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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Vida que segue

Vida que segue hoje, no amanhecer
Seguiu rumos nebulosos como o céu
choveu muitos milímetros de precipitação
alagou muitos centímetros cúbicos da alma
mas, como sempre, tomou seu rumo, 
seguiu como parte realocada,
como quem não quer nada,
como um número de dias, como um número de horas.
como as páginas daquele livro tão sofrido.

Vida que seguiu desde os primórdios dos dias,
seguiu para os pais dos meus pais, e os pais deles antes que eu viesse a existir.

Seguiu em um passado distintíssimo,
seguiu para pessoas que nunca conhecerei,
seguiu se reinventado pelo caminho, esperneando diante das injustiças,
lamentando com lágrimas incontáveis as tragédias da humanidade,
os funerais
os corações partidos
o abuso
a intolerância
cada momento de dor 
e entregando sorrisos com as mesmas lágrimas nas incontáveis festas
de aniversário
de Natal
de casamento
de formatura
de cada momento de júbilo.

A vida segue, não se importando com o tamanho da sua esperança ou da sua dor.
A vida segue, então chora: dá a cada lágrima seu devido tempo,
conta no tic tac do relógio,
perdoa, ama e segue. Não se afogue.

Não importa quão lentos pareçam os relógios: a vida segue.
Não importa quão grandes são as suas expectativas: a vida segue.
Não importa quão alto seja o lugar onde você está agora: lembre-se sempre de que a vida segue.

Os anos passam impiedosamente,
as alegrias e as dores se acumulam de forma catastrófica e bagunçada na memória,
deixando uma necessidade de organização,
limpeza,
colocação de caixas e de pressionar o "delete".

A vida segue, mas não é meu o dever de saber para onde.
Nunca será meu o poder de determinar seus tempos,
suas ansiedades,
suas idealizações.
Somente sigo.

Sigo o Caminho pela própria Vida e assim,
somente assim,
saberei como entender que,
apesar de tudo o que acontece,
além de tudo o que acontece,
mais impetuosamente do que tudo o que acontece,
a vida segue.
Pra mim, pra você, pra quem ainda respira sobre a Terra.

E veja só, hoje o sol amanheceu vencendo a nebulosidade de ontem,
e veja só, hoje a vida deixou de seguir para alguns.
Então, a mim só resta honrar a continuidade da vida.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Sobre disciplina, desapego e vaidade

De novo essa doida falando sobre vaidade? Pois é, tenho me incomodado um pouco a respeito disso. Hoje é papo de menininha, se você é homem, caia fora, é uma cilada Bino!

Levemos em consideração que sou uma cidadã de 22 anos de idade e não os aparento, desculpa sociedade, branquela nível vampiro, com três fios de cabelo fino e uma pele temperamental, que não sabe se brilha ou se resseca. Falando muito sério, muitas coisas pareceram mudar no meu corpo depois que eu fiz 18 anos. Parece que a renovação diminuiu de ritmo, começando por uma queda bizarra de cabelo. Foi aí que eu percebi que estava na hora de analisar algumas coisas que eu estava deixando de fazer pra mim no futuro, tanto física quanto psicologicamente. Comecei aos 18 a ser meio maluca por todas as novidades desse mundo dos cosméticos, tratamentos e maquiagens, mas ultimamente tenho me questionado muitíssimas coisas.

Estou em um tratamento progressivo de queda de cabelo por que sério, mais um pouco e eu poderia começar a usar perucas. Raramente esqueço de passar protetor solar de manhã tudo bem que a dermatologista mandou repassar a cada 4hs, mas né e sou perigosamente sedentária. Cobro-me diariamente por não conseguir de jeito nenhum regrar minha alimentação, meu sono e minhas atividades físicas suas o quê?. Mas o que eu queria mesmo dizer é que estou tentando ser disciplinada. Com algumas coisas é bem fácil, como os remédios e o protetor solar, com outras é uma luta, muitas vezes uma guerra perdida.

Nessa semana me irritei profundamente ao olhar para minha caixa de esmaltes. Minha mãe tinha razão: nem que eu tivesse 50 mãos e pés não seria capaz de usar todos aqueles vidrinhos. Foi dinheiro jogado fora. Estão velhos, perigosos, fedidos e não duram mais, assim como a minha autoestima estava na época que eu comecei a comprá-los como se não houvesse amanhã. Aquela caixa agora é um símbolo de algo que eu não quero mais me lembrar. Agora eu sei que a minha beleza não pode ser contida num vidrinho. Não há cosmético no mundo que faça uma mulher parecer mais interessante.

Percebi aos poucos que vaidade vai embora no ralo. Uma pele bonita, um cabelo bem arrumado e uma roupa cara podem disfarçar a pessoa que os usa, mas jamais garantirão uma personalidade agradável. Cosméticos não transferem paixão. Não há antirrugas no mundo que pague as linhas de expressão por dias vividos plenamente. Não há spray que faça meu cabelo permanecer no lugar: prefiro ser meio bagunça ambulante.

Todas essas coisas não querem dizer que eu não curta esse universo doido das mulheres. Se eu acho que é tudo frescura? Não, não acho. Acredito que pode ser uma muleta muito boa pra quem tem a auto estima meio fraca das pernas. Vaidade só se torna um problema quando é exagerada, como tudo na vida. Quando ela deixa de ser uma muleta e se transforma na perna problemas aparecerão.

Eu ainda tenho minha caixa de esmaltes e ainda me sinto meio decepcionada ao olhar pra eles. Ainda os compro, ocasionalmente. Tenho consciência de que nenhum deles vai me transformar numa pessoa melhor ou pior, mas gosto deles. Saio numa boa sem maquiagem pra qualquer lugar, com minha cara de assustar crianças na rua, sem neuras, apenas liberdade. Finalmente estou confortável em minha própria pele e o melhor de tudo: mantendo minha personalidade.

Fica meu convite pra que você se aventure nessa jornada de desapego, disciplina e liberdade. Deixa a vaidade de lado um pouco, vem ser você mesma. Larga esse secador: não há nada mais despretencioso do que cabelo secando ao vento...