Não tenho pressa.
Na sua presença não há correria nem afobação,
na sua casa há arrependimento
e nos seus braços as lágrimas são sempre de consolação e gratidão.
Não tenho pressa.
Sei que sou estrangeira aqui,
minha alma não reconhece esse mundo,
meu coração jamais compreenderá o que acontece aqui.
Sei que meu coração já não me pertence,
é só Seu, pra sempre.
Minha alma vive aqui,
neste traje de carne, emprestado.
Meus dias são presentes Seus,
minhas dores e sofrimentos amenizados pela graça que me basta.
Me bastará.
Me completa e transforma.
Não tenho pressa, mas corro pra ti.
É nos pés da tua cruz que encontro paz.
É correndo para os braços abertos,
é quando o Senhor me espera em frente ao portão que posso sorrir.
Somente a sua espera e paciência,
somente o seu amor me faz sorrir assim.
Não tenho pressa.
Vivo devagar.
Minhas decisões nunca são fáceis, nem rápidas,
mas são suas.
Não tenho pressa,
mas queria que a transformação viesse mais rápido.
Queria ser menos egoísta e cumprir todos os sonhos que Você tem pra mim.
Queria ser menos teimosa.
Menos ansiosa.
Menos exigente.
Menos apática.
Queria aprender a descansar em ti de maneira completa.
Ah, eu só queria mesmo era não ter pressa...
Mas minha alma clama o reencontro cada vez mais.
Vem, paizinho, vem!
Minha alma está com pressa!
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segunda-feira, 11 de abril de 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Sobre o inevitável amor de Deus
Você pode querer correr, se esconder, fazer reviravolta na vida. Ainda que você se encolha, se enfie em um buraco ou se revolte usando toda a raiva que existe em seu ser: o inevitável amor de Deus sempre estará lá.
Não interessa quão longe você esteja, o quão triste, o quão decepcionado com as decisões que tomou. Não interessa se a vida tem sido difícil, se os dias têm sido sofridos ou se você vive de maneira sossegada e aparentemente feliz: o inevitável amor de Deus estará lá.
Essa semana me dei conta disso. Num banho de chuva.
Fiz de tudo para evitar me molhar na volta pra casa, saí mais cedo, saí correndo e ia esperar. "Pra que esperar? Não sou de açúcar!"
Ao me sentar no ponto de ônibus alguém, muito apressado e distraído demais pra se preocupar com o próximo, passou com o carro molhando eu e a outra moça que estava ali. Ri. "O pior já passou, agora é só tomar chuva por conta própria!"
Enquanto caminhava e me ensopava daquela água que caía, mais uma vez lembrei do Pai. Eu tentava escapar da chuva, mas não tive sucesso. Da mesma maneira quando inconscientemente tento fugir do amor de Deus, não tenho sucesso. Para onde eu olhava ele estava. Não importa onde eu ia, o que eu fizesse, onde me esconderia. Foi tomando aquela chuva que meu coração se encheu da paz mais genuína que já senti na vida. Aquela água me lembrava da essência da minha existência, daquilo que me faz levantar todos os dias.
O inevitável amor de Deus mostra seu inexplicável cuidado com todos os aspectos da vida daquele que entrega seus fardos a Ele. É certo que Ele cuida de todos os detalhes. É inacreditável o quanto Ele se preocupa com a nossa felicidade. É imprescindível que O enxerguemos quando estamos no meio da tempestade e, quando a calmaria vem, o choro é de alegria.
Não importa o quão bagunçada esteja a vida, o universo e tudo o mais: o inevitável amor de Deus estará lá. Não importa o quão longa tenha sido a tempestade... já posso avistar uma mudança no céu e ela vem acompanhada de um futuro cheio de esperança na eternidade.
Não interessa quão longe você esteja, o quão triste, o quão decepcionado com as decisões que tomou. Não interessa se a vida tem sido difícil, se os dias têm sido sofridos ou se você vive de maneira sossegada e aparentemente feliz: o inevitável amor de Deus estará lá.
Essa semana me dei conta disso. Num banho de chuva.
Fiz de tudo para evitar me molhar na volta pra casa, saí mais cedo, saí correndo e ia esperar. "Pra que esperar? Não sou de açúcar!"
Ao me sentar no ponto de ônibus alguém, muito apressado e distraído demais pra se preocupar com o próximo, passou com o carro molhando eu e a outra moça que estava ali. Ri. "O pior já passou, agora é só tomar chuva por conta própria!"
Enquanto caminhava e me ensopava daquela água que caía, mais uma vez lembrei do Pai. Eu tentava escapar da chuva, mas não tive sucesso. Da mesma maneira quando inconscientemente tento fugir do amor de Deus, não tenho sucesso. Para onde eu olhava ele estava. Não importa onde eu ia, o que eu fizesse, onde me esconderia. Foi tomando aquela chuva que meu coração se encheu da paz mais genuína que já senti na vida. Aquela água me lembrava da essência da minha existência, daquilo que me faz levantar todos os dias.
O inevitável amor de Deus mostra seu inexplicável cuidado com todos os aspectos da vida daquele que entrega seus fardos a Ele. É certo que Ele cuida de todos os detalhes. É inacreditável o quanto Ele se preocupa com a nossa felicidade. É imprescindível que O enxerguemos quando estamos no meio da tempestade e, quando a calmaria vem, o choro é de alegria.
Não importa o quão bagunçada esteja a vida, o universo e tudo o mais: o inevitável amor de Deus estará lá. Não importa o quão longa tenha sido a tempestade... já posso avistar uma mudança no céu e ela vem acompanhada de um futuro cheio de esperança na eternidade.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Um relato improvável de uma noite inesquecível
A vida de pastor de ovelhas na região da Judéia não é tão tranquila quanto parece. Era necessário vigiar aquelas ovelhas e se importar com cada uma delas para que não houvessem prejuízos. Era uma vida sofrida, difícil. Enquanto deixava minha esposa e meus filhos repousando em nosso humilde lar, meu coração não se aquietava um segundo sequer. Sentia-me daquela maneira toda vez que eu os deixava sozinhos para trabalhar no turno da noite.
Naquela noite falávamos sobre a crise que permeava nossa economia e a corrupção que se alastrava como erva daninha em nossa terra. Os impostos estavam cada vez mais altos e nós mal tínhamos dinheiro para ter certeza de que haveria comida suficiente na mesa no dia seguinte. O dia de amanhã era sempre incerto e parecia muito pior quando trabalhávamos a noite porque precisávamos garantir que nenhuma daquelas preciosas ovelhas escapasse. Não importava quão grande fossem o cansaço ou os calos em nossas mãos, não era possível adormecer.
Enquanto conversávamos, um pouco preocupados com o cenário que nos permeava, eu me lembrava daquela velha história que meu avô me contava nas celebrações de Páscoa, sobre como Moisés libertou o povo da opressão de Faraó e sobre um Deus tão poderoso que decidiu que, não importa quão difícil fosse, um dia haveria libertação para o povo que clamava por isso. Fazia tanto tempo... Será mesmo que eles atravessaram o mar? Seria mesmo tão duro o coração de Faraó? Seria Moisés corajoso como eu o imaginava?
Novamente, o povo de Deus sofria. Eu sofria com aquelas vigílias noturnas, estar separado da minha família, estar trabalhando praticamente para pagar os impostos, estar sob um domínio muito pior do que um Faraó mal humorado. O mundo sofria as consequências de seus delitos. As trevas que permeavam nossos dias não eram apenas as noites que passávamos em claro. Uma promessa ainda nos esperava. A promessa da libertação. A promessa de que um menino nasceria para ser nosso Príncipe da Paz.
Jamais poderia imaginar que naquela noite tudo seria diferente.
Enquanto ainda conversávamos, já sonolentos por causa da madrugada que avançava sobre nós, apareceu o anjo do SENHOR. Sim, O ANJO DO SENHOR! Era o que de mais inesperado eu poderia imaginar para aquela noite. Ficamos imóveis e sem saber o que fazer, tamanha beleza diante dos nossos olhos. Não podíamos acreditar que aquilo estava de fato acontecendo. O anjo vinha dizer a nós, pastores, pobretões, oprimidos por tanta dor e cansaço, que o Salvador, o Cristo tinha nascido! De repente, como se aquilo já não fosse surreal o suficiente, apareceu uma multidão, incontáveis anjos estavam diante de nós! Um exército celestial louvava a Deus da maneira mais incrível que eu jamais poderia imaginar!
"Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens!"
Boa vontade? Aquilo era inacreditável! Todos concordamos que deveríamos prestigiar tão esperado nascimento. A jornada foi de apreensão, afinal, deixávamos nossa vigília da noite para nos encontrarmos com o menino Cristo. Em meu coração e em minha mente se passavam tantas coisas... Será que alguma ovelha escapará? Será mesmo que todos aqueles anjos estavam ali? Deus realmente havia nos prestigiado com tamanho presente? O Cristo realmente nasceu? Será que minha família está bem?
Ao chegarmos naquele lugar humilde, tão familiar para nós, vimos o menino. Tão profundo e doce aquele sono, tão amorosos os braços da mãe. Lembrei-me do nascimento do meu filho. Aquele era um momento cercado de amor e ternura na esperança da nova vida. Naquela noite, todos nós ganhávamos uma nova vida. Uma nova esperança. Um novo motivo para celebrar. Um motivo tão pequenino e tranquilo, cujo nascimento havia sido anunciado a nós pelo exército celestial, anunciado desde muito tempo... Desde tanto tempo quanto eu nunca conseguiria imaginar. Assim que meu coração soube que ali, envolto em panos estavam a esperança de tantas gerações e a resposta de tantos clamores, tudo se aquietou. Eu vivi para ver a promessa cumprida. Fui contemplado pela Glória e pela majestade do Deus menino!
Todas as vezes que conto essa história meu coração de enche de alegria e esperança. Meus netos adoram ouvi-la durante nossas celebrações... A vida não se tornou mais simples do que era. Continuamos lutando contra a corrupção dos homens, mas a visão daquele bebê mudou tudo. Hoje meu coração se aquieta com maior facilidade. Hoje sei que existe um Deus que libertou seu povo, que os amou até as últimas consequências. Aquela foi realmente uma noite inesquecível.
*Obviamente esse é um relato com completa licença poética, mas a imagem dos pastores que se encontram com um exército de anjos sempre fez meu coração se alegrar. Imaginar aquelas pessoas humildes e com preocupações não muito diferentes das minhas tivessem sido contempladas com tamanha honra mostra a maneira como Deus age de maneiras inesperadas!*
Por último, mas não menos importante: FELIZ NATAL! Que a Glória do menininho nascido em Belém seja sobre nós, seres humanos, amados tão intensamente por um Deus poderoso para fazer muito mais do que podemos imaginar!
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Uma carta improvável sem destinatário definido
Local indefinido, no dia em que a intrepidez venceu;
Querido destinatário,
Não quero causar constrangimento, mas sem meias palavras precisei te escrever esta carta que pairava na minha imaginação. Lembre-se que esta é apenas mais uma carta de amor, daquelas bem bregas mas que precisam ser escritas. Lembre-se também que o amor é brega até mesmo nas melhores famílias... Mas prometo ser sincera com você o tempo todo.
Se é pra ter amor meia boca, mais ou menos, sem totalidade, nem quero. Se é pra ter amor possessivo, ardido de ciúmes, cheio de egoísmo também não quero. Se for pra amar só pra ocupar cargo nem envio meu currículo. Se for pra amar só com o corpo, se entregar apenas fisicamente e nunca conhecer suas maluquices e seus segredos, sinto muito, mas estou partindo pra Pasárgada e você nunca mais ouvirá falar de mim...
Querido destinatário,
Não quero causar constrangimento, mas sem meias palavras precisei te escrever esta carta que pairava na minha imaginação. Lembre-se que esta é apenas mais uma carta de amor, daquelas bem bregas mas que precisam ser escritas. Lembre-se também que o amor é brega até mesmo nas melhores famílias... Mas prometo ser sincera com você o tempo todo.
Se é pra ter amor meia boca, mais ou menos, sem totalidade, nem quero. Se é pra ter amor possessivo, ardido de ciúmes, cheio de egoísmo também não quero. Se for pra amar só pra ocupar cargo nem envio meu currículo. Se for pra amar só com o corpo, se entregar apenas fisicamente e nunca conhecer suas maluquices e seus segredos, sinto muito, mas estou partindo pra Pasárgada e você nunca mais ouvirá falar de mim...
Mas se quiser um amor completo, pleno e sem complicações, me liga. Se quiser alguém pra estar ao seu lado nas dificuldades, alguém que ame cada uma das suas individualidades e que abra um sorriso só de pensar em quão convencido e chato você ficará se algum dia descobrir que escrevo pra você, eu estou aqui.
Se é pra reclamar de corações partidos, desventuras amorosas e desastres engraçados, senta aqui que as histórias são longas... Se é pra remendar corações despedaçados, esquecer tudo o que passou e olhar pra frente, eu estou aqui, fazendo disso um exercício diário de fé.
Mas, se por acaso não se apaixonou pela minha personalidade, se não se acostumou com meus excessos e minhas faltas, se não estiver disposto a receber essa carta e esse amor, apenas diga não. Eu não vou me descabelar, te perseguir online ou implorar amor chorando aos seus pés. Tenho dignidade e consciência suficientes pra saber que amor a gente não implora, não impõe: você sabe que amor a gente escolhe. E eu escolhi fazer minhas escolhas usando mais a razão do que o coração, mas você já sabe que eu sou assim mesmo e não sou egoísta o suficiente pra achar que a sua felicidade só pode existir comigo. Na verdade mesmo, queria uma companhia meio maluca pra seguir sendo feliz. Por que você também sabe que felicidade só é real quando compartilhada com quem a gente gosta.
Eu não quero posse, você só pra mim, sua vida em função de mim. Eu quero somar, não subtrair até a exaustão. No entanto, não aceito nada menos que fidelidade, nada inferior a uma entrega total, um encontro de almas e corpos registrado pelo universo (e em cartório também, quando o dia chegar). Não posso aceitar nada além disso, nada menos que isso. Não posso te enviar essa carta também, seria loucura. Mas eu não sou muito normal e acho que você já sabe... Quem sabe um dia?
Com toda a honestidade que encontrei em mim,
da moça que é mais Amélie do que Amélia.
Com toda a honestidade que encontrei em mim,
da moça que é mais Amélie do que Amélia.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Sobre(cargas)
Hoje todas as coisas pesam novamente,
pesam friamente,
pesam loucamente sobre os meus ombros cansados...
A noção de que existem muitas coisas no Universo
que eu jamais compreenderei
não importa o quanto me esforce
impõe a mim um limite:
sou pequena, sou frágil, soul.
Ao mesmo tempo finjo ser poeta,
reviravolto todos os sentimentos que surgiram
e novamente não entendo:
alguns insistem em ficar quando não são bem-vindos
outros apareceram sem pedir permissão.
A maioria deles me transforma, me muda,
faz de mim emoção,
obedece minhas rédeas da razão.
Alguns me fazem voar,
a maioria me lembra que meus pés tocam o chão.
A realidade ao meu redor me aniquila sempre,
vem de encontro a todas as expectativas e sonhos,
vem cheia de sobrecargas
que colocaram em minhas costas sem ao menos perguntar
sem ao menos considerar
qual era a minha tensão admissível.
Mas o dia amanhecerá.
O que não faz sentido algum hoje pode não fazer sentido sempre,
num círculo vicioso,
numa iteração infinita de ideias desconexas,
numa estranha dança de impossibilidades.
Meu coração segue aquele caminho bem definido
único capaz de me mostrar a beleza através do sofrimento e da falta de respostas:
o único caminho que me traz a Paz.
pesam friamente,
pesam loucamente sobre os meus ombros cansados...
A noção de que existem muitas coisas no Universo
que eu jamais compreenderei
não importa o quanto me esforce
impõe a mim um limite:
sou pequena, sou frágil, soul.
Ao mesmo tempo finjo ser poeta,
reviravolto todos os sentimentos que surgiram
e novamente não entendo:
alguns insistem em ficar quando não são bem-vindos
outros apareceram sem pedir permissão.
A maioria deles me transforma, me muda,
faz de mim emoção,
obedece minhas rédeas da razão.
Alguns me fazem voar,
a maioria me lembra que meus pés tocam o chão.
A realidade ao meu redor me aniquila sempre,
vem de encontro a todas as expectativas e sonhos,
vem cheia de sobrecargas
que colocaram em minhas costas sem ao menos perguntar
sem ao menos considerar
qual era a minha tensão admissível.
Mas o dia amanhecerá.
O que não faz sentido algum hoje pode não fazer sentido sempre,
num círculo vicioso,
numa iteração infinita de ideias desconexas,
numa estranha dança de impossibilidades.
Meu coração segue aquele caminho bem definido
único capaz de me mostrar a beleza através do sofrimento e da falta de respostas:
o único caminho que me traz a Paz.
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