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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Quando sou um refugiado de mim mesmo

Todas as vezes que negligencio uma necessidade, um pensamento, um sentimento e um raciocínio me transformo nesse refugiado de mim mesmo, deixando pra depois uma análise crua de quem me torno com o passar dos anos, dos dias, dos segundos.

Quando negligencio uma lágrima que não quer sair ou as incontáveis lágrimas que jorram sempre, não encontro a racionalidade dos sentimentos. Não me permito chorar ou me torno melhor amigo do choro, aumentando catastroficamente a angústia de estar perdido dentro de si mesmo.

Torno-me um estranho pra mim mesmo quando negligencio meu sentir em função da razão ou minha razão em função do sentir, esquecendo-me que, no fim das contas, sou um humano. Não uma máquina nem um personagem de um romance meloso e excessivamente dramático, mas uma pessoa. De carne, osso, raciocínio lógico e instintos primitivos.

Quando deixo de enfrentar problemas com raízes profundas e difíceis, quando minhas válvulas de escape são tudo o que me impede de pensar, que dopa minha sanidade mental, me deixando em um estado de letargia, só me torno capaz de encontrar refúgio em cantos estranhos da mente, quilômetros distantes de quem sou.

Quando tudo o que resta são desculpas esfarrapadas para não tentar ou quando tento demais, me enchendo de responsabilidades e compromissos que não permitem paradas para entender qual é a vida que preciso e quem almejo ser, me torno só mais um afogado num mundo cheio de gente apressada que não tem tempo de prestar atenção em detalhes que fazem toda a diferença na rotina.

Quando não me permito sonhar ou quando tenho sonhos mas nada faço para que se tornem realidade, sou um estranho em meu próprio traje de carne.

Quando não consigo escutar uma opinião contrária às minhas e não entendo que cada um decide a vida que quer pra si mesmo, refugio a outra pessoa dentro de mim, querendo protegê-la de si sem necessidade alguma. Esqueço que, ao invés de querer protegê-la, devo entender os motivos de suas opiniões e ser suporte, não prisão.

Quando tento me encaixar em realidades que não me servem, não completam, não acolhem, não entendem, me transformo num estranho viajante do mundo de outra pessoa, deixando meus próprios caminhos pra trás.

Tudo isso parece um papo de gente egoísta, que só olha pra si mesmo e não pensa nos outros, mas a realidade é bem diferente. Quando sou um refugiado não encontro lar em lugar nenhum, não consigo conviver com ninguém, não sei qual direção indicar para os que estão ao redor por me perder em meu próprio plano cartesiano. É certo que ainda perdido consigo alcançar alguns destinos, mas certamente não alcançarei os mais importantes. Fugir de tudo isso apenas me transforma em um refugiado de mim mesmo, sem lar nem direção, caminhando a esmo em um deserto estranho que ninguém pode ver.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Juventude de plástico

Meus amigos são todos iguais: somos produto de um fordismo estranho, intrínseco da geração que veio anos após esse meio de produção.

- Eu não sei o que é intrínseco cara, do que você tá falando?! E fordismo... Engoliu um dicionário agora?

Meu orgulho maior na vida é o telefone (que faz tudo, e bem raramente, ligações) da maçãzinha que carrego no pescoço como a medalha de guerra que o vovô tem na parede. 

Eu não ligo para o que você pensa, curte minha foto?

Ler jornal? Jornal é coisa de velho, suja minhas mãos e minha roupinha que custa mais do que o seu salário. Você vive no passado, fica aí com esse celular que só faz ligações... Aprendi a ler na frente de uma tela, conversando com aquela menininha gata que eu conheci semana passada. Não sei conjugar verbos, mas de xaveco eu entendo!

"-Como você se define?" (...)

Como assim você quer conversar pessoalmente? Eu tenho whatsapp, sabia?

Mamãe sempre me dá dinheiro pra sair, mas eu não ligo pro quanto ela e o papai trabalhem pra me sustentar... sempre tive tudo o que eu quis. Nunca ouvi um não do meu pai. Ele acha que eu não faço nada de errado! Quero é sumir dessa casa o mais rápido possível, morar sozinho deve ser demais!

Ninguém olha nos meus olhos, só a câmera do meu smartphone, mas eu quero um amor pra vida inteira! Ele tem que ser lindo, rico, perfeito como o moço daquele filme... e eu não vou mudar não!
Você acha que eu vou dar o braço a torcer?
Vou procurar minha felicidade com o próximo! A fila anda!

Eu não sei o que é um joelho ralado, mas perdi todas as minhas vidas no Candy Crush... o que vou fazer agora?

MÃE ME COMPRA UM SMARTPHONE NOVO?

Ah, ele não serve pra ser meu amigo, olha a roupa que ele veste!

Pra quê ficar me matando de estudar? Estudo não dá futuro e eu não preciso saber escrever nem fazer equação do segundo grau pra ser alguém na vida. Vou reclamar o máximo que puder sobre meu emprego no Facebook e esperar que dinheiro caia diretamente do céu pra minha conta bancária.

Pô cara, não gosto de falar dessas coisas não, eu não penso em morrer tão cedo. Sou jovem e cheio de vida! Vamos mudar de assunto ae...

Foi minha avó que me criou sabe? Meus pais estavam ocupados demais trabalhando pra me comprar esse tênis e os outros cinco que estão no meu quarto...

Só consigo pensar em mim e em minha mente fechada, em minhas teimosias intelectuais, em meus achismos e em nada mais. Eu quero aparecer, ter 500 curtidas na minha foto do Insta e mais de mil seguidores no Twitter, pra acompanhar minha vida vazia, sem significado, só pra satisfazer meu ego. O meu e o de toda a juventude de plástico que anda comigo.

Dedico a todos os menores de idade, sabendo que nem toda juventude é/foi de plástico. A meu ver, assim caminha a humanidade. Temos um futuro dependente de egos inflados e corações vazios, ou melhor, cheios de vaidades.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Qualquer dia desses

São dias como o de hoje que realmente me viram do avesso. Tão surpreendente a vida, não acha? Quem esquece da brevidade da vida ou diz que não é bela só faz isso por que nunca aprendeu a admirar o caos e o potencial que ele carrega.
Achei que hoje seria um dia lindo, suave, mesmo que cheio de compromissos inadiáveis. Aí choveu. Esfriou. Bem do jeito que acontece na minha mente às vezes, sem explicação. O dia todo choveu; choveu o tempo todo na minha mente. Furacões e tornados passaram por lá e todas as ideias foram parar em lugares errados.

Uma ideia encontrou lugar fixo em algum canto do meu coração, querendo ficar por lá pra sempre, mas essa é a ideia que está mais longe da realidade.
Outra ideia se dissolveu com toda a chuva, seus pedacinhos saíram rolando em meio a enxurrada e foram parar em um canto incômodo da minha existência. Tenho certeza que essa não se vai tão cedo, mas está tão dissolvida que não será possível voltar a ser o que era.
Uma outra ainda, ficou por muito tempo em seu lugar de destaque, dançou comigo várias vezes e foi muito bom. Mas agora, alguns quilômetros virtuais e outros bem reais parecem ser o maior obstáculo pra que essa ideia permaneça.
Uma última ideia apareceu há poucos dias e revirou todas as outras. Tão inocente, tão misteriosa e tão concreta que a chuva de hoje não conseguiu arrastar, ensopar ou dissolver.

Mas a chuva de hoje me fez pensar em muitas outras coisas. Como é bom ter amigos em dias sofridos e como isso pode fazer a diferença, como é contagiante a alegria (ainda que em meio ao desespero), como é estranho que a chuva caia sobre todos, sendo você rico, pobre, leal, ordinário ou infiel.

Acho que esse blog está virando realmente um blog. É necessário. Esses são dias que merecem ser documentados, lembrados e estudados. Minhas muitas opiniões e impressões também, afinal, qualquer dia desses eu mudo de vez. Mudo e viro à esquerda ou à direita. Quem sabe não resolvo escolher a ideia que está longe da realidade e seguir rumo a ela. Por enquanto é o mais sensato a fazer. Ou o mais louco, quem sabe?!

sábado, 15 de junho de 2013

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo...
Daquele amor desesperado
Daquele palpite intrometido
Da insensatez de adolescente

Foram-se os tempos de infância
nos quais podia ser quem eu queria ser,
escrever como queria escrever
brincar sem ter preocupações futuras.
Tempos que eram tão simples,
tão mais humildes,
tão menos influenciáveis pelas opiniões alheias,
sem tanta tecnologia,
apenas os corações eram conectados.

Foram-se os tempos de adolescente,
a hipérbole eterna,
as paixões desesperadas,
as amizades eternas de dois meses,
as melhores risadas,
os melhores anos...
Foram-se os complexos de feiura,
as choradeiras irremediáveis,
as reclamações sem motivo.
Foi-se o tempo de todo o exagero característico.

Foi-se o tempo em que uma grande sensatez tomou conta de mim,
o tempo em que achava que estava no controle,
no qual achei que fosse dona de mim.
É preciso aceitar que acabou o tempo da nostalgia.
Acabou o tempo em que acreditava cegamente.
O tempo do questionamento,
do lamento,
da reivindicação chegou!

Soltem as granadas,
liberem os pensamentos,
chamem um psiquiatra:
nasce mais um adulto em uma sociedade doente!

sábado, 20 de abril de 2013

Quantas lágrimas ainda cabem nos seus olhos?

Chorei.
Não sei quantas lágrimas ainda cabem nos meus olhos.

Chorei pelo plano frustrado, pelo tempo perdido e pela falta de planejamento. Chorei pela atitude desesperada de gente que não sabia mais lidar com tamanho peso nos ombros. Desabei tudo o que me pesava sobre outras pessoas que já tinham fardos suficientes.

Chorei pela morte, pelo que tirou de mim e pela paz que deixou, pela sua sedução constante nessa minha personalidade melancólica e solitária. Não quero ir ao seu encontro, mas às vezes ela me chama pra dançar nos contos do Poe, nas músicas nostálgicas de antigamente e no próprio lamento que provoca.

Chorei pela falta de conduta, por causa de atitudes de gente mesquinha, que não tinha nada se não a arrogância. Pelos que perdem a cabeça quando ganham poder, pelos que estão cegos buscando acima de tudo ajuntar pedaços de papel em contas bancárias que serão insignificantes daqui a 100 anos.

Chorei pela falta de auto estima, mas isso foi há tempos, ainda era uma menina... hoje as lágrimas não merecem mais esse motivo. Cresci e chorei pela falta de beleza na alma de quem me cercava.

Chorei pela minha ausência que você não sentiu e, se sentiu, fez questão de disfarçar. Chorei pelo cansaço de correr atrás de tudo e de todos, por começar conversas desanimadas com gente que não estava disposta a receber meu amor.

Chorei pela sua ausência no meu dia, por não ser surpreendida. Chorei por que as coisas me pareciam tão difíceis, tão impossíveis a cada dia que eu tinha medo de desabar.

Chorei pela criança que passou do meu lado sem esperança e mais lágrimas vieram por que nada fiz. Chorei pelo homem que viveu seu dia sem pensar no que está fazendo e pela moça que passou pelas ruas se esquivando, evitando ser vista. Chorei por que milhares, milhões sofrem muito mais do que imagino e continuo aqui, sem fazer absolutamente nada a respeito. Por que corações como o meu batem sem nenhuma razão especial, por que olhos como os meus não enxergam um futuro promissor e a falta de oportunidades está em todos os lugares. Chorei por esse mundo que deveria ser desfeito, queimado, destruído e esquecido por que já foi absolutamente contaminado pela ganância do homem.

Chorei pela criança que perdeu a infância trabalhando, sem nenhuma brincadeira, nenhum lar. Chorei pelos adolescentes sem personalidade, levados pelos ventos de modismos sem se preocupar com as consequências do que fazem. Chorei pelo jovem que nada espera do futuro. Chorei ainda pelo adulto que trabalha exaustivamente durante a semana sem se lembrar de sua família, de seus ideais e de sua alma. Chorei pelo idoso que não teve amparo, que foi abandonado como se a sua sabedoria de vida não lhe valesse nada e como se as coisas que viveu não tivessem construído história.

Através do encontro de novas forças ainda existe sensibilidade em mim. Não sei quantas lágrimas ainda cabem nos meus olhos, mas as chorarei.Todos os dias e noites, até se esgotarem no lugar onde elas simplesmente não existirão.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Permita-me sofrer

Um dia desses eu paro de ser nostálgica. Juro que paro de lembrar das coisas que passaram. Pararei de idealizar coisas para o futuro. Um dia eu aprendo a ser normal... ou aprendo a ser mais louca.
Sendo mulher, ser emocional, aprendi que disciplina também se aplica aos sentimentos. Sofrer por algo que não tem volta é puro sentimentalismo. Quase que masoquismo.
Mas quem é que nunca se permitiu sofrer? Quem nunca ficou remoendo um velho sentimento, aquela ofensa ou aquele perdão dado mas que não foi esquecido?
Que atire a primeira pedra quem nunca teve seu período de luto sentimental. De desilusão com a vida. De expectativa frustrada. Atire!
Qual a mulher que nunca se martirizou, ao menos um pouquinho, pela sua aparência? Qual o homem que nunca se martirizou, ao menos um pouquinho, pela falta de atitude ou o excesso dela? Quem é livre pra dizer que não possui ao menos um grande arrependimento na vida?
A moda é ser feliz e obrigar todo mundo a saber. A moda é prosperar, seja por teologias, seja por lavagem de dinheiro, seja por qualquer outro tipo de maracutaia envolvendo poder. Felicidade é consumir, é poder comprar ainda que essa compra endivide o sujeito até o pescoço. Estranhamente compartilhar se tornou um fardo e dialogar virou perda de tempo.
Precisa-se, neste mundo de grandes sorrisos amarelos, que o sofrimento seja permitido. Que seja degustado de maneira saudável, por que de um modo estranho, sofrer nos move. Faz com que exista a fé de que algo será diferente. Faz com que a luz no fim do túnel seja vista.
Permita-me sofrer um pouquinho. Em breve te encontro onde não vai ter choro, nem sofrimento, nem culpa, nem arrependimentos. Onde não há dores. Onde o aperto no peito não existirá. Onde não será permitido sofrer... então, deixe-me aproveitar os minutos que restam. Hoje durmo chorando, sofrendo. Amanhã acordo com a alegria que o dia vai trazer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Histórias pra contar

Eu não sou boa em contar histórias. Talvez eu jamais seja boa nisso. No entanto, hoje eu sei, no fundo da minha alma, que eu preciso contar a vocês as histórias de dois homens. Serão reais, serão criados? Será que algum deles me lê? Cabe a vocês imaginar.

A história do primeiro é um resumo de sua personalidade, a história do segundo, o resumo de uma noite.

O primeiro homem era casado e pai, bem sucedido. Tinha sua casa, sua família, sua vida estabelecida. Frequentava a igreja regularmente, possuía responsabilidades dentro dela, era exemplo ali, principalmente para os jovens. Falava com propriedade sobre as coisas de Deus, despertava sentimentos de ação no coração dos jovens que o ouviam. Queria ver e fazer as coisas acontecerem. Isso é um perigo quando a satisfação do ego é mais importante do que a ação. E esse homem desconhecia a base de tudo sobre o que falava: o amor. Achava que o amor era uma simplesmente entregar algum dinheiro para realizar as coisas, achava que sua imagem de doador financeiro era o que inspirava amor e que o prestígio que possuía ali estava muito bem, obrigado. Esse homem não sabia que, para suas palavras fizessem sentido, precisava amar as pessoas fora do ambiente congregacional. Não sabia respeitar seus empregados. Quem estava abaixo era destinado a ser pisado. Será? Era desonesto em seus negócios. Ele achava que se falasse sobre as coisas do céu seria absolvido do inferno. Achava que o amor sobre o qual falava era uma coisa seletiva, em que amaria apenas pessoas que o amassem e pessoas que poderiam servir no futuro. Pessoas que o ajudariam a manter a sua imagem. Ele não era o primeiro e infelizmente não seria o último a pensar assim.

O segundo homem não possuía nada, vivia pelas ruas, não sabia o que era ter um teto assegurado sobre sua cabeça. Bebia constantemente e não conseguia ver muito sentido nas coisas desta vida. Em uma noite, meio fora de sua consciência ainda, entrou em uma igreja. Ele não estava limpo, nem se apresentava como se tivesse um milhão de dólares, mas os homens que estavam ali o receberam, o acomodaram. Ele foi recebido dignamente, como qualquer um dos outros que estavam ali. Quando as pessoas começaram a sair, ele esperou. Não por que ainda estivesse bêbado, mas por que precisava falar com quem estava dirigindo o culto. Disse-lhe obrigado, pois não costumavam tratá-lo daquele jeito nos lugares onde entrava. Estava habituado a ser tratado de qualquer jeito e a ser impedido de entrar em templos por causa de sua aparência.

Esses dois homens não teriam nada em comum, exceto a presença em um mesmo lugar, na mesma noite, talvez. Um deles sabia teoricamente sobre o amor, o outro experimentou brevemente o amor.

É improvável que quaisquer destes homens leiam esta postagem, mas quero deixar um recado ao primeiro homem. Se você fala com tanta propriedade sobre Deus, sabe quão incalculável é o seu amor. Você deve ter experimentado uma fração desse amor. Ame as pessoas que fazem parte dos seus dias, não apenas aos frequentadores do templo. Não se comporte como um publicano. Pare de depositar seu amor no dinheiro, conta bancária não compra lugar no céu nem te faz mais santo. Resumidamente, tenha um pouco de dignidade naquilo que diz. Não estou te mandando ao tribunal, nem declarando meu ódio a você, mas há um Deus acima desse mundo, e Ele é justo. Você mesmo disse, lembra? Nunca fiz questão de parecer perfeita, Deus sabe disso. Eu erro. Demais. Não consigo amar as pessoas completamente, não consigo sair da minha bendita área de conforto, não busco a Deus como eu queria. Ele sabe que eu não sou hipócrita. Eu tenho a tendência ao exagero, mas acredito que você existe. Se você estivesse na porta da igreja e ninguém estivesse vendo, você receberia o segundo homem?

Deus sabe como eu me irrito com hipocrisia. Todos temos vários lados de uma personalidade, mas possuir duas é completamente diferente. Não entendo o porquê de querer parecer santo aos olhos da sociedade. O prestígio dos homens não interessa. Os aplausos são passageiros. Dinheiro não compra consciência tranquila, apesar do que a sociedade tenta nos ensinar. Infinitamente melhor é quem admite que erra e se arrepende do que quem diz nunca errar.

Esqueci de ligar meu filtro de eufemismo hoje novamente. Acho que estou ganhando a batalha da sinceridade, e posso me sentir muito melhor. E se eu incomodei você que me lê, estou feliz. Significa que estou saindo da zona de conforto. Que não escrevo para massagear egos feridos. Agora escrevo para deixar inquietude. Bagunça que só você pode arrumar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Veio setembro e eu já nem me lembro

Esse, mais uma vez, não é um post comum aos daqui, mas como sempre, tem aquele fundo de 'diferentedomundo', por que está cheio das minhas opiniões e de quem eu sou...
Agosto terminou do modo mais terrivel que poderia. Estou desorientada até agora. Infelizmente não posso vomitar tudo o que está dentro de mim aqui, e eu estou dizendo isso substancial e literalmente. Só mesmo Deus pra poder me entender agora, por que nem eu mesma entendo. Sim, Ele me dá muito mais coisas do que eu mereço, mas agora, como sempre, prefiro trocar esse meu fardo pelo Dele, que é suave.
Suave, há quanto tempo não sei o que é isso? Eu não sei. Talvez eu reclame demais, mas sou assim. Preciso mudar. Deve ser tanta coisa que eu não disse que está estocada na minha cabeça, somando as fórmulas e os acontecimentos revoltantes.
Ocorreu-me agora que, se eu, um simples ser humano, pequena e simples demais pra ser notada, tenho tamanha revolta contra as injustiças, como Deus se sente em face delas? Tenho medo ao pensar isso, por que, se em Seu caráter eterno não existisse a misericórdia e o amor, com certeza todos estaríamos mortos, sem direito a explicações ou arrependimentos. Lembrar e agradecer a Deus por ser alguém misericordioso é fundamental, por que, realmente, de boa, eu já teria sido atingida por um raio ou algo do gênero se não fosse isso. Mas agora, mais do que nunca, quero pensar Nele como um Deus irado com a injustiça. Irritadíssimo, mas no controle de tudo. Por que se eu, uma simples nada em face de tudo, já fico com vontade de vomitar, imagino qual é a reação do Senhor do Universo em relação a tudo isso. É por isso que deixo a vingança nas mãos Dele, "Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo." (Hb. 10.30-31) E agora, eu simplesmente não sinto mais nada, estou completamente entorpecida, não tenho ideia de como reagir.


Parafraseando a música, veio setembro e eu já nem me lembro motivos pra não chorar.
E agora, ao fim, me dou ao direito de parafrasear e cantar bem alto outra música: "O maior dos Espíritos habita em mim, eu sou a casa que Ele escolheu para morar, por causa disso, já posso suportar!"

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Criando polêmica

Hoje estreia o último filme de Harry Potter, e ontem assistindo o primeiro eu lembrei que na época o questionamento era sobre o filme fazer apologia à feitiçaria às crianças ou influenciá-las de um jeito ruim para a formação do caráter delas. Minha opinião sempre foi de que isso era pura besteira.

Eu percebi que, se você assiste o primeiro filme vai notar claramente a diferença entre as crianças da época e as de hoje. Passaram-se 10 anos, e não por Harry Potter construiu-se o caráter das crianças daquela geração, mas, se pode ver claramente que as gerações são completamente diferentes uma da outra. Eu era da geração de crianças que assistiu Harry Potter pelos 10/11 anos. Tinha 09 anos quando o primeiro filme foi lançado e 10 quando assisti, um ano a menos que a idade dos protagonistas no filme. Achei o filme fantástico e não me senti influenciada a praticar feitiçaria ou a buscar praticar o mal, até por que, o mal não prevalecia no filme; o mal estava enfraquecido, quase tinha sido vencido mas ainda existia. E é claro que nenhuma criança de 10 anos (na época da MINHA infância) pensaria que o mal poderia vencer. Posso dizer que não me influenciou de maneira negativa. 

Fundamentalistas e descendentes da Era Medieval podem ver o filme como invenção do demônio, má influência, uma maneira de ensinar magia para as crianças e blablabla. Já ouvi de tudo nessa vida... Na Era Medieval, queimavam-se pessoas por acreditar que fossem bruxas, por serem canhotas, por pensarem, talvez. Hoje, o que fazemos é demonizar toda e qualquer cultura que não esteja inserida nas quatro santas e incorrupitíveis paredes da Igreja. 

O que eu quero perguntar em relação ao filme é: qual a diferença entre um filme que mostra crianças em uma escola e retrata do dia a dia delas, do meio em que estão inseridas, mas misturando fantasia; de um filme com um ogro verde que é mal-educado e aprende a ser sociável? Entendam bem: os dois filmes são fantasiosos e contribuem no aprendizado das crianças. Não sou psicóloga ou algo do gênero, mas já fui criança. Meu caráter já foi construído. O que resta perguntar é se vale a pena privar valores mostrados em filmes como esse e criar crianças alienadas, que não tenham interesse em pensar no que está por trás das cenas, em pensar nos diálogos do filme e na intenção do que é mostrado.

Então me vem a pergunta que realmente importa: o que as crianças de hoje estão fazendo aos 10-11 anos? Quais são as coisas que ocupam a cabeça das crianças? Quando eu tinha 10 anos minha preocupação era andar de bicicleta, desenhar e fazer a lição de casa. A geração de hoje está preocupada com suas aulas extracurriculares, com a cobrança dos pais, com a falta de tempo para brincar com outras crianças, com o próximo lançamento no mundo dos videogames. São crianças alienadas, sem tempo para brincar, com as mesmas preocupações dos adultos e muito menos experiência para lidar com elas. Aos 10-11 anos vivem 5-6 horas por dia no mundo virtual, com pouquissíma experiência social, não sabendo portanto, cultivar relacionamentos. Aos 12-13 anos namoram sem propósito. Qual o propósito de namorar aos 12 anos de idade? Bom, se a pretenção é casar com 18... pode ser que dê resultado.

Concluindo as ideias, criar uma geração de crianças alienadas, preocupadas, depressivas parece normal. O que parecia coisa de outro mundo era um filme que mostrava crianças mantendo relacionamentos saudáveis, lidando com seus pequenos problemas (que pareciam gigantes diante de suas fragilidades) e misturando um universo de fantasia, próprio da imaginação infantil.

domingo, 8 de maio de 2011

Está tudo errado!

Está errado, não podem estar certas essas coisas!

Primeiro que eu não nasci pra fazer declaração pra ninguém. Não é da minha natureza tomar as rédeas da situação. Talvez eu faça as poesias só porque eu realmente sinto e não consigo me calar, mas isso não faz das minhas poesias e dos meus textos declarações. Está errado! Na literatura medieval, as cantigas expressavam o amor inatingível por uma mulher, declarava-se a perfeição dela, mas está errado! Garanto que alguma coisa de esquista a tal mulher perfeita e inatingível tinha: celulite, estria, mau-hálito, nariz grande... Estava errado! Também tinhas as tal Cantigas de Amigo, que eram na verdade para os namorados, noivos ou maridos. Tudo errado! Pelo menos falavam da saudade que elas sentiam deles; implorando para que a natureza, as amigas, a mãe ou a Lua o trouxesse de volta. Ah, a Lua, está tão majestosa hoje mesmo sendo só metade... Só a Lua tem a capacidade de ser resplandecente e de certa forma completa sem a sua metade. E eu continuo aqui, nesse mundo do avesso, tentando achar razão pra tudo nessa imperfeição danada!

Está errado! É nessas horas que eu penso seriamente em desistir de vestibular, de carreira e sair por aí com uma mochila nas costas; sair por aí simplesmente pra conversar com as pessoas, aprender delas, solucionar conflitos, mas nunca sozinha. Ou então montar uma barraquinha pra vender coco na praia. É, sem preocupações com o metabolismo celular na mitose. Nessas horas da noite, pós reflexão, esperando pra começar mais uma semana com uma rotina maçante e magnifíca, eu penso em pessoas que não se importam mais comigo. Aliás, eu lembro daquelas que eu deixei de me importar também; por que, no final das contas, viver é relacionar-se e... o que eu estou fazendo? Está tudo errado de novo!

Falta conhecimento de mim, falta relacionamento, falta amor, carinho e compaixão. Falta gritar e sacudir o infeliz que julga o outro, por que.. VOCÊ NÃO TEM O DIREITO! Falta gritar o meu direito, o seu; falta conscientizar. Falta colocar razão em muitas cabecinhas de vento (como a minha um dia já foi). Falta você que nunca lê o que eu escrevo. Falta aquela bendita promessinha que tarda a se cumprir, mas que vem, ah ela vem sim, dia ou outro estará aí. Falta Deus no coração das pessoas, sim! Ele não entra em lugar algum sem ser convidado, ou melhor: talvez Ele esteja no coração das pessoas, mas é impedido quando tenta agir através de algumas delas. É muita falta, está tudo errado!

Dúvidas respondidas, conceitos reinventados, reviravolta nas situações inusitadas que agora não mais acontecem uma vez ao ano, mas uma vez por semana! Meu ritmo é acelerado, muitas vezes mais que meu coração possa acompanhar, e eu só peço calma. Vá devagar, por que tudo que é depressa demais faz mal. Por favor, me entenda um pouco, desacelere e tente andar comigo; por que o resto eu sei, está tudo errado.

sábado, 19 de março de 2011

Perfeito!

Uma das coisas que aprendi nesses meus 'anos de conscientização' é que nada que podemos enxergar é perfeito. E isso me deixava extremamente desolada no começo. Sério! Acho que tenho um pouco desse tal perfeccionismo. Mas não! As coisas não são pefeitas!

Se você que está lendo é mulher, sabe do que estou falando. Seu rosto vai ter sempre espinhas, cravos, rugas, pêlos fora da sobrancelha e você NUNCA terá tudo como as pessoas vendem na TV, nas revistas pra você. Não, você nunca se livrará da sua celulite, da sua estria, nem da sua barriga. Não, o seu cabelo não vai deixar de enbranquecer (descobri que já tenho um fio de cabelo branco e estou cultivando ele! haha) e você não poderá parar as rugas com maquiagens ou cremes. Eu sei que é triste, mas é a realidade. Eu ficava me martirizando, pensando que não cuidava o suficiente de mim ou que eu é que não tinha jeito mesmo; mas agora aprendi que nada disso é verdade. Não se pode ser relapso, mas nunca será perfeito.

Outra coisa que me tirava do sério era quando eu via noticiários ou quando as pessoas começavam a gastar demais em algo que eu não via a mínima importância. Destruía meu conceito de que o mundo um dia poderia ser perfeito, sem pessoas passando necessidade, sem pessoas perdidas, sem pessoas tristes. Um mundinho de uma cor só e sem desequilibrios. E então, hoje eu entendi que todas essas coisas estão no mundo por que tem que estar, mas nós não devemos ficar acomodados por causa disso. Desigualdades, gastos exagerados, indiferença, ignorância e preconceito farão parte do mundo sempre, mas eu não posso estar incluída nisso, eu preciso, sinto a necessidade de ser diferente e na maioria das vezes eu não sou. Isso me frustra mais do que não realizar o mundo perfeito.

E por último, o mais complicado e mais delicioso: PESSOAS! Nenhuma delas é perfeita, todos erram e estão sujeitos a cair. Como eu posso criticar, argumentar ou até mesmo julgar alguém por não ser perfeito se eu não sou, não fui nem nunca serei? Talvez só no dia em que seremos para sempre Como eu posso deixar de amar alguém por que este tem algum defeito? Eu poderia deixar de amar alguém que errou? Milhares de vezes pessoas deixariam de me amar se assim fosse. Se alguém te parece perfeito, você ainda não o conhce completamente. E o mais lindo, absoluto é conseguir amar as pessoas que você sabe que não são perfeitas! Experimente, tente.

Não há mundo perfeito, a graça do mundo está nas imperfeições, nos imprevistos e nos detalhes. Se não fosse assim nossa rotina nos massacraria. E quem acha que todo dia é igual é por que ainda não aprendeu a prestar atenção no mundo ao seu redor e nas pequenas coisas que o rodeiam. Só há um Perfeito, e os nossos olhos não podem vê-lo, mas nosso coração e nosso espírito podem senti-lo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Já posso suportar


Eu sigo em frente nessa estrada eterna com cicatrizes tão profundas quantas as que um arado deixa na terra.
Muita pressão está sobre minhas pernas, 
com lágrimas nos olhos que se conta uma história bela.
Quantas vezes parei porque cansei, quantas vezes chorei porque tive medo,
Quantas vezes, nem sei quantas vezes, meu bom Senhor, só tu sabe quantas vezes...
Meus ombros sangram por causa das feridas que nele se abriram  esse é o preço por carregar o peso do concílio
mas eu não desisto, não vou largar no chão a Arca da Aliança
pois a Marca da Promessa está sobre minha testa;
meus pés inchados doem de tanto caminhar
mas vou continuar pois tenho lutas para travar,
deixa sangrar, pois a força que está em mim já pode suportar!

As dores do mundo, já posso suportar
as guerras e aflições, já posso suportar
pela força que em mim está
já posso suportar, já posso suportar, já posso suportar
O maior dos espíritos habita em mim
eu sou a casa que Ele escolheu para morar
por causa disso, já posso suportar

No final de tudo eu vou poder dizer que lutei o combate, acabei a carreira, guardei a fé
hei de terminar minha batalha em pé um dia desses que eu não sei ao certo qual é
.
Isso acontecerá, até lá não deixarei de acreditar
que maior é o que está em mim do que o que está no mundo
sendo assim enfrento tudo
tornou-se limpo o imundo
excluído agora é aceitável
por trás desse sufrágio imaginável
é o que ainda se reserva
pros que crêem, maravilhas e vitórias dignas de um Rei
então buscarei, quantas vitórias eu puder lhe dedicarei
por seu intermédio é que as obtive, mesmo nos dias de crise, dias infelizes,
trarei o recordo que Deus vive e não está morto
seu espírito habita meu corpo, eu estou nele e Ele em mim por isso eu canto!

Eu sei que as aflições, e tribulações que passo aqui
jamais vão se comparar com a glória que há de se revelar!

E ouvi uma grande voz do Céu que dizia
"Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens
pois com eles habitará e eles serão seu povo
e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus
e Deus limpará de seus olhos toda lágrima
e não haverá mais morte, nem pranto nem clamor, nem dor
porque já as primeiras coisas são passado"

Essa é uma canção dedicada a todos que trazem em suas mentes e em seus corpos dores sobre-humanas
pessoas que ficaram paraplégicas em acidentes
pessoas que perderam filhos prematuramente
pessoas que cumprem penas longas e até mesmo injustas.
Essa é uma canção pra todos que estão em guerra
guerra contra doenças, guerra contra a falta de empregos, guerras com a falta de paz na sua casa,
guerras internas, conflitos existenciais,
mas Deus é mais, creia!
Em 1ªJo, capítulo 4, verso 4 está escrito:
"Maior é o espírito que está em nós do que o que está no mundo"
É por causa desse espírito que nós podemos suportar,
O espírito que um dia esteve encarnado entre nós na pessoa de Jesus Cristo,
foi levado até uma cruz e moído num madeiro,
sangrou, chorou por você,
nós somos as criaturas pelas quais Jesus chorou.
E por causa Dele e do seu sangue numa cruz é que nós podemos suportar as dores, as guerras e as aflições.
Então a Ele cantemos, a Ele agradecemos.

Já posso suportar - Apocalipse 16

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quem entenderá?

Quem são essas pessoas estranhas em minhas fotos?
Quem são esses rostos tão conhecidos e ao mesmo tempo tão distantes?
Quem é essa que usa minhas roupas, tem o cabelo tão parecido com o meu, mas que eu não reconheço mais?

Quem é essa menina que não fala nada mas tem tantas opiniões?
Quem é aquela menina que sempre é imparcial?
Aquela menina que nunca grita com ninguém, quem é ela?
Por que ela é tão esquisita?
Porque ri descontroladamente de vez em quando?
Quem os outros pensam que ela é, uma menininha quieta e bem comportada?
Pensam que ela não sabe do que gosta, ou não sabe no que acreditar?
Acho que pensam que ela acredita em tudo, será mesmo?
Qual a imagem que fazem dela?
Pensam que é tão profunda como uma poça d'água?
Será mesmo que ela se importa com as opiniões dos outros?

Afinal de contas, a minha história é aquela que eu vivi ou aquela que sonhei?
Minha vida são meus planos ou só o que eu conquistei?
Qual o limite entre bancar o Sherlock Holmes e ser completamente maluco?
Onde está a separação entre o mundo que criamos e o que vivemos?

Qual a diferença entre realizar e planejar?
Qual a diferença entre os sonhos e o real?
Por que eu tenho tantos sonhos com a mesma pessoa e isso faz tudo mais difícil?

E, se alguém sabe essas respostas, qualquer uma, por que é que eu é que tenho que descobrir tudo sozinha?!

sábado, 13 de novembro de 2010

Pesa-me.

Hoje, me pesa a caneta na mão como a vida do paciente ao médico.
Pesa-me a solidão, tragando-me para um abismo traiçoeiro de alucinações e fantasias.
Pesa-me o tempo: o tic-tac dos relógios num frenesi louco, num nunca parar.

Pesam-me as responsabilidades, as universidades e até mesmo as vaidades...

Pesa-me a dor do oprimido, o grito enclausurado no peito de quem não o diz. NÃO!
Pesa o desejo de fazer o que é bom, de redimir-se.
Pesa o ódio contra injustiças e a tristeza dos injustiçados, ao mesmo tempo que o desejo de consertar tudo.
Pesa-me a saudade de tudo aquilo que teve tanto potencial mas que nunca aconteceu.
Pesam lágrimas que não chorei para parecer forte.
Os gestos que não fiz, não por falta de espontaneidade, mas para não desapontar os outros e esquecendo de mim.

Pesa o medo de que eu me transforme em aparência.

O medo de estar eternamente só pesa quase mais que tudo.
O desejo de ser compreendida.

Pesa-me o luto ou a saudade dos que não se foram, mas se ausentaram e não voltam mais.

As escolhas que tive que fazer até aqui.
Pesa essa acomodação infernal que me persegue.
Pesa a verdade, o amor e a vida. O dever de continuar respirando sobre a Terra.
Pesa a vontade de ser diferente, mas se não disser tudo o que pesa em mim,
isso pesará tanto, mas tanto que não sei se posso conseguir.

Agora que os pesos se foram naquele que pagou o preço por mim, posso respirar.
Ser leve.
Quem sabe voar?!

domingo, 19 de setembro de 2010

Um (des)contentamento.

É um descontentamento tão grande com a grande maioria das coisas.
É um nojo inevitável de hipocrisia, sou eu.
Não vou negar que sou um grande monte de nada, mas é bem por aí.
Por que eu sou assim, não exijo dos outros o que eu mesma não faço.
Não venha me falar de comunhão, de amizade, de comprometimento se você não vive nada disso.
Eu não vou te ouvir.

Olha, digo que esse descontentamento está ficando cada vez maior.
Quer dizer, eu sou assim mesmo,
não consigo corrigir ninguém.
Não venha me dizer que eu não tenho senso crítico ou que eu sou quieta,
definitivamente, só Deus sabe dos meus pensamentos.
Tento sim, ser o exemplo.
Infelizmente, às vezes ser não é o suficiente pro resto do mundo.
Eu choro quando vejo que as pessoas não compreendem por que estão aqui,
por que Deus as fez desse jeito e por que Ele quer que elas mudem naquilo que elas estão mais acostumadas a fazer errado. (EU TAMBÉM!)

Educação com gente que não demonstra,
submissão com gente que não merece,
silêncio quando alguém está sendo injustiçado.
Olha, isso aí é cada vez mais frequente.
Será que eu era cega e não enxergava o que está tão perto a ponto de me engolir?!

Somos todos iguais, grandes pedaços de nada. Mas veja só, Deus nos amou!
Ele nos amou, pagou o preço pra ficarmos com futilidades?
Jesus sofreu pra que a gente ficasse sentado só sendo servido?
Pra fazer distinção de pessoas?
Pra nos distrair nos fins de semana em que não temos nada melhor pra fazer?
O nome disso é farisaísmo, me desculpe.

Deus nos amou! Quando ainda tínhamos todos esses montes de defeitos!

É melhor deixar todos os outros fatos de lado,
por que, afinal, se Deus acreditou no ser humano, quem sou eu pra desacreditar?
Digo que, Deus sabe, às vezes eu desacredito. Penso que tudo está mesmo indo pro buraco e nada mais tem jeito. Então, sou consolada com o amor de Deus. Nunca me abandonará.

Estou cansada, meu descontentamento com todas as coisas é enorme.
Felizmente, o amor me invadiu; o amor construiu minhas pontes indestrutíveis que me levam pra onde eu quero estar.

Isso tudo foi só uma dose de ácido, de ira.
É preciso fazer o teclado queimar sob os meus dedos de vez em quando.
Hoje foi a vez, vamos ver como será o final.