melhor para todas as coisas.
Não que eu seja presunçosa, mas sei que muitos presentes ainda me serão dados nessa vida, mesmo se ela não for tão longa. Sei o que tenho pedido, sei quanta paciência ainda preciso adquirir e sei que todas as coisas sempre cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

domingo, 2 de novembro de 2014

Sobre miséria, pequenas alegrias e histórias de humanidade

Tempos difíceis trazem horas intermináveis e pesos insuportáveis. Felizmente nada dura pra sempre e, roubando uma frase perdida da internet, acho que a vida não é sobre esperar tempestades passarem, mas sobre aprender a dançar na chuva. Sempre que os raios cortam meu coração em milhões de pedaços, as pequenas coisas me fazem dançar enquanto estou no olho do furacão.  Aquela risada frouxa do seu amigo meio trouxa, aquele picolé numa tarde quente, aquela criança correndo livre na praça. Uma conversa agradável antes de dormir, um almoço com gente amada, uma piadinha no meio da aula chata, um "boa viagem" do motorista do ônibus, um "bom dia" do vizinho ou do professor. Pequenas coisas que trazem alegria. Pequenas coisas que me fazem ainda acreditar que existe bondade no coração das pessoas. Tem gente que não tem mais sensibilidade pra perceber, que não treinou os olhos pra procurar onde está Deus no meio da tempestade, que esqueceu como ser grato.

Uma das coisas que mais me chateou durante essa semana não está relacionada as minhas provas, nem a minha falta de tempo e de sono. Foi a frase de um morador de rua na rodoviária. Enquanto ele me pedia dinheiro para comprar comida, me contava que os funcionários do restaurante próximo preferiam jogar a comida no lixo a fazerem uma marmita para ele e para a mulher. A verdade? É lógico que eu não sei, não o conheço e não sei se o pouco dinheiro que lhe dei foi realmente para que comprasse algo para comer. Mas eu nunca passei fome. Nunca dormi na rua. Nunca me senti invisível da maneira como aquele homem é capaz de se sentir aos olhos de uma sociedade insensível. Quando estava indo embora do guichê com minhas passagens ele me agradeceu de novo e desejou boa viagem. Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça depois de um dia extremamente tumultuado. Quantas pessoas como aquele homem eu já ignorei em minha vida? Quantas pessoas como ele morrem todos os dias sem que ninguém chore por eles, sem que ninguém sinta saudades? Como é possível que alguém com uma história provavelmente muito difícil, cheia de sofrimento ainda é capaz de ser gentil? Se você não enxerga um ser humano ali, sentado na calçada precisando de ajuda, sua humanidade já foi perdida há muito tempo. Se você acha que ele pode sair dali por conta própria é por que nunca presenciou alguém que se encontrava em desespero, no mais fundo dos abismos cujo maior desejo era encontrar uma mão para poder se apoiar na subida de volta à superfície. Não me refiro apenas a aquele homem; ele é apenas mais um de tantos outros que não tiveram a mesma sorte que você. Ainda que você precise lutar para conseguir conquistar seus sonhos, há comida em sua barriga, um chuveiro limpinho e uma cama confortável em sua casa.

A maior miséria que pode atingir um ser humano é a ausência de gratidão. Quem não consegue ser grato pelas coisas que acontecem, sejam elas boas ou ruins, não consegue ser feliz e faz com que todos ao seu redor se tornem miseráveis. Quem não sabe ser grato vive mendigando atenção, vive sob a falta constante de amor ao próximo, vive de mesquinhez. Tem uma venda nos olhos que o impede de enxergar as pequenas coisas que trazem alegria.

Outra situação que passei e mas me trouxe imensa alegria, quase como quando eu mesma passei no vestibular, foi a história de um rapaz que passou pelas salas da Federal alguns dias atrás. Ele era de Pernambuco e tinha vindo com a mãe e o padrasto para São Paulo, estudado por supletivo e conseguido bolsa de estudos para cursar biologia em uma universidade particular de São Carlos. Confessou que antes de entrar na faculdade jogava GTA o dia todo e que sofreu, como todos nós que estávamos ali o ouvindo, para passar em todas as matérias e só conseguiu com muito café e muito esforço. Mas aquele não era seu sonho, embora estivesse fazendo o melhor que podia. Seu sonho era cursar Medicina Veterinária e ele conseguiu: passou na Federal de Pernambuco e estava ali por que precisava de dinheiro para comprar a passagem para fazer a matrícula e voltar para ficar com o resto de sua família enquanto cursava Veterinária. Aquele menino com certeza passou por muito mais coisas que eu para conseguir o que queria. Ele aprendeu a dançar enquanto estava chovendo. Sei exatamente como ele se sentiu quando viu seu nome na lista. Sei exatamente como é a sensação de estar prestes a realizar um sonho. Aquela conquista parecia muito com a minha e aquele discurso trouxe um pouco mais de esperança ao meu coração. Ainda existe quem lute pelos sonhos. Ainda existem pessoas boas nesse mundo e eu tenho certeza de que conheci melhor várias delas esse ano...

Se a sua rabugisse não permite que essas histórias toquem alguma parte humana que ainda te reste, eu apenas lamento. "Quero trazer à memória o que me dá esperança", e aquilo que não traz, quero poder ter a força para mudar.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Resolvi ser grata

Gratidão não é uma coisa que vem fácil. Aprender a ser grato vai muito além de um obrigado pra quem preparou sua comida ou quem te atendeu na padaria.
Ser grato envolve esforço pra enxergar coisas que são invisíveis aos olhos. Aquilo que você deixou de ver hoje pode conter milhares de motivos de gratidão.

Fui presenteada com um céu maravilhoso na volta pra casa ao entardecer e foi ele que me lembrou que eu sou muito mais do que uma "fazedora de contas", muito mais do que uma máquina de integrais. Lembrou que meu valor é muito maior do que aqueles números que definem meu rendimento acadêmico...

Então eu resolvi ser grata.
Hoje levantei da cama com vida.
Hoje meu coração bateu um milhão de vezes e não parou.
Hoje minhas pernas foram fortes pra me levar a todos os lugares onde precisei ir.
Nenhum veículo no qual eu estive sofreu um acidente.
Nenhum amigo ou parente sofreu um acidente.
Nada saiu do seu devido lugar no Universo e destruiu o espaço em que me encontro.
Não tive fome por falta de comida.
Não tive sede por falta de água potável.
Eu estive rodeada de pessoas que eu amo.

As misericórdias de Deus se renovaram sobre mim sendo que eu não as mereci.
O amor de Deus tomou meu coração em cheio quando, nesse dia difícil comecei a pensar em todas as coisas que deram errado e ouvi a voz Dele dizendo enfaticamente a mim:
"Eu te dei o teu dia, Eu te amo, Eu te abençoei, Eu sou o teu Deus. Por acaso Eu deixei de te abençoar quando você se afastou de mim? O que mais você precisa para ser feliz? Minha graça não te basta?"

Imediatamente pedi perdão pelo meu egoísmo. Imediatamente reconheci que os planos Dele são melhores do que os meus e que Ele sabe a hora certa de corrigir meus erros.

Somos como crianças mimadas de um metro e setenta. Reclamamos de todas as coisas que dão errado durante o dia, focamos nas oportunidades perdidas, nos momentos desperdiçados e esquecemos que o nosso corpo funciona perfeitamente dia após dia, que nossas mãos são capazes de realizar todas as tarefas que precisamos, que Deus nos amou apesar de tudo apontar para o lado contrário.

Não é fácil enxergar todas as coisas pelas quais podemos ser gratos. É necessário desenvolver aquela sensibilidade para detectar as coisas que os olhos não veem. Decidi que o esforço vale a pena. Hoje eu resolvi ser grata.