Chorei.
Não sei quantas lágrimas ainda cabem nos meus olhos.
Chorei pelo plano frustrado, pelo tempo perdido e pela falta de planejamento. Chorei pela atitude desesperada de gente que não sabia mais lidar com tamanho peso nos ombros. Desabei tudo o que me pesava sobre outras pessoas que já tinham fardos suficientes.
Chorei pela morte, pelo que tirou de mim e pela paz que deixou, pela sua sedução constante nessa minha personalidade melancólica e solitária. Não quero ir ao seu encontro, mas às vezes ela me chama pra dançar nos contos do Poe, nas músicas nostálgicas de antigamente e no próprio lamento que provoca.
Chorei pela falta de conduta, por causa de atitudes de gente mesquinha, que não tinha nada se não a arrogância. Pelos que perdem a cabeça quando ganham poder, pelos que estão cegos buscando acima de tudo ajuntar pedaços de papel em contas bancárias que serão insignificantes daqui a 100 anos.
Chorei pela falta de auto estima, mas isso foi há tempos, ainda era uma menina... hoje as lágrimas não merecem mais esse motivo. Cresci e chorei pela falta de beleza na alma de quem me cercava.
Chorei pela minha ausência que você não sentiu e, se sentiu, fez questão de disfarçar. Chorei pelo cansaço de correr atrás de tudo e de todos, por começar conversas desanimadas com gente que não estava disposta a receber meu amor.
Chorei pela sua ausência no meu dia, por não ser surpreendida. Chorei por que as coisas me pareciam tão difíceis, tão impossíveis a cada dia que eu tinha medo de desabar.
Chorei pela criança que passou do meu lado sem esperança e mais lágrimas vieram por que nada fiz. Chorei pelo homem que viveu seu dia sem pensar no que está fazendo e pela moça que passou pelas ruas se esquivando, evitando ser vista. Chorei por que milhares, milhões sofrem muito mais do que imagino e continuo aqui, sem fazer absolutamente nada a respeito. Por que corações como o meu batem sem nenhuma razão especial, por que olhos como os meus não enxergam um futuro promissor e a falta de oportunidades está em todos os lugares. Chorei por esse mundo que deveria ser desfeito, queimado, destruído e esquecido por que já foi absolutamente contaminado pela ganância do homem.
Chorei pela criança que perdeu a infância trabalhando, sem nenhuma brincadeira, nenhum lar. Chorei pelos adolescentes sem personalidade, levados pelos ventos de modismos sem se preocupar com as consequências do que fazem. Chorei pelo jovem que nada espera do futuro. Chorei ainda pelo adulto que trabalha exaustivamente durante a semana sem se lembrar de sua família, de seus ideais e de sua alma. Chorei pelo idoso que não teve amparo, que foi abandonado como se a sua sabedoria de vida não lhe valesse nada e como se as coisas que viveu não tivessem construído história.
Através do encontro de novas forças ainda existe sensibilidade em mim. Não sei quantas lágrimas ainda cabem nos meus olhos, mas as chorarei.Todos os dias e noites, até se esgotarem no lugar onde elas simplesmente não existirão.
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sábado, 20 de abril de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Histórias pra contar
Eu não sou boa em contar histórias. Talvez eu jamais seja boa nisso. No entanto, hoje eu sei, no fundo da minha alma, que eu preciso contar a vocês as histórias de dois homens. Serão reais, serão criados? Será que algum deles me lê? Cabe a vocês imaginar.
A história do primeiro é um resumo de sua personalidade, a história do segundo, o resumo de uma noite.
O primeiro homem era casado e pai, bem sucedido. Tinha sua casa, sua família, sua vida estabelecida. Frequentava a igreja regularmente, possuía responsabilidades dentro dela, era exemplo ali, principalmente para os jovens. Falava com propriedade sobre as coisas de Deus, despertava sentimentos de ação no coração dos jovens que o ouviam. Queria ver e fazer as coisas acontecerem. Isso é um perigo quando a satisfação do ego é mais importante do que a ação. E esse homem desconhecia a base de tudo sobre o que falava: o amor. Achava que o amor era uma simplesmente entregar algum dinheiro para realizar as coisas, achava que sua imagem de doador financeiro era o que inspirava amor e que o prestígio que possuía ali estava muito bem, obrigado. Esse homem não sabia que, para suas palavras fizessem sentido, precisava amar as pessoas fora do ambiente congregacional. Não sabia respeitar seus empregados. Quem estava abaixo era destinado a ser pisado. Será? Era desonesto em seus negócios. Ele achava que se falasse sobre as coisas do céu seria absolvido do inferno. Achava que o amor sobre o qual falava era uma coisa seletiva, em que amaria apenas pessoas que o amassem e pessoas que poderiam servir no futuro. Pessoas que o ajudariam a manter a sua imagem. Ele não era o primeiro e infelizmente não seria o último a pensar assim.
O segundo homem não possuía nada, vivia pelas ruas, não sabia o que era ter um teto assegurado sobre sua cabeça. Bebia constantemente e não conseguia ver muito sentido nas coisas desta vida. Em uma noite, meio fora de sua consciência ainda, entrou em uma igreja. Ele não estava limpo, nem se apresentava como se tivesse um milhão de dólares, mas os homens que estavam ali o receberam, o acomodaram. Ele foi recebido dignamente, como qualquer um dos outros que estavam ali. Quando as pessoas começaram a sair, ele esperou. Não por que ainda estivesse bêbado, mas por que precisava falar com quem estava dirigindo o culto. Disse-lhe obrigado, pois não costumavam tratá-lo daquele jeito nos lugares onde entrava. Estava habituado a ser tratado de qualquer jeito e a ser impedido de entrar em templos por causa de sua aparência.
Esses dois homens não teriam nada em comum, exceto a presença em um mesmo lugar, na mesma noite, talvez. Um deles sabia teoricamente sobre o amor, o outro experimentou brevemente o amor.
É improvável que quaisquer destes homens leiam esta postagem, mas quero deixar um recado ao primeiro homem. Se você fala com tanta propriedade sobre Deus, sabe quão incalculável é o seu amor. Você deve ter experimentado uma fração desse amor. Ame as pessoas que fazem parte dos seus dias, não apenas aos frequentadores do templo. Não se comporte como um publicano. Pare de depositar seu amor no dinheiro, conta bancária não compra lugar no céu nem te faz mais santo. Resumidamente, tenha um pouco de dignidade naquilo que diz. Não estou te mandando ao tribunal, nem declarando meu ódio a você, mas há um Deus acima desse mundo, e Ele é justo. Você mesmo disse, lembra? Nunca fiz questão de parecer perfeita, Deus sabe disso. Eu erro. Demais. Não consigo amar as pessoas completamente, não consigo sair da minha bendita área de conforto, não busco a Deus como eu queria. Ele sabe que eu não sou hipócrita. Eu tenho a tendência ao exagero, mas acredito que você existe. Se você estivesse na porta da igreja e ninguém estivesse vendo, você receberia o segundo homem?
Deus sabe como eu me irrito com hipocrisia. Todos temos vários lados de uma personalidade, mas possuir duas é completamente diferente. Não entendo o porquê de querer parecer santo aos olhos da sociedade. O prestígio dos homens não interessa. Os aplausos são passageiros. Dinheiro não compra consciência tranquila, apesar do que a sociedade tenta nos ensinar. Infinitamente melhor é quem admite que erra e se arrepende do que quem diz nunca errar.
Esqueci de ligar meu filtro de eufemismo hoje novamente. Acho que estou ganhando a batalha da sinceridade, e posso me sentir muito melhor. E se eu incomodei você que me lê, estou feliz. Significa que estou saindo da zona de conforto. Que não escrevo para massagear egos feridos. Agora escrevo para deixar inquietude. Bagunça que só você pode arrumar.
A história do primeiro é um resumo de sua personalidade, a história do segundo, o resumo de uma noite.
O primeiro homem era casado e pai, bem sucedido. Tinha sua casa, sua família, sua vida estabelecida. Frequentava a igreja regularmente, possuía responsabilidades dentro dela, era exemplo ali, principalmente para os jovens. Falava com propriedade sobre as coisas de Deus, despertava sentimentos de ação no coração dos jovens que o ouviam. Queria ver e fazer as coisas acontecerem. Isso é um perigo quando a satisfação do ego é mais importante do que a ação. E esse homem desconhecia a base de tudo sobre o que falava: o amor. Achava que o amor era uma simplesmente entregar algum dinheiro para realizar as coisas, achava que sua imagem de doador financeiro era o que inspirava amor e que o prestígio que possuía ali estava muito bem, obrigado. Esse homem não sabia que, para suas palavras fizessem sentido, precisava amar as pessoas fora do ambiente congregacional. Não sabia respeitar seus empregados. Quem estava abaixo era destinado a ser pisado. Será? Era desonesto em seus negócios. Ele achava que se falasse sobre as coisas do céu seria absolvido do inferno. Achava que o amor sobre o qual falava era uma coisa seletiva, em que amaria apenas pessoas que o amassem e pessoas que poderiam servir no futuro. Pessoas que o ajudariam a manter a sua imagem. Ele não era o primeiro e infelizmente não seria o último a pensar assim.
O segundo homem não possuía nada, vivia pelas ruas, não sabia o que era ter um teto assegurado sobre sua cabeça. Bebia constantemente e não conseguia ver muito sentido nas coisas desta vida. Em uma noite, meio fora de sua consciência ainda, entrou em uma igreja. Ele não estava limpo, nem se apresentava como se tivesse um milhão de dólares, mas os homens que estavam ali o receberam, o acomodaram. Ele foi recebido dignamente, como qualquer um dos outros que estavam ali. Quando as pessoas começaram a sair, ele esperou. Não por que ainda estivesse bêbado, mas por que precisava falar com quem estava dirigindo o culto. Disse-lhe obrigado, pois não costumavam tratá-lo daquele jeito nos lugares onde entrava. Estava habituado a ser tratado de qualquer jeito e a ser impedido de entrar em templos por causa de sua aparência.
Esses dois homens não teriam nada em comum, exceto a presença em um mesmo lugar, na mesma noite, talvez. Um deles sabia teoricamente sobre o amor, o outro experimentou brevemente o amor.
É improvável que quaisquer destes homens leiam esta postagem, mas quero deixar um recado ao primeiro homem. Se você fala com tanta propriedade sobre Deus, sabe quão incalculável é o seu amor. Você deve ter experimentado uma fração desse amor. Ame as pessoas que fazem parte dos seus dias, não apenas aos frequentadores do templo. Não se comporte como um publicano. Pare de depositar seu amor no dinheiro, conta bancária não compra lugar no céu nem te faz mais santo. Resumidamente, tenha um pouco de dignidade naquilo que diz. Não estou te mandando ao tribunal, nem declarando meu ódio a você, mas há um Deus acima desse mundo, e Ele é justo. Você mesmo disse, lembra? Nunca fiz questão de parecer perfeita, Deus sabe disso. Eu erro. Demais. Não consigo amar as pessoas completamente, não consigo sair da minha bendita área de conforto, não busco a Deus como eu queria. Ele sabe que eu não sou hipócrita. Eu tenho a tendência ao exagero, mas acredito que você existe. Se você estivesse na porta da igreja e ninguém estivesse vendo, você receberia o segundo homem?
Deus sabe como eu me irrito com hipocrisia. Todos temos vários lados de uma personalidade, mas possuir duas é completamente diferente. Não entendo o porquê de querer parecer santo aos olhos da sociedade. O prestígio dos homens não interessa. Os aplausos são passageiros. Dinheiro não compra consciência tranquila, apesar do que a sociedade tenta nos ensinar. Infinitamente melhor é quem admite que erra e se arrepende do que quem diz nunca errar.
Esqueci de ligar meu filtro de eufemismo hoje novamente. Acho que estou ganhando a batalha da sinceridade, e posso me sentir muito melhor. E se eu incomodei você que me lê, estou feliz. Significa que estou saindo da zona de conforto. Que não escrevo para massagear egos feridos. Agora escrevo para deixar inquietude. Bagunça que só você pode arrumar.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Veio setembro e eu já nem me lembro
Esse, mais uma vez, não é um post comum aos daqui, mas como sempre, tem aquele fundo de 'diferentedomundo', por que está cheio das minhas opiniões e de quem eu sou...
Agosto terminou do modo mais terrivel que poderia. Estou desorientada até agora. Infelizmente não posso vomitar tudo o que está dentro de mim aqui, e eu estou dizendo issosubstancial e literalmente. Só mesmo Deus pra poder me entender agora, por que nem eu mesma entendo. Sim, Ele me dá muito mais coisas do que eu mereço, mas agora, como sempre, prefiro trocar esse meu fardo pelo Dele, que é suave.
Suave, há quanto tempo não sei o que é isso? Eu não sei. Talvez eu reclame demais, mas sou assim. Preciso mudar. Deve ser tanta coisa que eu não disse que está estocada na minha cabeça, somando as fórmulas e os acontecimentos revoltantes.
Agosto terminou do modo mais terrivel que poderia. Estou desorientada até agora. Infelizmente não posso vomitar tudo o que está dentro de mim aqui, e eu estou dizendo isso
Suave, há quanto tempo não sei o que é isso? Eu não sei. Talvez eu reclame demais, mas sou assim. Preciso mudar. Deve ser tanta coisa que eu não disse que está estocada na minha cabeça, somando as fórmulas e os acontecimentos revoltantes.
Ocorreu-me agora que, se eu, um simples ser humano, pequena e simples demais pra ser notada, tenho tamanha revolta contra as injustiças, como Deus se sente em face delas? Tenho medo ao pensar isso, por que, se em Seu caráter eterno não existisse a misericórdia e o amor, com certeza todos estaríamos mortos, sem direito a explicações ou arrependimentos. Lembrar e agradecer a Deus por ser alguém misericordioso é fundamental, por que, realmente, de boa, eu já teria sido atingida por um raio ou algo do gênero se não fosse isso. Mas agora, mais do que nunca, quero pensar Nele como um Deus irado com a injustiça. Irritadíssimo, mas no controle de tudo. Por que se eu, uma simples nada em face de tudo, já fico com vontade de vomitar, imagino qual é a reação do Senhor do Universo em relação a tudo isso. É por isso que deixo a vingança nas mãos Dele, "Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo." (Hb. 10.30-31) E agora, eu simplesmente não sinto mais nada, estou completamente entorpecida, não tenho ideia de como reagir.
Parafraseando a música, veio setembro e eu já nem me lembro motivos pra não chorar.
E agora, ao fim, me dou ao direito de parafrasear e cantar bem alto outra música: "O maior dos Espíritos habita em mim, eu sou a casa que Ele escolheu para morar, por causa disso, já posso suportar!"
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