É estranho como ciclos se renovam na vida da gente. Na verdade, é magnífico. Sempre existe renovação à espreita, sempre há a chance de recomeçar e de corrigir velhos erros. Por vezes é exaustivo, é verdade, mas eu sempre precisei de novas chances. Atire a primeira pedra de 2018 quem nunca precisou.Tenho tanto pra dizer, contar de tanto que aprendi, de tanto que ainda falta aprender...
Em 2017 foi necessário ter muita paciência, afinal, não é todo ano que tem 3 finais de semestre pra te trazer aquela sensação de semi morte depois de cada prova e trabalho. 3 de janeiro e eu já estava lá, fazendo prova inclusive. Não me perguntem, eu não sei como deu certo. A cada tarefa entregue a gente jura que não vai mais aguentar fazer nada e que vai morrer ali mesmo, do lado de fora da sala de prova. Mas uma força, um motor sobrenatural te puxa pra cima e te faz focar de novo e terminar trabalhos às 4 da manhã. Você cria metas impossíveis e às vezes as cumpre. Quando não consegue só vai do jeito que conseguiu mesmo. E a vida segue mesmo assim, só percebi agora que completei todos os créditos de matérias e dia 20 de dezembro me faltaram o TCC e o estágio pra que as burocracias todas atestassem minhas habilidades de formanda em engenharia civil.
Vez ou outra a gente conhece uns professores decentes, que são como pais de jornada acadêmica pra você. Tive o privilégio de conhecer novos professores nesse último ano e mais ainda, redescobrir junto com alguns, a graça de lecionar. Apesar de começos cheios de nervoso, estresse e cansaço, redescobri mestres dentro de pessoas que só precisavam voltar a olhar os alunos como eles são: limitados, mas esforçados. Esforços esses (malditos esforços!) me renderam aprovações em matérias que eu jurava que seriam impossíveis. Quando se é mestre, é muito necessário olhar o trabalho de seus alunos com compaixão e atenção. Deus sempre me mostrou que esforço é recompensado, mesmo quando a pessoa que acredita em você nem é você. Deus me mostrou quão eficaz pode ser a oração para transformar meu próprio coração e olhar para o próximo com compaixão e sim, isso no ambiente acadêmico principalmente. Qualquer espécie de ranço ou ódio por atitudes questionáveis de mestres foi substituído por entendimento e quando era mais difícil mudar o sentimento, por compaixão. Afinal, todos nós erramos e temos momentos de fraqueza. Por vezes, a lição não é aprendida no meio da briga, mas no abraço que sobra no fim dela. Saio da presença dos mestres com o coração agradecido, leve e preparado para a jornada a seguir, encontrando neles o apoio da transformação profissional de uma garota que não fazia ideia do que era ser engenheira, mas agora vislumbra essa profissão. Não desistir em nada, ainda que pareça sem esperanças, foi a minha recompensa, o meu aprendizado na graduação em 2017. Não teria conseguido sozinha, mas os agradecimentos seguem em breve ainda nesse mesmo textão.
Também foi o ano de presenciar pessoas competentes demais entregando trabalhos de conclusão de curso que eram sensacionais. Ao mesmo tempo em que uma onda inexplicável de orgulho e gratidão invadiam o meu coração, outra onda de saudade e nostalgia batia e fazia de mim uma pessoa estranha, sem muita reação em relação a tudo que estava acontecendo. Mas nossa, como foi ótimo conviver com tantas pessoas maravilhosas durante esses 5 anos de graduação, ter encontrado minha família perdida, que foi suporte, apoio e colo. O meu TCC ficou pra 2018, pra ser terminado com calma, com cuidado. Esse sempre tinha sido o plano, de qualquer jeito.
Nunca fui uma pessoa fácil de lidar, tenho minhas mil limitações e nem todo mundo é capaz de entender e aceitar algumas delas. Por muitos motivos me entristeci com distanciamentos, me senti rejeitada, me senti triste de verdade. Apesar de muitas vezes eu ser o lugar onde as pessoas encontrassem descanso, tantas vezes era eu quem precisava parar. Era eu quem precisava de colo quando oferecia consolo para os outros. Felizmente, Deus sempre esteve lá. Ele sempre foi minha paz e me mostrou através de músicas bonitas, através de pessoas que me abraçavam do nada, através de inúmeras demonstrações de seu amor e de sua graça sobre mim.
Mesmo sendo essa estranha criaturinha desse mundo, em 2017 eu me despedi de 2 lares. Foram 2 mudanças sofridas em um único ano. Na metade de 2017, eu estava ali, dissolvendo uma parceria de quase 4 anos, uma parceria que tinha dado certo em inúmeras maneiras. Eu não simplesmente dividia apartamento, eu dividia os problemas da vida. E o peso diminuía. E eu fui colo, eu precisei de colo, eu perdi as contas de quantos brigadeiros com chocolate meio amargo foram feitos para incentivar ou curar qualquer coisa, desde provas até cansaços e corações partidos. Eu encontrei uma irmã perdida, ganhei família e inquilina irmã também (alô Amanda). Nosso apartamentinho vivia cheio de gente, cheio de vida, de trabalhos monstruosos sem fim e de euzinha dormindo e lavando louça. Nos dias de mudança, em que eu estava enlouquecida terminando trabalhos, nem deu tempo de relembrar tudo. Nem deu tempo de entender que aquele tempo ia ter fim e que uma das nossas se casaria dali uns dias. Mas agora, olho pra esses dias com a gratidão mais profunda que poderia ter, afinal de contas, foi um período de descobrimento e transformação mútua, onde a gente tinha tanta intimidade uma com a outra a ponto de conseguir dar as broncas mais sinceras e ter os papos mais malucos durante os horários de refeição. Deus foi bom comigo e me proporcionou outro lar, em um período bem curto de tempo, mas intenso de aprendizados e compartilhamentos também. Um lar onde eu aprendi que uma pia de louças pode ter poder pra te fazer começar chorar e é sério, tinha alguma coisa na água daquele lugar. Um lar onde eu tive conversas bem doidas, pontos de vista bem interessantes e carinho, acolhimento sem medida e, de novo, vivência de experiências similares com grande troca de figurinhas durante o processo. Eu só tenho a agradecer às meninas que me proporcionaram a evolução nesses dois lares. Meu coração já morre de saudades de vocês.
Em 2017 também aprendi que pessoas muito diferentes podem sim agregar visões interessantes pra sua vida, mas que é necessário tomar cuidado para não se perder em caminhos que não queria trilhar. É preciso ser grato pelos ensinamentos encontrados no meio das discussões e pela paciência agregada. Também é necessário perceber realidades das quais você não quer participar, máscaras que não quer colocar por já ter sofrido demais pra retirar cada uma delas em algum outro momento da vida. Não importa onde se vá, sempre há uma religiosidade travestida de amor. Não importa onde se vá, há gente oportunista. Não importa onde se vá, existe maldade. O que importa mesmo é ser capaz de trocar as lentes pelas quais se enxerga o mundo. Os sofrimentos envolvidos. A perversidade inerente a cada um, incluindo primeiramente euzinha. É extremamente necessário tentar entender motivos alheios e se eles forem balela, paciência. Às vezes a gente precisa ser egoísta pra ter paz. Às vezes a gente precisa desapegar da ideia de infância de salvar o mundo todo e de que eu seria capaz de transformar pessoas. Não. Não é minha a capacidade de transformar pensamentos, só o amor é. E ainda assim, não é o meu amor. O meu acaba sendo só um reflexo do maior amor do mundo. E eu aceito os erros alheios, as escolhas alheias e as consequências delas por que é necessário que eu aceite os meus primeiro e saiba da necessidade de perdoar, pra minha própria sanidade mental. No fim das contas, sobram textões meus pra esses casos. Sobram orações. Sobra amor, ou ao menos a tentativa dele.
Em 2017 cansei de prometer e não cumprir. Comecei aos poucos. Quando o estresse estava insuportável e eu precisava de algo para sustentar o meu corpo antes que ele não aguentasse mais, descobri que poderia caminhar na USP. Distrair as ideias e melhorar a vida. Não, eu não sou regrada. Não, eu não fazia isso todos os dias.
Aí o inverno chegou. e foi aí que descobri o aplicativo de ioga. Não adotei filosofias, só as "asanas", ou poses, e segui esticando meu corpo. Foi ótimo, consegui manter firme durante 3 meses quase todos os dias. Pretendo voltar, muito em breve; tenho certeza que o meu tapetinho está com saudades. Por fim, no quesito saúde, descobri um jeito inovador de comer salada. Quero voltar a fazer e comer mais saudável. Mas sabe, tem dias que só um hamburger com os amigos tem o poder de restauração da saude mental e do corpo também. (Esse processo tá no limbo desde dezembro. Não voltei a fazer ioga nem a comer salada de um jeito saudável. Desculpa mundo).
A quem interessar possa, 2017 foi sim o ano de celebrar o amor. No inesquecível casamento da amiga, que eu tive o prazer de acompanhar de perto, em relacionamentos cagados que acabaram, em momentos de clareza diante do que era amor e o que era oportunismo, em broncas infinitas e em momentos de carinho comigo mesma. Afinal, o amor próprio era necessário e por vezes eu o deixava de escanteio. No fim das contas, eu estava bem sozinha sim senhor, mas sentia aquela vontadezinha de viver um amorzinho desses leves, que colocam sorriso no rosto da gente e transbordam. No fundo sempre rolava aquela vontadezinha de viver um amor igual aos que foram celebrados em 2017. Eu não imaginava que viveria muito mais do que aquilo, tudo em 2017 mesmo.
No finalzinho do ano, tive a mais grata surpresa de todas. Contrariando as possibilidades, me apaixonei. Eu acho que nunca soube o que era isso de fato, por isso a demora enorme em me soltar, em admitir, em aceitar e compreender um sentimento de que não seria mais só eu. Passei muitos anos confortável em ser eu mesma, não sabia mais como encaixar alguém pra me acrescentar momentos agradáveis na rotina que eu trilharia a partir dali. Como nós dois já tínhamos tido nossas cotas de sofrimento com relacionamentos, aprendemos muito. E aprendemos juntos a cada dia. Eu acho o máximo quando digo que comecei a namorar dois meses antes de "me formar" e que ele mora a mais de 500 quilômetros de mim por que as pessoas me olham com cara de "vocês são doidos". A gente é mesmo. Mais doido de tudo isso é saber que eu posso contar com ele em qualquer momento, por que quando existem notícias boas ele é o primeiro a saber e quando existem notícias ruins ele é o primeiro que me acalma. Ele é o único que consegue me fazer chorar de saudade e alegria ao mesmo tempo. A rotina, o estresse, o trabalho, as outras pessoas e o passar dos dias não afetam o amor, só a distância que faz o toque e o carinho serem um pouco prejudicados, mas isso não importa tanto quando a gente sabe que um dia vai ter fim. Ele tem aprendido a ter paciência comigo e, pelo que sempre escrevi aqui, já se sabe que eu jamais imaginei viver isso. E se sabe o quanto eu sou grata por encontrar quem fosse capaz de transbordar alegria e gratidão na minha vida. Te amo gatinho.
Essa retrospectiva está atrasada faz uns muitos meses, mas está na hora de finalizar. 2018 tem sido um ano louco, com 6000 quilômetros rodados até agora e muitos deles trouxeram lições importantes que talvez sejam compartilhadas também. Acho que o restante das coisas que me aconteceram em 2017 já estão bem registradas aqui e muitas outras precisam ser deixadas pra trás mesmo. Olhando pra frente, tentando buscar otimismo pras mudanças acontecidas em 2018, me despeço com lágrimas (que não me deixam mais) e esperança no futuro, o resto a gente planeja e executa da melhor maneira possível.
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segunda-feira, 16 de abril de 2018
sábado, 11 de junho de 2016
Sobre conectar-se
É engraçado como as coisas acontecem rapidamente agora, como aprendemos desde muito pequenos como conectar-se a uma tela e a um wi-fi. Nascemos sabendo como lidar com teclados, touchscreen, e aparelhos que nos conectam a realidades muito diferentes das que nos rodeiam. Mas eu não quero falar sobre tecnologia hoje. Eu quero falar sobre conectar-se com pessoas. Sim, isso é um relato... meu querido diário
Meu final de semestre tem sido enlouquecedor. Minhas inseguranças a respeito da faculdade tem crescido exponencialmente perante à confusão causada pela paralisação de um grupo de alunos. Eu ando e paro, adianto trabalhos passíveis de adiantamento e fico em casa quando não é possível ir às aulas, que estão ocorrendo normalmente para a Engenharia Civil. Um drama sem fim. Apesar disso, essa semana tive momentos excepcionais, que apreciei muitíssimo, como há muito não fazia. Ganhei de presente conexão com pessoas que amo. Ganhei tempo de qualidade com elas.
Quando se faz faculdade fora da sua cidade de origem, você é obrigado a escolher uma família que amenize a falta que a sua lhe faz. Ao longo de 4 anos já consolidei a minha. É maravilhoso ter pessoas que são completamente diferentes de você e que te amem apesar de todos os defeitos que você tem. Estava em falta com essa família praticamente desde que o semestre começou e essa semana... ah, essa semana foi maravilhosa!
Consegui assistir filmes (um em casa, com direito a pipoca e colchão na sala com cobertas e um no cinema na noite mais fria do ano), gastar tempos de reunião (com direito a berrante e histórias de vestibularQUE EU AMO) e comer pão de queijo em ótimas companhias. Todo o tempo e exatidão que a faculdade me cobra não valem esses momentos. Toda a opressão de uma planilha de notas que me rotula não é posta em questão. Toda a inquietude e incerteza de uma movimentação na universidade não são páreo pra momentos de amor e comunhão como esses. Não conectam meu coração. Não conectam minha alma.
É absolutamente incrível o que meia hora de conversa faz com meus ânimos. É inacreditável o tamanho do amor que consegue ir aumentando a cada dia. Nunca subestime o valor de um passeio rápido, de um pão de queijo com café e conversa, de uma reunião discutindo algo que você dedica seu coração. Pessoas completamente diferentes se conectam a mim, minha alma e meu coração de uma maneira surpreendente. Pessoas que eu aprendi a amar, de fato: com atos, palavras e preocupações. Não subestime a capacidade de reconectar-se a um amigo.
Em tempos de wi-fi, venho utilizando a tecnologia para reconectar-me a pessoas. Reconectar meu coração a elas. Reconectar o que me traz alegria. Reconectar boas lembranças e boas possibilidades de futuro. Ah, como eu estou em dívida com tanta gente... Ah, essa saudade que me desconecta... Mas vou buscando esses momentos de conexão. Vou me esforçando entre os arames farpados, obstáculos e portões que se levantam diante de mim impedindo os encontros.
Só sei que essa foi uma semana gloriosa cheia de conexões mágicas. Um semana cheia de corações buscando caminhos alternativos para carregar suas baterias e não desistir. E eu só consigo ser grata por cada pão de queijo, cada pipoca, cada lanche e sorvete. Sim, essa conexão engorda, sempre vem acompanhada de comidas... é inevitável! Ah, como é bom e agradável viverem unidos os irmãos...da família que mora fora de casa também
Fica aqui a minha singela homenagem aos amados que me privilegiam com suas companhias, com seus segredos, com suas dores e alegrias. Aos que me dão a honra de compartilhar um pouco mais de suas histórias e me fazem confortável para contar as minhas. Em vocês vejo o cuidado de um Pai amoroso. Em vocês vislumbro o próprio Filho através do amor. Em vocês meu coração aquieta e reconecta aos valores importantes pra minha alma.
Meu final de semestre tem sido enlouquecedor. Minhas inseguranças a respeito da faculdade tem crescido exponencialmente perante à confusão causada pela paralisação de um grupo de alunos. Eu ando e paro, adianto trabalhos passíveis de adiantamento e fico em casa quando não é possível ir às aulas, que estão ocorrendo normalmente para a Engenharia Civil. Um drama sem fim. Apesar disso, essa semana tive momentos excepcionais, que apreciei muitíssimo, como há muito não fazia. Ganhei de presente conexão com pessoas que amo. Ganhei tempo de qualidade com elas.
Quando se faz faculdade fora da sua cidade de origem, você é obrigado a escolher uma família que amenize a falta que a sua lhe faz. Ao longo de 4 anos já consolidei a minha. É maravilhoso ter pessoas que são completamente diferentes de você e que te amem apesar de todos os defeitos que você tem. Estava em falta com essa família praticamente desde que o semestre começou e essa semana... ah, essa semana foi maravilhosa!
Consegui assistir filmes (um em casa, com direito a pipoca e colchão na sala com cobertas e um no cinema na noite mais fria do ano), gastar tempos de reunião (com direito a berrante e histórias de vestibular
É absolutamente incrível o que meia hora de conversa faz com meus ânimos. É inacreditável o tamanho do amor que consegue ir aumentando a cada dia. Nunca subestime o valor de um passeio rápido, de um pão de queijo com café e conversa, de uma reunião discutindo algo que você dedica seu coração. Pessoas completamente diferentes se conectam a mim, minha alma e meu coração de uma maneira surpreendente. Pessoas que eu aprendi a amar, de fato: com atos, palavras e preocupações. Não subestime a capacidade de reconectar-se a um amigo.
Em tempos de wi-fi, venho utilizando a tecnologia para reconectar-me a pessoas. Reconectar meu coração a elas. Reconectar o que me traz alegria. Reconectar boas lembranças e boas possibilidades de futuro. Ah, como eu estou em dívida com tanta gente... Ah, essa saudade que me desconecta... Mas vou buscando esses momentos de conexão. Vou me esforçando entre os arames farpados, obstáculos e portões que se levantam diante de mim impedindo os encontros.
Só sei que essa foi uma semana gloriosa cheia de conexões mágicas. Um semana cheia de corações buscando caminhos alternativos para carregar suas baterias e não desistir. E eu só consigo ser grata por cada pão de queijo, cada pipoca, cada lanche e sorvete. Sim, essa conexão engorda, sempre vem acompanhada de comidas... é inevitável! Ah, como é bom e agradável viverem unidos os irmãos...
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Sobre a vida, o universo e tudo mais - inclui 2015
Ando tomando muito café nessas férias... O que me faz escrever textos intermináveis em horários pouco produtivos. Aliás, nos horários mais produtivos de quem está de férias: a madrugada.
Eu não quero relembrar cada pequeno detalhe de 2015 nesse post. Quero apenas deixar claro algumas verdades universais que, por oportunidade do destino, se revelaram a mim durante este longo e impressionante 2015.
Primeiramente, sou muito mais grata por que, analisando esse período de tempo passado, posso dizer que 2015 foi muito mais generoso e bondoso comigo do que eu imaginava. Passei por situações desagradáveis mas ainda assim consegui ver com bons olhos o que o passar do tempo me trouxe.
A loucura de me afundar na faculdade e fazer 34 horas de aula na semana foi algo que posso dizer sinceramente que não me arrependi. Com isso descobri minha nova técnica de estudo e a utilizo desde então: eu acordo de madrugada. Ao invés de insistir no cansaço e estudar até a madrugada, me entrego a ele e após algumas horas de sono estou pronta para começar. Claro que me arrependi algumas vezes de não ter ficado dormindo, mas quem pode me culpar por me preocupar demais com uma prova? O réu que nunca foi julgado, que atire a primeira pedra! Obrigar-me a perder muitas horas de sono e um pouco de qualidade de vida parece loucura, mas no final das contas tudo caminhou para o melhor e estou aqui, viva após dois longos e cansativos semestres com apenas uma recuperação pendente. Acreditem ou não, um ano todo sem nenhuma reprovação é quase um milagre quando seu curso é Engenharia Civil.
Ainda em 2015 aprendi que não é falta de amor ou carinho deixar pessoas viverem suas vidas. Por mais protetora e cuidadosa que eu tente ser com cada um que um dia foi especial pra mim, aprendi que o mundo gira e não sou eu quem o controla. Amizades são mantidas apenas quando ambos desejam que assim seja. Amizades são feitas quando ambos são beneficiados pela presença um do outro. Quando a relação se torna cansativa, entediante e desgastante, por maior que tenha sido a intimidade compartilhada, por maior que seja a consideração, não há nada mais nobre a fazer do que afastar-se. Os bons momentos sempre serão bons, não importa o que venha a acontecer. No entanto, a vida continua e você já não sente mais a obrigação de compartilhar algumas coisas ou se esforçar por outras. Isso não te transforma numa pessoa ruim, apenas em alguém que está preocupado demais com sua própria sanidade. É exatamente nesse momento que você começa a perceber o quanto algumas pessoas se importam com você. O quanto alguns amigos te amam. Quão importante é esse amor para mantermos a integridade da vida. Integridade emocional, psicológica e social. Você percebe esse amor nos pequenos e nos grandiosos atos do dia a dia. Sou muito grata pelas amizades que tenho feito. Acredito que apenas agora, aos 23 anos de idade, eu esteja começando a entender o que um amigo realmente significa. Pessoas que querem apenas que eu seja feliz e que são felizes por que eu faço parte da história delas. Pessoas que amam o que eu faço, independente de todas as outras besteiras e as crises de estresse por causa da faculdade. Pessoas que discutem e mostram quando estou sendo irracional. São essas pessoas que me mostraram o significado de amizade, que me acolheram em suas casas, me fizeram companhia pro almoço, pro jantar, pra reuniões, grupos de pesquisa, cinema e até mesmo pra fazer nada. É para elas o meu maior agradecimento esse ano. Pelas suas ideias geniais de como melhorar meus dias e por serem horríveis em organizar festas surpresas, seja pra mim ou para os outros, por que a gente sempre acaba fazendo alguma coisa que quase faz tudo dar errado no último minuto!
Fiquei extremamente consternada quando me disseram que eu tinha espírito de liderança. Essa característica definitivamente nunca tinha passado pela minha cabeça até que eu talvez a tenha demonstrado em época de necessidade. Espero que eu venha a aprender a conduzir pessoas de maneira gentil e cuidadosa, sendo sempre alguém em que os outros possam confiar e contar para que qualquer projeto ou atividade desenvolvida seja bem sucedida.
Também percebi que quase não chorei. Não sei o que está acontecendo, talvez eu esteja com defeito.
Descobri sobre a vida, o universo e tudo mais nesse ano. Descobri que sou capaz de sentimentos que desconhecia, sentimentos que eu jamais imaginei que carregaria por tanto tempo. Ah, 2015 foi tempo de descobrir que falar a verdade é sempre libertador. Não interessa o quão difícil seja encontrar a coragem para expressar seus sentimentos, essa coragem nos impulsiona a fazer o que é nosso de direito, afinal, é um direito alienável do ser humano arruinar a própria vida. Ou acertá-la. Uma vez que você tenha tido a iniciativa, jamais conseguirá parar. É um alívio finalmente conseguir realizar tal tarefa depois de tanto tempo sofrendo calada. O que me preocupa é o medo eterno de ter me tornado alguém insensível aos sentimentos alheios, que olha egoistamente apenas para os seus. Espero que esse mesmo tempo que me libertou das amarras do silêncio me mostre o quão consolador ele pode ser em alguns casos e que eu tenha o discernimento suficiente para diferenciar cada um deles.
Tive meu coração partido e remendado, em diversas situações. Eu simplesmente não consigo mais mentir. Descobri que grandes reviravoltas fazem da vida algo mais interessante. Confesso que não esperava mudar de rumo, desatar alguns nós e amarrá-los de outra maneira, mas foi melhor assim. O que importa são os bons momentos que sempre sobressaem aos momentos estranhos e de conflito de interesses. Antes que o doce desande, a confeiteira está sempre feliz por estar cozinhando. É lógico que o objetivo da tarefa não é que ela falhe, mas ainda assim, depois da falha sempre sobra um aprendizado. Sempre sobra uma mágoa também, um sentimento de que aquele seria o melhor doce já feito em sua história como confeiteira, mas no fim das contas, desandou. E não há nada que você possa fazer para que isso seja mudado.
Aprendi que dói brincar com os sentimentos alheios. Mas eu já deveria saber por já ter estado do outro lado da história. É cruel. Mesquinho. E machuca ambos os lados.
Incluindo o tudo mais em meu relato, quero dizer que o cinema foi memorável em 2015. Fui com uma frequência muito maior que a de costume ao cinema e digo que sempre associarei o filme às pessoas que me acompanhavam nessa jornada. É algo estranho, porém reconfortante. Destaco três filmes que me fizeram feliz, sendo que eu não ligo a mínima pra opinião alheia em relação a eles. O primeiro foi Mad Max,assistido nos 45 do segundo tempo da exibição, que me fez não conseguir respirar direito na primeira vez que o vi: eu não queria piscar com medo de perder algum detalhe naquela trama bizarramente estranha e impressionante. O segundo foi Jurassic World, que me trouxe à infância novamente, ressuscitando um dos meus filmes preferidos de tal época e revivendo o sentimento de encantamento perante o novo do velho jurássico. Por fim, mas nada menos importante, Star Wars despertou a Força MESMO. Apesar de ser uma fã recente da saga, pude sentir toda a expectativa e o encantamento que rodeavam esse filme e tudo isso foi traduzido em duas horas de um enredo cheio de detalhes e de um amor antigo, renascido para alegria dos fãs. Tanto em Mad Max quanto em Star Wars, o papel de mulheres independentes foi fundamental para o desenvolvimento da trama, o que me deixou particularmente muito feliz. Senhoras e senhores, foi um ano muito bom para o cinema.
Descobri que são realmente as pequenas coisas que importam no dia a dia. Fiz um exercício interessante,e clichê, brega ou qualquer adjetivo similar que você queira acrescentar, de anotar em um papel coisas boas que aconteciam, desde as pequenas até as grandiosas. Coisas como um almoço diferente, um livro, um filme, uma frase ou mesmo coisas mais pessoais e que somente eu saberia ao ler. Coloquei os bilhetes em uma lata e, tamanha minha surpresa ao lê-los, descobri que mais da metade deles remetiam às atitudes simples de pessoas que eu amava. Coisas que se repetiram várias vezes. Detalhes que colocaram um sorriso no meu rosto. A vida é muito mais que grandiosidades: é feita do universo de coisas pequenas, do tudo mais que existe em nós e que oferecemos aos outros.
Para finalizar este relato inconclusivo sobre aleatoriedades, encerro dizendo que já passou da hora da produtividade e eu provavelmente esqueci milhares de coisas. E que, de todos os presentes maravilhosos e cheios de sentimento que ganheiATRASADOS, todos eles nesse meu aniversário, o livro que contém todos os meus textos publicados aqui foi o melhor deles. Suspeito dizer que foi o melhor presente que já ganhei na vida e que meu coração sempre se alegrará ao olhar para ele, ainda que eu não tenha chorado quando o recebi. Só consigo pensar que é impossível focar nos tempos ruins de 2015 quando os tempos bons foram imbatíveis. Quando sei que as amizades consolidadas aqui me trouxeram momentos que eu jamais imaginei. Quando o amor tomou conta e o vento da paz soprou.
Eu não quero relembrar cada pequeno detalhe de 2015 nesse post. Quero apenas deixar claro algumas verdades universais que, por oportunidade do destino, se revelaram a mim durante este longo e impressionante 2015.
Primeiramente, sou muito mais grata por que, analisando esse período de tempo passado, posso dizer que 2015 foi muito mais generoso e bondoso comigo do que eu imaginava. Passei por situações desagradáveis mas ainda assim consegui ver com bons olhos o que o passar do tempo me trouxe.
A loucura de me afundar na faculdade e fazer 34 horas de aula na semana foi algo que posso dizer sinceramente que não me arrependi. Com isso descobri minha nova técnica de estudo e a utilizo desde então: eu acordo de madrugada. Ao invés de insistir no cansaço e estudar até a madrugada, me entrego a ele e após algumas horas de sono estou pronta para começar. Claro que me arrependi algumas vezes de não ter ficado dormindo, mas quem pode me culpar por me preocupar demais com uma prova? O réu que nunca foi julgado, que atire a primeira pedra! Obrigar-me a perder muitas horas de sono e um pouco de qualidade de vida parece loucura, mas no final das contas tudo caminhou para o melhor e estou aqui, viva após dois longos e cansativos semestres com apenas uma recuperação pendente. Acreditem ou não, um ano todo sem nenhuma reprovação é quase um milagre quando seu curso é Engenharia Civil.
Ainda em 2015 aprendi que não é falta de amor ou carinho deixar pessoas viverem suas vidas. Por mais protetora e cuidadosa que eu tente ser com cada um que um dia foi especial pra mim, aprendi que o mundo gira e não sou eu quem o controla. Amizades são mantidas apenas quando ambos desejam que assim seja. Amizades são feitas quando ambos são beneficiados pela presença um do outro. Quando a relação se torna cansativa, entediante e desgastante, por maior que tenha sido a intimidade compartilhada, por maior que seja a consideração, não há nada mais nobre a fazer do que afastar-se. Os bons momentos sempre serão bons, não importa o que venha a acontecer. No entanto, a vida continua e você já não sente mais a obrigação de compartilhar algumas coisas ou se esforçar por outras. Isso não te transforma numa pessoa ruim, apenas em alguém que está preocupado demais com sua própria sanidade. É exatamente nesse momento que você começa a perceber o quanto algumas pessoas se importam com você. O quanto alguns amigos te amam. Quão importante é esse amor para mantermos a integridade da vida. Integridade emocional, psicológica e social. Você percebe esse amor nos pequenos e nos grandiosos atos do dia a dia. Sou muito grata pelas amizades que tenho feito. Acredito que apenas agora, aos 23 anos de idade, eu esteja começando a entender o que um amigo realmente significa. Pessoas que querem apenas que eu seja feliz e que são felizes por que eu faço parte da história delas. Pessoas que amam o que eu faço, independente de todas as outras besteiras e as crises de estresse por causa da faculdade. Pessoas que discutem e mostram quando estou sendo irracional. São essas pessoas que me mostraram o significado de amizade, que me acolheram em suas casas, me fizeram companhia pro almoço, pro jantar, pra reuniões, grupos de pesquisa, cinema e até mesmo pra fazer nada. É para elas o meu maior agradecimento esse ano. Pelas suas ideias geniais de como melhorar meus dias e por serem horríveis em organizar festas surpresas, seja pra mim ou para os outros, por que a gente sempre acaba fazendo alguma coisa que quase faz tudo dar errado no último minuto!
Fiquei extremamente consternada quando me disseram que eu tinha espírito de liderança. Essa característica definitivamente nunca tinha passado pela minha cabeça até que eu talvez a tenha demonstrado em época de necessidade. Espero que eu venha a aprender a conduzir pessoas de maneira gentil e cuidadosa, sendo sempre alguém em que os outros possam confiar e contar para que qualquer projeto ou atividade desenvolvida seja bem sucedida.
Também percebi que quase não chorei. Não sei o que está acontecendo, talvez eu esteja com defeito.
Descobri sobre a vida, o universo e tudo mais nesse ano. Descobri que sou capaz de sentimentos que desconhecia, sentimentos que eu jamais imaginei que carregaria por tanto tempo. Ah, 2015 foi tempo de descobrir que falar a verdade é sempre libertador. Não interessa o quão difícil seja encontrar a coragem para expressar seus sentimentos, essa coragem nos impulsiona a fazer o que é nosso de direito, afinal, é um direito alienável do ser humano arruinar a própria vida. Ou acertá-la. Uma vez que você tenha tido a iniciativa, jamais conseguirá parar. É um alívio finalmente conseguir realizar tal tarefa depois de tanto tempo sofrendo calada. O que me preocupa é o medo eterno de ter me tornado alguém insensível aos sentimentos alheios, que olha egoistamente apenas para os seus. Espero que esse mesmo tempo que me libertou das amarras do silêncio me mostre o quão consolador ele pode ser em alguns casos e que eu tenha o discernimento suficiente para diferenciar cada um deles.
Tive meu coração partido e remendado, em diversas situações. Eu simplesmente não consigo mais mentir. Descobri que grandes reviravoltas fazem da vida algo mais interessante. Confesso que não esperava mudar de rumo, desatar alguns nós e amarrá-los de outra maneira, mas foi melhor assim. O que importa são os bons momentos que sempre sobressaem aos momentos estranhos e de conflito de interesses. Antes que o doce desande, a confeiteira está sempre feliz por estar cozinhando. É lógico que o objetivo da tarefa não é que ela falhe, mas ainda assim, depois da falha sempre sobra um aprendizado. Sempre sobra uma mágoa também, um sentimento de que aquele seria o melhor doce já feito em sua história como confeiteira, mas no fim das contas, desandou. E não há nada que você possa fazer para que isso seja mudado.
Aprendi que dói brincar com os sentimentos alheios. Mas eu já deveria saber por já ter estado do outro lado da história. É cruel. Mesquinho. E machuca ambos os lados.
Incluindo o tudo mais em meu relato, quero dizer que o cinema foi memorável em 2015. Fui com uma frequência muito maior que a de costume ao cinema e digo que sempre associarei o filme às pessoas que me acompanhavam nessa jornada. É algo estranho, porém reconfortante. Destaco três filmes que me fizeram feliz, sendo que eu não ligo a mínima pra opinião alheia em relação a eles. O primeiro foi Mad Max,
Descobri que são realmente as pequenas coisas que importam no dia a dia. Fiz um exercício interessante,
Para finalizar este relato inconclusivo sobre aleatoriedades, encerro dizendo que já passou da hora da produtividade e eu provavelmente esqueci milhares de coisas. E que, de todos os presentes maravilhosos e cheios de sentimento que ganhei
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Sobre saudade
Intraduzível, sentimento intrínseco de qualquer nostálgico
Visita, senta à mesa e me espera para o chá da tarde
Empoeirada,
De cabelos brancos,
Senhorinha simpática essa saudade...
Por vezes permanece ao meu lado
na impossibilidade de um abraço que a mande partir,
na reflexão feita com a cabeça no travesseiro,
na lembrança peculiar de alguém particular.
Por vezes vai embora sem avisar,
me deixa sem peso nenhum na consciência,
me abandona diante do novo,
certifica-se que quando olho no espelho não há ferida no coração.
Mas essa saudade... por vezes é menina,
me chama pra brincar fora de casa,
me faz chorar com sua simplicidade:
eu só queria estar em algum lugar do tempo que não fosse o hoje,
só queria reviver o mesmo momento de novo,
de novo, de novo e de novo...
É arteira, é geniosa essa saudade,
enche minhas frases de reticências,
meus sonhos com imagens infantis e
deixa meu coração mais pesado um pouco,
mais doído, mais aguado,
mas por vezes mais esperançoso.
É tão malandra essa saudade que por vezes me enganou e
apareceu pra mostrar coisas que não foram,
sentou do meu lado pra explicar que não diferencia realidade de imaginação:
o que vivi ou imaginei fazem parte do seu repertório.
Como tudo no mundo, sabe que o tempo faz efeito sobre ela também,
ameniza, dissipa ou enaltece seus traços.
Mas o tempo não consegue destruí-la.
O tempo me fez senti-la indefinidamente,
me fez pensar se o vazio da alma não era saudade.
Percebi que talvez ele fosse,
talvez seja saudade da plenitude vivida antes daqui,
da vontade louca do reencontro e do alívio.
Ah, minha alma e a saudade são melhores amigas...
Visita, senta à mesa e me espera para o chá da tarde
Empoeirada,
De cabelos brancos,
Senhorinha simpática essa saudade...
Por vezes permanece ao meu lado
na impossibilidade de um abraço que a mande partir,
na reflexão feita com a cabeça no travesseiro,
na lembrança peculiar de alguém particular.
Por vezes vai embora sem avisar,
me deixa sem peso nenhum na consciência,
me abandona diante do novo,
certifica-se que quando olho no espelho não há ferida no coração.
Mas essa saudade... por vezes é menina,
me chama pra brincar fora de casa,
me faz chorar com sua simplicidade:
eu só queria estar em algum lugar do tempo que não fosse o hoje,
só queria reviver o mesmo momento de novo,
de novo, de novo e de novo...
É arteira, é geniosa essa saudade,
enche minhas frases de reticências,
meus sonhos com imagens infantis e
deixa meu coração mais pesado um pouco,
mais doído, mais aguado,
mas por vezes mais esperançoso.
É tão malandra essa saudade que por vezes me enganou e
apareceu pra mostrar coisas que não foram,
sentou do meu lado pra explicar que não diferencia realidade de imaginação:
o que vivi ou imaginei fazem parte do seu repertório.
Como tudo no mundo, sabe que o tempo faz efeito sobre ela também,
ameniza, dissipa ou enaltece seus traços.
Mas o tempo não consegue destruí-la.
O tempo me fez senti-la indefinidamente,
me fez pensar se o vazio da alma não era saudade.
Percebi que talvez ele fosse,
talvez seja saudade da plenitude vivida antes daqui,
da vontade louca do reencontro e do alívio.
Ah, minha alma e a saudade são melhores amigas...
domingo, 7 de dezembro de 2014
Sobre esperança em meio a tempos difíceis
Neste sábado aprendi várias coisas interessantes que quero compartilhar aqui.
O dia tão esperado da campanha dos estudantes da Federal e da USP que participam do Natal Solidário chegou. Eu esperava coisas completamente diferentes do que aconteceram. O sol não deu trégua o dia todo e, durante toda a tarde, mais ou menos 150 verdinhos estavam espalhados por São Carlos arrecadando doações para ajudar instituições da cidade. Quantos são daqui? Eu não faço ideia, chuto menos de 1%...
A arrecadação começou. Segui com dois amigos cobrindo uma área de tamanho razoável onde já tínhamos panfletado avisando sobre a arrecadação. No começo, cada casa era uma expectativa, cada pacote de macarrão uma vitória. É engraçado como é possível se envolver tanto com alguma causa a ponto de ficar feliz por cada pequena conquista. Deve ser como quando os pais assistem aos filhos durante a vida. Cada pequeno passo é uma alegria.
Percebi que sempre as casas mais humildes eram as que nos davam sacolas cheias. Das mansões e casarões em que batemos recebemos um "ainda não fiz a despesa do mês" ou um pacote de achocolatado aberto. Contrastando com isso, uma senhora me entregou um pacote de fraldas dizendo que não tinha feito a despesa por que estava com o braço quebrado fazia um tempo. Ela morava nos fundos de uma casa. Outra senhora, em uma casa de tamanho razoável, negou a doação por que estava almoçando e a comida iria esfriar. Muitas outras, de residências humildes, me entregaram litros de óleo, pacotes de macarrão e um Deus abençoe no final. Um senhor fez uma brincadeira com minha amiga e começou a conversar com a gente, perguntando de onde éramos. Disse que trabalhou na região de Americana e conhecia bem as tecelagens. Por fim, desejou boa estadia para nós em São Carlos e nos despedimos dele com a doçura de um pacote de açúcar que nem se comparava à doçura daquele senhor para com a gente. Em uma casa cheia de enfeites de Natal, uma mulher respondeu prontamente e logo me trouxe uma sacola cheia de coisas, me dizendo que havia uma bolacha pra gente no pacote. Eu agradeci e falei que tínhamos bolachas e certamente aquela iria para a pilha de doações.
Chegando ao final do nosso trajeto eu estava extremamente cansada. Quando nossa água acabou, paramos em frente a uma loja de móveis e pedimos água. A moça nos atendeu prontamente, nos deixou entrar até nos fundos da loja e disse para bebermos o quanto fosse necessário. Aquela atitude, por mais simples que fosse, significou muito pra nós. Ser bem recebido em qualquer lugar é sempre algo que acalenta a alma, ainda que seja só pra tomar um copo de água.
No final da tarde existiam muitas considerações em minha cabeça, como sempre. Como é fácil para as pessoas mais humildes doarem, como é difícil para quem tem muito desfazer-se de pouco, como é recompensador fazer algo para ajudar as pessoas que precisam... e é bom rir de si mesmo quando você se encontra perdida em um quarteirão! Os amigos também fizeram o meu dia feliz!
Com tudo isso, recordei que, novamente: antes de qualquer coisa sou um ser humano. Não interessa quantas matérias eu bombei, quanto dinheiro tem na minha conta e muito menos onde eu moro: as lágrimas são sofridas pra todos, um sorriso acalenta qualquer coração e um pacote de feijão pode significar muito mais do que um quilo de alimento não perecível.
Não importa o quão sofrida esteja a vida, quantas dificuldades ainda estejam por vir, quantas derrotas aguardam o tempo passar... nada disso interessa quando você resolve doar um pouco do seu tempo para ajudar quem precisa.
Com o entardecer, o outro compromisso da noite se aproximava e o cansaço ficava mais evidente. A cabeça vermelha de sol, as pernas ardendo e o coração alegre. Foi com o coração alegre que fui adorar Aquele que colocou o amor no meu coração. Foi com o coração leve que pude perceber o que significa comunhão. É sempre no coração do Pai que nos encontramos, conhecendo outros que se encontram por lá, não interessando o lugar onde a reunião acontece. Ali, éramos todos filhos do mesmo Pai, embora as convenções sociais e a timidez me fizessem um pouco desconfortável.
Descobri nesse final de semana, incluindo a visita à creche na sexta que não descrevi aqui, que doar-se faz com que você se identifique primeiro. Traz de volta uma sensação de que você tem uma missão para cumprir. Traz de volta sua fé, tanto em um Pai sempre amoroso, quanto em pessoas que sabem demonstrar esse amor através de ações.
Em meio a tempos difíceis brotou uma esperança que jamais previ. Em meio a tempos tenebrosos, não apenas em relação à faculdade, mas em quase todas as áreas da minha vida; nasceu uma sensação de alívio. Aquela sensação que eu tinha do mundo quando minha idade era parecida com a daqueles pequenos de sexta feira. A sensação de que o mundo poderia ser mudado se existissem pessoas dispostas. A certeza de que essas pessoas existem me fez mais feliz. Papai Noel que me desculpe, mas ele continua sendo um personagem coadjuvante no meu Natal...
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Todos os presentes que eu quero
Quem diria que amanhã completo 21. Grandiosos 21 que deveriam ser comemorados em Las Vegas (alô Maiara!). Então vim aqui fazer uma lista de presentes que quero. Não se engane: nenhum deles pode ser comprado no shopping, no supermercado ou na internet.
Esse calor todo me fez lembrar de uma manhã extremamente fria em São Carlos na qual vi algumas pessoas dormindo na rua. Quero que elas tenham uma casa e que nunca mais passem frio.
Quero que meus sentimentos sejam transmitidos a pessoas que perderam alguém especial da família ultimamente.
Quero que eu seja perdoada pela minha ausência em tantas coisas... Tantas coisas... Sem desculpas pra essa ausência. Apenas me arrependo e peço perdão. Quem ler vai saber que eu estou em falta e eu espero que me perdoe.
Quero um bate papo com todo mundo que algum dia já me rendeu um sorriso. Daqueles que me renderam lágrimas quero um abraço, por que, se algum dia consegui chorar por ou com você, saiba que é muito mais importante pra mim do que quem me fez rir.
Quero que você perdoe aquela pessoa que te fez qualquer mal. Aquela mesmo, que você acabou de pensar. Perdoe e esqueça.
Quero mais churrascos de família, mais festas com os amigos, mais barzinhos descontraídos... e que os ônibus lotados, os choros pela internet e os pequenos papos online em meio à correria do dia a dia tenham seus valores devidamente atribuídos.
Quero mais mestres e menos professores.
Quero me formar pra honrar minha casa, meu Deus, mim mesma. Pra estar ciente de que estou no caminho certo pra mudar meu pedacinho no mundo.
Quero sim um amor pra chamar de meu, um pai pra algum possível filho. Não se engane: sou feliz como sou, aprendi a me amar muito bem, obrigada. Esse presente parece tão distante e surreal, mas é assim que a vida segue e eu não ficarei esperando ela passar!
Quero mais amigos, daqueles de verdade, daqueles que servem só pra rir junto, daqueles que eu sei que posso contar.
Quero muito que as crianças que trabalham possam curtir a infância. Não é justo que responsabilidades venham parar em ombros tão pequenos e na época em que a vida é tão linda e cheia de imaginação.
Quero tantas outras coisas que não custam um centavo... Juro que pensei por muito tempo em algum presente maravilhoso que eu pudesse ganhar amanhã. Por muito tempo pensei e cheguei à conclusão de que todas as coisas que o dinheiro dos outros poderia comprar, nenhuma seria tão valiosa quanto qualquer desses outros presentes.
Quero muito ser feliz! E que não me liguem amanhã das 19 às 21, por que, pra celebrar meu aniversário, farei prova de Geometria Analítica!
Esse calor todo me fez lembrar de uma manhã extremamente fria em São Carlos na qual vi algumas pessoas dormindo na rua. Quero que elas tenham uma casa e que nunca mais passem frio.
Quero que meus sentimentos sejam transmitidos a pessoas que perderam alguém especial da família ultimamente.
Quero que eu seja perdoada pela minha ausência em tantas coisas... Tantas coisas... Sem desculpas pra essa ausência. Apenas me arrependo e peço perdão. Quem ler vai saber que eu estou em falta e eu espero que me perdoe.
Quero um bate papo com todo mundo que algum dia já me rendeu um sorriso. Daqueles que me renderam lágrimas quero um abraço, por que, se algum dia consegui chorar por ou com você, saiba que é muito mais importante pra mim do que quem me fez rir.
Quero que você perdoe aquela pessoa que te fez qualquer mal. Aquela mesmo, que você acabou de pensar. Perdoe e esqueça.
Quero mais churrascos de família, mais festas com os amigos, mais barzinhos descontraídos... e que os ônibus lotados, os choros pela internet e os pequenos papos online em meio à correria do dia a dia tenham seus valores devidamente atribuídos.
Quero mais mestres e menos professores.
Quero me formar pra honrar minha casa, meu Deus, mim mesma. Pra estar ciente de que estou no caminho certo pra mudar meu pedacinho no mundo.
Quero sim um amor pra chamar de meu, um pai pra algum possível filho. Não se engane: sou feliz como sou, aprendi a me amar muito bem, obrigada. Esse presente parece tão distante e surreal, mas é assim que a vida segue e eu não ficarei esperando ela passar!
Quero mais amigos, daqueles de verdade, daqueles que servem só pra rir junto, daqueles que eu sei que posso contar.
Quero muito que as crianças que trabalham possam curtir a infância. Não é justo que responsabilidades venham parar em ombros tão pequenos e na época em que a vida é tão linda e cheia de imaginação.
Quero tantas outras coisas que não custam um centavo... Juro que pensei por muito tempo em algum presente maravilhoso que eu pudesse ganhar amanhã. Por muito tempo pensei e cheguei à conclusão de que todas as coisas que o dinheiro dos outros poderia comprar, nenhuma seria tão valiosa quanto qualquer desses outros presentes.
Quero muito ser feliz! E que não me liguem amanhã das 19 às 21, por que, pra celebrar meu aniversário, farei prova de Geometria Analítica!
quarta-feira, 13 de março de 2013
Diário de bordo de Bruna Marola e Marola
O texto é longo, se a paciência tá curta, nem tente. Se começar, leia até o final. Talvez nem seja interessante, mas senti vontade e ponto. O título é em saudosa memória do programa de infância Mundo da Lua, com o Diário de Bordo de Lucas Silva e Silva.
Dia 11 de março de 2013 foi um dia muito especial. Talvez você tenha ido trabalhar normalmente, talvez tenha ido ao médico ou talvez esse dia tenha sido cheio dos problemas típicos de uma segunda feira. Pra mim, dia 11 de março de 2013 foi o dia em que tudo começou, em que um sonho se tornou realidade. Foi o dia em que vi meu nome completo, mais uma vez, em uma lista de aprovados no vestibular. Mas dessa vez, era possível. Eu iria. Eu vou!
Não queria fazer Engenharia Civil desde pequenininha, quem me conhece um pouco sabe disso. Já passei por várias fases: professora, psicóloga, tradutora, arquiteta... Eu tinha essa ideia mais ou menos formada no final do ensino médio, mas sem saber ao certo por que. O cursinho direcionou meus interesses. Aos poucos fui me apaixonando pela física. A matemática já tinha lugar cativo no meu coração e a química, que eu até gostava, virou um problema. História também. Eu não sabia de nada de nada com 17 anos, no primeiro vestibular. Absolutamente nada da vida, do que significava fazer uma faculdade e etc. Só sabia de uma coisa: é dever do governo me dar um Ensino Superior e, apesar de ter pago o fundamental e o médio, coloquei no coração e na mente que a faculdade teria de ser pública e que eu tentaria entrar nas melhores.
A educação básica foi de inteira despesa dos meus pais, e eu devo isso a eles. Sempre fizeram o melhor que era possível com tudo o que tínhamos, nunca me privaram de coisas importantes e desde pequena me ensinaram o valor do dinheiro e o gosto pelos estudos. Não me orgulho de ter feito tanto tempo de cursinho, é verdade. No entanto, cada centavo da mensalidade saiu do meu bolso, exceto a última, que foi paga por eles em razão do fim do recebimento dos meus benefícios. Dinheiro esse fruto do meu trabalho de meio período que rendeu muitos aprendizados e uma perspectiva muito melhor da vida. Dos 17 aos 19 anos estive trabalhando e fazendo cursinho, prestando vestibular para um curso que estava atrás apenas de Medicina, Arquitetura e talvez Engenharia de Produção.
Confesso que me achava muito maluca em 2012, por que larguei o emprego e caí na vida de estudante em tempo integral. Pense: dois anos de cursinho, mais um semestre e meio o dia todo. Eu estava maluca! Já poderia ter terminado um curso técnico, estar no meio de uma faculdade normal, menos puxada... mas eu estava lá, NO CURSINHO! Tinha dado meu ultimato: em 2013 começaria uma faculdade, nem que fosse no curso de Física! O começo do meu ano letivo (em maio) foi muito difícil. Eu assistia àquelas aulas me perguntando o que estava fazendo ali, me perguntando quantas apostilas eu teria que usar ainda, me perguntando quando o Márcio perderia a paciência e perguntaria: "Mas o que você ainda está fazendo aqui?!".
Mas o ser humano é adaptável. E eu não sou de desistir fácil. Depois das férias as coisas começaram a melhorar, eu comecei a me enturmar melhor e ver que ansiedade e desespero não eram só minhas características, mas de muita gente boa que estava por lá. Depois de estudar até não poder mais, chegou a época das provas. Todo mundo extremamente maluco. Ao prestar o Enem eu só pensava que tinha que acertar o máximo de questões que fosse possível, nem que isso me rendesse dores de cabeça e de coluna. Por experiência própria: a cada ano que passa você fica mais nervoso, se cobra muito mais, mas faz a prova mais confiante.
Os resultados chegaram, nem tão bons quanto eu imaginava. O Enem estava razoável, a Unesp também, mas a Unicamp e a USP não estiveram dentro das minhas expectativas. Da USP eu nem liguei, de verdade, mas da Unicamp eu fiquei completamente arrasada por não ter ido pra segunda fase. Absolutamente. Chorei durante a noite em que o resultado saiu e só fui pro cursinho no dia seguinte por que precisava devolver uns cadernos de revisão. Passei o final do ano completamente destruída por isso, por que era a Unicamp que eu sempre desejei, mas fui barrada antes de ter a chance de tentar de novo. Meus pais choraram comigo. Mas é bom lembrar que só depois de destruir alguma coisa é que se enxerga o potencial da reconstrução.
Fiz a segunda fase da Unesp, fui bem na prova, mas também não deu. Antes mesmo de saber disso, acabei deixando a segunda opção do Sisu na FURG, em Rio Grande, Rio Grande do Sul. E passei. Foi um período difícil. Eu não sabia o que fazer. Perderia a chance de entrar em uma faculdade Federal por falta de grana? Por que era muito longe? Por que meus pais não queriam? Entrei em desespero várias e várias vezes, até que me conformei com a situação e entreguei tudo nas mãos de Deus. Ele saberia onde me colocar e quando me colocar. A minha parte estava feita, meu melhor eu tinha dado.
Foi-se o churrasco dos aprovados, com todo aquele pessoal maravilhoso ingressando nos melhores cursos do Brasil bem na época do meu desespero. Fiquei MUITO feliz por cada um deles, o esforço tinha sido recompensado. Eu falava: ah, vamos ver na Ufscar né, quem sabe? Se não der vou pra Unimep mesmo...
Então, mais de um mês depois, chegou dia 11 de março. Depois que eu sosseguei meus medos na presença do Pai, depois que eu aprendi a me amar, depois que eu aprendi a ser sincera, depois que eu resolvi me abrir para a vida e as situações inusitadas dela, vi meu nome na última lista de chamada antes do começo das aulas na Ufscar. Foi maravilhoso. Não consigo descrever a sensação. Só quem já passou por isso sabe como é.
Não quero lhes contar essa história toda com a finalidade de me exaltar. Jamais. Quero que através dela alguém talvez se identifique, talvez alguém se encoraje, talvez alguém tenha histórias pra contar também. Quero ouvir todas elas!
Não desistir disso foi a melhor atitude que já tomei na vida. Apesar de ter uma vida toda, 20 anos de Americana, descobri que algumas coisas precisam ser deixadas pra trás. Outras não me abandonarão. Outras ainda me reencontrarão no futuro, eu sei disso. Sei que muitas coisas difíceis me encontrarão nesse caminho, mas o que eu achava que era meu sonho ficou pra trás. O que ficou pro futuro foi o sonho de Deus pra mim, por que eu não imaginava, não esperava nada disso. Agora preciso correr contra o relógio, mas que corrida mais maravilhosa é essa! Ser a primeira da casa a ter um diploma universitário. Ser talvez (família gigante, sabe como é) a primeira da família a se formar em uma Federal. É algo muito mais maravilhoso do que eu jamais imaginei. Quem semeia com lágrimas nos olhos, colhe os frutos no tempo certo. E eu digo mais: quem estuda muito com uma caneca de café do lado, apesar das dores de cabeça e do cansaço mental, vai ser bom profissional no futuro. Vai entrar nas melhores faculdades e ser diferença neste mundão de meu Deus!
Dia 11 de março de 2013 foi um dia muito especial. Talvez você tenha ido trabalhar normalmente, talvez tenha ido ao médico ou talvez esse dia tenha sido cheio dos problemas típicos de uma segunda feira. Pra mim, dia 11 de março de 2013 foi o dia em que tudo começou, em que um sonho se tornou realidade. Foi o dia em que vi meu nome completo, mais uma vez, em uma lista de aprovados no vestibular. Mas dessa vez, era possível. Eu iria. Eu vou!
Não queria fazer Engenharia Civil desde pequenininha, quem me conhece um pouco sabe disso. Já passei por várias fases: professora, psicóloga, tradutora, arquiteta... Eu tinha essa ideia mais ou menos formada no final do ensino médio, mas sem saber ao certo por que. O cursinho direcionou meus interesses. Aos poucos fui me apaixonando pela física. A matemática já tinha lugar cativo no meu coração e a química, que eu até gostava, virou um problema. História também. Eu não sabia de nada de nada com 17 anos, no primeiro vestibular. Absolutamente nada da vida, do que significava fazer uma faculdade e etc. Só sabia de uma coisa: é dever do governo me dar um Ensino Superior e, apesar de ter pago o fundamental e o médio, coloquei no coração e na mente que a faculdade teria de ser pública e que eu tentaria entrar nas melhores.
A educação básica foi de inteira despesa dos meus pais, e eu devo isso a eles. Sempre fizeram o melhor que era possível com tudo o que tínhamos, nunca me privaram de coisas importantes e desde pequena me ensinaram o valor do dinheiro e o gosto pelos estudos. Não me orgulho de ter feito tanto tempo de cursinho, é verdade. No entanto, cada centavo da mensalidade saiu do meu bolso, exceto a última, que foi paga por eles em razão do fim do recebimento dos meus benefícios. Dinheiro esse fruto do meu trabalho de meio período que rendeu muitos aprendizados e uma perspectiva muito melhor da vida. Dos 17 aos 19 anos estive trabalhando e fazendo cursinho, prestando vestibular para um curso que estava atrás apenas de Medicina, Arquitetura e talvez Engenharia de Produção.
Confesso que me achava muito maluca em 2012, por que larguei o emprego e caí na vida de estudante em tempo integral. Pense: dois anos de cursinho, mais um semestre e meio o dia todo. Eu estava maluca! Já poderia ter terminado um curso técnico, estar no meio de uma faculdade normal, menos puxada... mas eu estava lá, NO CURSINHO! Tinha dado meu ultimato: em 2013 começaria uma faculdade, nem que fosse no curso de Física! O começo do meu ano letivo (em maio) foi muito difícil. Eu assistia àquelas aulas me perguntando o que estava fazendo ali, me perguntando quantas apostilas eu teria que usar ainda, me perguntando quando o Márcio perderia a paciência e perguntaria: "Mas o que você ainda está fazendo aqui?!".
Mas o ser humano é adaptável. E eu não sou de desistir fácil. Depois das férias as coisas começaram a melhorar, eu comecei a me enturmar melhor e ver que ansiedade e desespero não eram só minhas características, mas de muita gente boa que estava por lá. Depois de estudar até não poder mais, chegou a época das provas. Todo mundo extremamente maluco. Ao prestar o Enem eu só pensava que tinha que acertar o máximo de questões que fosse possível, nem que isso me rendesse dores de cabeça e de coluna. Por experiência própria: a cada ano que passa você fica mais nervoso, se cobra muito mais, mas faz a prova mais confiante.
Os resultados chegaram, nem tão bons quanto eu imaginava. O Enem estava razoável, a Unesp também, mas a Unicamp e a USP não estiveram dentro das minhas expectativas. Da USP eu nem liguei, de verdade, mas da Unicamp eu fiquei completamente arrasada por não ter ido pra segunda fase. Absolutamente. Chorei durante a noite em que o resultado saiu e só fui pro cursinho no dia seguinte por que precisava devolver uns cadernos de revisão. Passei o final do ano completamente destruída por isso, por que era a Unicamp que eu sempre desejei, mas fui barrada antes de ter a chance de tentar de novo. Meus pais choraram comigo. Mas é bom lembrar que só depois de destruir alguma coisa é que se enxerga o potencial da reconstrução.
Fiz a segunda fase da Unesp, fui bem na prova, mas também não deu. Antes mesmo de saber disso, acabei deixando a segunda opção do Sisu na FURG, em Rio Grande, Rio Grande do Sul. E passei. Foi um período difícil. Eu não sabia o que fazer. Perderia a chance de entrar em uma faculdade Federal por falta de grana? Por que era muito longe? Por que meus pais não queriam? Entrei em desespero várias e várias vezes, até que me conformei com a situação e entreguei tudo nas mãos de Deus. Ele saberia onde me colocar e quando me colocar. A minha parte estava feita, meu melhor eu tinha dado.
Foi-se o churrasco dos aprovados, com todo aquele pessoal maravilhoso ingressando nos melhores cursos do Brasil bem na época do meu desespero. Fiquei MUITO feliz por cada um deles, o esforço tinha sido recompensado. Eu falava: ah, vamos ver na Ufscar né, quem sabe? Se não der vou pra Unimep mesmo...
Então, mais de um mês depois, chegou dia 11 de março. Depois que eu sosseguei meus medos na presença do Pai, depois que eu aprendi a me amar, depois que eu aprendi a ser sincera, depois que eu resolvi me abrir para a vida e as situações inusitadas dela, vi meu nome na última lista de chamada antes do começo das aulas na Ufscar. Foi maravilhoso. Não consigo descrever a sensação. Só quem já passou por isso sabe como é.
Não quero lhes contar essa história toda com a finalidade de me exaltar. Jamais. Quero que através dela alguém talvez se identifique, talvez alguém se encoraje, talvez alguém tenha histórias pra contar também. Quero ouvir todas elas!
Não desistir disso foi a melhor atitude que já tomei na vida. Apesar de ter uma vida toda, 20 anos de Americana, descobri que algumas coisas precisam ser deixadas pra trás. Outras não me abandonarão. Outras ainda me reencontrarão no futuro, eu sei disso. Sei que muitas coisas difíceis me encontrarão nesse caminho, mas o que eu achava que era meu sonho ficou pra trás. O que ficou pro futuro foi o sonho de Deus pra mim, por que eu não imaginava, não esperava nada disso. Agora preciso correr contra o relógio, mas que corrida mais maravilhosa é essa! Ser a primeira da casa a ter um diploma universitário. Ser talvez (família gigante, sabe como é) a primeira da família a se formar em uma Federal. É algo muito mais maravilhoso do que eu jamais imaginei. Quem semeia com lágrimas nos olhos, colhe os frutos no tempo certo. E eu digo mais: quem estuda muito com uma caneca de café do lado, apesar das dores de cabeça e do cansaço mental, vai ser bom profissional no futuro. Vai entrar nas melhores faculdades e ser diferença neste mundão de meu Deus!
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Um caso antigo
Ele é recorrente, esse meu caso antigo. Vem e vai na minha mente, nos meus ossos, nos meus músculos, no meu estômago e no meu coração. Ele já me fez perder noites de sono, já me revirou o estômago e rendeu discussões acaloradas com meus amigos e meus pais. Ele é meu sonho, desde que me conheci como adolescente, ele esteve ali e sempre me desafiava a fazer coisas que eu achava que não saberia fazer. O problema é que ele é o caso antigo de muita gente, não só meu. Muita gente já me disse pra desistir dele, pra tentar outra coisa. Disseram que isso não era realmente importante, mas eu não poderia deixar de lhe dar a terceira e última chance. Quem é meu caso antigo? Ainda não adivinhou? Pois bem, meu caso antigo é o vestibular!
É sim um romance minha relação com o vestibular. Um romance daqueles de adolescente mesmo, mas, felizmente, cresci um pouquinho com essa relação. Ela começou no primeiro ano do ensino médio, os professores só sabiam falar do tal vestibular, mas a estrutura psicológica eu não tinha. Não fazia ideia de que seria uma prova tãofilha da mãe difícil como é. Eu não estava nem aí, estava curtindo meus dias de teen girl, e enfim, no terceiro ano o Enem trollou todos os estudantes, que tiveram que se matar em dezembro e resolver uma prova TÃO besta quanto aquela. A prova da Fuvest me fez ter pesadelos, jurei que não mais a faria, mas sabe como é esse meu caso recorrente... Ironicamente, esse ano estou apostando minhas fichas na USP, mas tenho arrepios só de pensar na segunda fase. Na Unicamp (primeira vez, inexperiente), deixei uma questão de matemática, uma de física e uma de química em branco. Não levantei nem pra ir ao banheiro e não comi. Grandes erros.
Como toda teimosa e dreamer que eu sou, resolvi fazer o cursinho. Amadureci 25 anos em seis meses. Queria morrer vendo todas aquelas matérias repetidas, mas a vida é assim mesmo, uma repetição do que já aconteceu antes, já dizia Salomão em Eclesiastes. Não estudei o suficiente, não passei. História resumida. Aconteceram outras coisas também que desviaram meu pensamento, mas isso é assunto pra outra hora...
E o que a teimosa fez? Mais um ano de cursinho. Pra quem não sabe, estou prestando Engenharia Civil e, para meu desgosto, todo e qualquer tipo de mídia resolveu divulgar que esta área está com déficit de profissionais. O resultado, é claro, foi o crescimento quase que exponencial no número de candidatos-vaga do curso. Ano passado, na Unicamp, por exemplo, eram 36,7, esse ano já saltou pra 47,4. Minha esperançae certeza, já que eu experimentei isso no primeiro vestibular é que 85% dos candidatos que se inscreveram pra esse vestibular vão escrever o nome na prova e não farão a mínima ideia do que estão fazendo. E dos 15% que restarem, 10% deles não farão ideia de como começar as redações coisa que eu treinei muito mais esse ano, portanto, terei que lutar de igual para igual com apenas 5% dos candidatos que não estudaram biologia loucamente como eu.
Ainda não sei o final desse romance, mas seu desfecho está bem próximo. Não me arrependerei de ter feito dois anos de cursinho, por que amadureci e conheci pessoas maravilhosasumas nem tanto que me ensinaram a amar e respeitar as diferenças além de terem paciência pra me explicar biologia, física e quimica. Um beijo pra galere do cursinho que eu amo com toda a força do meu coração!
Beijo pra Jéssyca que me trouxe mais alegria nesses 2 anos; beijo pra Raquel que me ensinou biologia e me empurrou filmes e livros que me distraíram quando eu tava surtando; beijo pra Luana, dona de toda a positividade da vida; beijo pro Sandro que cumprimenta as pessoas com a mão direita; beijo pro Fê que me mata de saudades, beijo pra Má e pro Matias que passaram e são os lindos donos de abraços maravilhosos; beijo pro Gi que nos surpreendeu nesse semestre e que vai me hospedar em SC quando eu for pra lá; beijo pra Carla que tá ralando pra passar e é minha concorrente direita; beijo pra Mari que é sempre tão bonitinha e educada; beijo pro Léo e pra Aline, que são meio turistas no cursinho, mas que moram no coração!Ok gente, o momento beijo pra Xuxa acabou!
Faltam alguns dias pra começarem as provas, pouco tempo pra reta final. Se nada der certo, é claro que eu tenho o plano B! Mas a minha atitude agora não é de desistência, é de confirmação. Vou deixar o meu melhor naquelas provas, pra poder entregar, ainda que muito imperfeitamente, o melhor em função Daquele que também se dedicou até o fim e deixou sua marca na história da humanidade.
É sim um romance minha relação com o vestibular. Um romance daqueles de adolescente mesmo, mas, felizmente, cresci um pouquinho com essa relação. Ela começou no primeiro ano do ensino médio, os professores só sabiam falar do tal vestibular, mas a estrutura psicológica eu não tinha. Não fazia ideia de que seria uma prova tão
Como toda teimosa e dreamer que eu sou, resolvi fazer o cursinho. Amadureci 25 anos em seis meses. Queria morrer vendo todas aquelas matérias repetidas, mas a vida é assim mesmo, uma repetição do que já aconteceu antes, já dizia Salomão em Eclesiastes. Não estudei o suficiente, não passei. História resumida. Aconteceram outras coisas também que desviaram meu pensamento, mas isso é assunto pra outra hora...
E o que a teimosa fez? Mais um ano de cursinho. Pra quem não sabe, estou prestando Engenharia Civil e, para meu desgosto, todo e qualquer tipo de mídia resolveu divulgar que esta área está com déficit de profissionais. O resultado, é claro, foi o crescimento quase que exponencial no número de candidatos-vaga do curso. Ano passado, na Unicamp, por exemplo, eram 36,7, esse ano já saltou pra 47,4. Minha esperança
Ainda não sei o final desse romance, mas seu desfecho está bem próximo. Não me arrependerei de ter feito dois anos de cursinho, por que amadureci e conheci pessoas maravilhosas
Beijo pra Jéssyca que me trouxe mais alegria nesses 2 anos; beijo pra Raquel que me ensinou biologia e me empurrou filmes e livros que me distraíram quando eu tava surtando; beijo pra Luana, dona de toda a positividade da vida; beijo pro Sandro que cumprimenta as pessoas com a mão direita; beijo pro Fê que me mata de saudades, beijo pra Má e pro Matias que passaram e são os lindos donos de abraços maravilhosos; beijo pro Gi que nos surpreendeu nesse semestre e que vai me hospedar em SC quando eu for pra lá; beijo pra Carla que tá ralando pra passar e é minha concorrente direita; beijo pra Mari que é sempre tão bonitinha e educada; beijo pro Léo e pra Aline, que são meio turistas no cursinho, mas que moram no coração!
Faltam alguns dias pra começarem as provas, pouco tempo pra reta final. Se nada der certo, é claro que eu tenho o plano B! Mas a minha atitude agora não é de desistência, é de confirmação. Vou deixar o meu melhor naquelas provas, pra poder entregar, ainda que muito imperfeitamente, o melhor em função Daquele que também se dedicou até o fim e deixou sua marca na história da humanidade.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Amigo!







Amigo espontâneo, desmiolado, bonitinho, inteligente, grande, de muito tempo, de uma tarde, de uma temporada; amigo de familia, de escola, de coração, na alegria, na tristeza, no silêncio, no chororô, na paciência, na maluquisse, na seriedade.
Amigo de infância, do serviço, amigo do seu a
migo, amigo-irmão, amigo-amor, amigo sumido, presente, ausente, amigo de blábláblá, amigo de festa, amigo de desabafar, amigo de clamar, amigo pra comparecer, amigo para estar, amigo para se lembrar.
migo, amigo-irmão, amigo-amor, amigo sumido, presente, ausente, amigo de blábláblá, amigo de festa, amigo de desabafar, amigo de clamar, amigo pra comparecer, amigo para estar, amigo para se lembrar.
Todo mundo tem um amigo. E eu amo os meus! Feliz dia do amigo atrasado!
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