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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Aquela retrospectiva atrasada (quase não rolou)

É estranho como ciclos se renovam na vida da gente. Na verdade, é magnífico. Sempre existe renovação à espreita, sempre há a chance de recomeçar e de corrigir velhos erros. Por vezes é exaustivo, é verdade, mas eu sempre precisei de novas chances. Atire a primeira pedra de 2018 quem nunca precisou.Tenho tanto pra dizer, contar de tanto que aprendi, de tanto que ainda falta aprender...

Em 2017 foi necessário ter muita paciência, afinal, não é todo ano que tem 3 finais de semestre pra te trazer aquela sensação de semi morte depois de cada prova e trabalho. 3 de janeiro e eu já estava lá, fazendo prova inclusive. Não me perguntem, eu não sei como deu certo. A cada tarefa entregue a gente jura que não vai mais aguentar fazer nada e que vai morrer ali mesmo, do lado de fora da sala de prova. Mas uma força, um motor sobrenatural te puxa pra cima e te faz focar de novo e terminar trabalhos às 4 da manhã. Você cria metas impossíveis e às vezes as cumpre. Quando não consegue só vai do jeito que conseguiu mesmo. E a vida segue mesmo assim, só percebi agora que completei todos os créditos de matérias e dia 20 de dezembro me faltaram o TCC e o estágio pra que as burocracias todas atestassem minhas habilidades de formanda em engenharia civil.

Vez ou outra a gente conhece uns professores decentes, que são como pais de jornada acadêmica pra você. Tive o privilégio de conhecer novos professores nesse último ano e mais ainda, redescobrir junto com alguns, a graça de lecionar. Apesar de começos cheios de nervoso, estresse e cansaço, redescobri mestres dentro de pessoas que só precisavam voltar a olhar os alunos como eles são: limitados, mas esforçados. Esforços esses (malditos esforços!) me renderam aprovações em matérias que eu jurava que seriam impossíveis. Quando se é mestre, é muito necessário olhar o trabalho de seus alunos com compaixão e atenção. Deus sempre me mostrou que esforço é recompensado, mesmo quando a pessoa que acredita em você nem é você. Deus me mostrou quão eficaz pode ser a oração para transformar meu próprio coração e olhar para o próximo com compaixão e sim, isso no ambiente acadêmico principalmente. Qualquer espécie de ranço ou ódio por atitudes questionáveis de mestres foi substituído por entendimento e quando era mais difícil mudar o sentimento, por compaixão. Afinal, todos nós erramos e temos momentos de fraqueza. Por vezes, a lição não é aprendida no meio da briga, mas no abraço que sobra no fim dela. Saio da presença dos mestres com o coração agradecido, leve e preparado para a jornada a seguir, encontrando neles o apoio da transformação profissional de uma garota que não fazia ideia do que era ser engenheira, mas agora vislumbra essa profissão. Não desistir em nada, ainda que pareça sem esperanças, foi a minha recompensa, o meu aprendizado na graduação em 2017. Não teria conseguido sozinha, mas os agradecimentos seguem em breve ainda nesse mesmo textão.

Também foi o ano de presenciar pessoas competentes demais entregando trabalhos de conclusão de curso que eram sensacionais. Ao mesmo tempo em que uma onda inexplicável de orgulho e gratidão invadiam o meu coração, outra onda de saudade e nostalgia batia e fazia de mim uma pessoa estranha, sem muita reação em relação a tudo que estava acontecendo. Mas nossa, como foi ótimo conviver com tantas pessoas maravilhosas durante esses 5 anos de graduação, ter encontrado minha família perdida, que foi suporte, apoio e colo. O meu TCC ficou pra 2018, pra ser terminado com calma, com cuidado. Esse sempre tinha sido o plano, de qualquer jeito.

Nunca fui uma pessoa fácil de lidar, tenho minhas mil limitações e nem todo mundo é capaz de entender e aceitar algumas delas. Por muitos motivos me entristeci com distanciamentos, me senti rejeitada, me senti triste de verdade. Apesar de muitas vezes eu ser o lugar onde as pessoas encontrassem descanso, tantas vezes era eu quem precisava parar. Era eu quem precisava de colo quando oferecia consolo para os outros. Felizmente, Deus sempre esteve lá. Ele sempre foi minha paz e me mostrou através de músicas bonitas, através de pessoas que me abraçavam do nada, através de inúmeras demonstrações de seu amor e de sua graça sobre mim.

Mesmo sendo essa estranha criaturinha desse mundo, em 2017 eu me despedi de 2 lares. Foram 2 mudanças sofridas em um único ano. Na metade de 2017, eu estava ali, dissolvendo uma parceria de quase 4 anos, uma parceria que tinha dado certo em inúmeras maneiras. Eu não simplesmente dividia apartamento, eu dividia os problemas da vida. E o peso diminuía. E eu fui colo, eu precisei de colo, eu perdi as contas de quantos brigadeiros com chocolate meio amargo foram feitos para incentivar ou curar qualquer coisa, desde provas até cansaços e corações partidos. Eu encontrei uma irmã perdida, ganhei família e inquilina irmã também (alô Amanda). Nosso apartamentinho vivia cheio de gente, cheio de vida, de trabalhos monstruosos sem fim e de euzinha dormindo e lavando louça. Nos dias de mudança, em que eu estava enlouquecida terminando trabalhos, nem deu tempo de relembrar tudo. Nem deu tempo de entender que aquele tempo ia ter fim e que uma das nossas se casaria dali uns dias. Mas agora, olho pra esses dias com a gratidão mais profunda que poderia ter, afinal de contas, foi um período de descobrimento e transformação mútua, onde a gente tinha tanta intimidade uma com a outra a ponto de conseguir dar as broncas mais sinceras e ter os papos mais malucos durante os horários de refeição. Deus foi bom comigo e me proporcionou outro lar, em um período bem curto de tempo, mas intenso de aprendizados e compartilhamentos também. Um lar onde eu aprendi que uma pia de louças pode ter poder pra te fazer começar chorar e é sério, tinha alguma coisa na água daquele lugar. Um lar onde eu tive conversas bem doidas, pontos de vista bem interessantes e carinho, acolhimento sem medida e, de novo, vivência de experiências similares com grande troca de figurinhas durante o processo. Eu só tenho a agradecer às meninas que me proporcionaram a evolução nesses dois lares. Meu coração já morre de saudades de vocês.

Em 2017 também aprendi que pessoas muito diferentes podem sim agregar visões interessantes pra sua vida, mas que é necessário tomar cuidado para não se perder em caminhos que não queria trilhar. É preciso ser grato pelos ensinamentos encontrados no meio das discussões e pela paciência agregada. Também é necessário perceber realidades das quais você não quer participar, máscaras que não quer colocar por já ter sofrido demais pra retirar cada uma delas em algum outro momento da vida. Não importa onde se vá, sempre há uma religiosidade travestida de amor. Não importa onde se vá, há gente oportunista. Não importa onde se vá, existe maldade. O que importa mesmo é ser capaz de trocar as lentes pelas quais se enxerga o mundo. Os sofrimentos envolvidos. A perversidade inerente a cada um, incluindo primeiramente euzinha. É extremamente necessário tentar entender motivos alheios e se eles forem balela, paciência. Às vezes a gente precisa ser egoísta pra ter paz. Às vezes a gente precisa desapegar da ideia de infância de salvar o mundo todo e de que eu seria capaz de transformar pessoas. Não. Não é minha a capacidade de transformar pensamentos, só o amor é. E ainda assim, não é o meu amor. O meu acaba sendo só um reflexo do maior amor do mundo. E eu aceito os erros alheios, as escolhas alheias e as consequências delas por que é necessário que eu aceite os meus primeiro e saiba da necessidade de perdoar, pra minha própria sanidade mental. No fim das contas, sobram textões meus pra esses casos. Sobram orações. Sobra amor, ou ao menos a tentativa dele.

Em 2017 cansei de prometer e não cumprir. Comecei aos poucos. Quando o estresse estava insuportável e eu precisava de algo para sustentar o meu corpo antes que ele não aguentasse mais, descobri que poderia caminhar na USP. Distrair as ideias e melhorar a vida. Não, eu não sou regrada. Não, eu não fazia isso todos os dias.
Aí o inverno chegou. e foi aí que descobri o aplicativo de ioga. Não adotei filosofias, só as "asanas", ou poses, e segui esticando meu corpo. Foi ótimo, consegui manter firme durante 3 meses quase todos os dias. Pretendo voltar, muito em breve; tenho certeza que o meu tapetinho está com saudades. Por fim, no quesito saúde, descobri um jeito inovador de comer salada. Quero voltar a fazer e comer mais saudável. Mas sabe, tem dias que só um hamburger com os amigos tem o poder de restauração da saude mental e do corpo também. (Esse processo tá no limbo desde dezembro. Não voltei a fazer ioga nem a comer salada de um jeito saudável. Desculpa mundo).

A quem interessar possa, 2017 foi sim o ano de celebrar o amor. No inesquecível casamento da amiga, que eu tive o prazer de acompanhar de perto, em relacionamentos cagados que acabaram, em momentos de clareza diante do que era amor e o que era oportunismo, em broncas infinitas e em momentos de carinho comigo mesma. Afinal, o amor próprio era necessário e por vezes eu o deixava de escanteio. No fim das contas, eu estava bem sozinha sim senhor, mas sentia aquela vontadezinha de viver um amorzinho desses leves, que colocam sorriso no rosto da gente e transbordam. No fundo sempre rolava aquela vontadezinha de viver um amor igual aos que foram celebrados em 2017. Eu não imaginava que viveria muito mais do que aquilo, tudo em 2017 mesmo.

No finalzinho do ano, tive a mais grata surpresa de todas. Contrariando as possibilidades, me apaixonei. Eu acho que nunca soube o que era isso de fato, por isso a demora enorme em me soltar, em admitir, em aceitar e compreender um sentimento de que não seria mais só eu. Passei muitos anos confortável em ser eu mesma, não sabia mais como encaixar alguém pra me acrescentar momentos agradáveis na rotina que eu trilharia a partir dali. Como nós dois já tínhamos tido nossas cotas de sofrimento com relacionamentos, aprendemos muito. E aprendemos juntos a cada dia. Eu acho o máximo quando digo que comecei a namorar dois meses antes de "me formar" e que ele mora a mais de 500 quilômetros de mim por que as pessoas me olham com cara de "vocês são doidos". A gente é mesmo. Mais doido de tudo isso é saber que eu posso contar com ele em qualquer momento, por que quando existem notícias boas ele é o primeiro a saber e quando existem notícias ruins ele é o primeiro que me acalma. Ele é o único que consegue me fazer chorar de saudade e alegria ao mesmo tempo. A rotina, o estresse, o trabalho, as outras pessoas e o passar dos dias não afetam o amor, só a distância que faz o toque e o carinho serem um pouco prejudicados, mas isso não importa tanto quando a gente sabe que um dia vai ter fim. Ele tem aprendido a ter paciência comigo e, pelo que sempre escrevi aqui, já se sabe que eu jamais imaginei viver isso. E se sabe o quanto eu sou grata por encontrar quem fosse capaz de transbordar alegria e gratidão na minha vida. Te amo gatinho.

Essa retrospectiva está atrasada faz uns muitos meses, mas está na hora de finalizar. 2018 tem sido um ano louco, com 6000 quilômetros rodados até agora e muitos deles trouxeram lições importantes que talvez sejam compartilhadas também. Acho que o restante das coisas que me aconteceram em 2017 já estão bem registradas aqui e muitas outras precisam ser deixadas pra trás mesmo. Olhando pra frente, tentando buscar otimismo pras mudanças acontecidas em 2018, me despeço com lágrimas (que não me deixam mais) e esperança no futuro, o resto a gente planeja e executa da melhor maneira possível.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Para você que tem estilhaços onde tinha um coração

Sinto muito que isso tenha acontecido com você, amor.
Não é minha a intenção de te fazer reviver e sofrer tudo de novo.
Vim te contar que seu coração está aqui,
no alcance dos meus olhos,
e existem tantos estilhaços que seria impossível identificá-lo
se você não tivesse me contado o que está quebrado.

Sinto muito, amor,
que alguém tenha quebrado o teu coração.
Já quebraram o meu, mas também já balancei o martelo.
O que você realmente precisa saber são duas coisas muito importantes:
você não é responsável pela quebra
e apenas você é capaz de recuperar cada estilhaço.

É certo que a gente sempre se culpa, amor...
Deveria ter sido mais tolerante,
ter sido mais ousada,
ter sido mais submissa.
Não.
Eu sei que você não deveria.
Não se culpe quando você não conseguiu cumprir a expectativa alheia.
Não se culpe por ser você.
Não se culpe se o seu amor não era suficiente para que ele ficasse.

Deixa-o ir, amor.
Deixa.
Deixa os ventos de tempestade levarem esse sentimento.
Deixa os caminhos se distanciarem,
deixa as lembranças boas num baú com chave.
Perca a chave, amor, mas nunca o baú.
Você sabe exatamente o que tem guardado.

Não sou capaz de reconhecer seus estilhaços, amor.
É tanto caco perdido aqui que já não me lembro mais
quais são os meus e quais são os seus.
Se ajoelha aqui, vamos com calma.
Vou buscar aquela cola necessária,
meus equipamentos de artesanato,
todos os clichês que me fazem uma Amélia experiente
pra ajudar no remendo de um coração.

Ih, amor, vai faltar um pedacinho aqui.
Foi aquele empiasto que levou embora né?
Pega aqui esse pedaço meu,
quase encaixa e não vai me fazer falta.

Eu quero me aventurar, amor!
Quero viver uma vida cheia,
plena, sofrida, calejada e
com muitos pedaços faltando aqui no meu coração.

Mas ele nunca ficará furado, amor.
Ganhei alguns pedaços.
Outros roubei.
Roubei mesmo! Eles estavam ali,
dispostos à toa e cabiam exatamente
onde encontrei um buraco em mim.

Mas a verdade é que meu coração estilhaçado hoje é multicolorido.
Cada trauma e lembrança o transformou no mais lindo dos caleidoscópios.

Ah amor, o coração engana a gente viu.
Se você foi capaz de consertar tudo sozinha uma vez,
certamente vai se poupar do trabalho numa segunda.
Faz todo o sentido do mundo, amor.
Mas a gente tem que lembrar que nem tudo nessa vida faz sentido agora.

Sei que o dia vai chegar em que você vai querer entregar seu coração
nas mãos de outra pessoa e eu não posso te garantir
que esse alguém irá cuidar dele da melhor maneira.

Amor, ele poderá quebrar seu coração em mil pedaços de novo.

Mas acredito,
desacreditando um pouco,
que a entrega vai valer a pena
e o seu coração não vai ser um troféu na estante alheia,
nem um pedaço de papel na gaveta do escritório,
nem um remédio prescrito pra inflar egos e se encaixar nos padrões.

Mas saiba amor,
que os remendos permanecerão.
Só existe um amor capaz de fazê-los desaparecer,
mas esse amor é tema pra uma conversa e um café.

Vem comigo amor, que te conto sobre o maior amor do mundo.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sobre mudanças (e por que minhas lágrimas não caem)

Essa sim é uma postagem jeito blog de ser, contando sobre experiências e expectativas, prevendo futuros e chorando passado. Eu tenho mais 3 trabalhos pra fazer, mas eles que me perdoem: o final do semestre pode esperar e eu estou exausta.

Faz 5 anos que saí pela porta de casa com todo o conforto e comodidades de ter alguém sempre fazendo tudo por mim. Faz 5 anos que vivo uma vida maluca de conhecer gente, de se apaixonar e desapaixonar, de consolar e receber colo de quem menos se espera, de crescer como pessoa e aprender a resolver minhas próprias tretas. Faz 5 anos que aprendi a reparar em detalhes (talvez isso já faça quase 25, mas andei me aprimorando ultimamente), a encontrar refúgio quando os trovões estrondam do lado de fora, a rir descontroladamente quando não posso controlar as coisas e a me divertir mesmo quando tudo parece caos. Faz 5 longos anos que sou engolida por compromissos com a graduação, em busca de um dos sonhos de criança, em busca de algo que não sei explicar ao certo, mas que me chama todas as manhãs pra dançar, tentando me dar esperança na caminhada e forças pra cumprir propósitos.

Sempre me recusei a viver por mim mesma. Sempre recusei aquilo que todos buscam. Poucos me entendem, eu mesma me questiono muitas vezes. Minha vida ainda segue um rumo nublado, com dois caminhos distintos a seguir, mas sigo de braços abertos e lutando para cada um deles. Confesso que o primeiro é uma jornada solitária e difícil, mas todas as vezes que embarquei em viagens assim inesperadamente encontrei tanta gente... Quem sabe do futuro, não é mesmo?

Essa jornada de aprendizado só serviu pra abrir meus olhos de diversas maneiras, pra conhecer pessoas completamente diferentes que vivem os mesmos dramas, pra conhecer pessoas extremamente parecidas que vivem dramas diferentes. Ai gente, a vida é um negócio tão doido né? Tanta gente cruza o nosso caminho e vai deixando marcas, vai modificando, ensinando, amando. É uma correria louca que seria insuportável não fossem as pessoas que conheci.

Por amar ouvir e compartilhar histórias, agora me encontro aqui, com um vazio bem grande no peito esperando pela mudança que não chega. Aliás, que chega rápida e sorrateira, não me deixando perceber o quão drástica ela será. Minha racionalidade não me permite chorar: foram tantos anos de drama adolescente, de sofrimento enclausurado e lágrimas incessantes que agora, quase com um quarto de século na vida, minhas lágrimas não caem mais.

Depois de muito tempo entendendo que sentimentos fazem a vida um pouco mais complicada acabei me tornando muito mais racional. E prática. Muito raramente minha razão solta as rédeas. Eu sabia que essa mudança chegaria, sabia que os ecos do apartamento vazio fariam com que meu peito apertasse, e, contraditoriamente, sei que assim que o aperto vier as lágrimas vão cair. Descontroladamente. Não vai ser bonito, eu não sou o tipo de pessoa "ah, que fofa que ela fica chorando". Definitivamente não.

Juro que queria corresponder às lágrimas que me seriam de direito. Ao choro não fingido pra expressar saudade, expressar gratidão, pra expressar sentimento. Sei que todos passaremos por muitas outras mudanças na vida então passei a enxergar os quadros maiores. Os anos futuros, os anos que se passaram, a oportunidade aproveitada e desperdiçada, as risadas e os perrengues. Aquele sentimento de eternidade que é colocado nosso coração, que Salomão tanto fala. Ele sabia que a vida é um grande repetir-se de momentos (chega de momento em viga, concreto me traumatizou), de maneiras semelhantes, em contínuo movimento: às vezes enfadonho, por vezes cansativo, mas, se a gente aprender a prestar atenção, a repetição toma uma cor bonita. Única. Especial.

Sim, hoje eu estou sensível. Bem como nas últimas semanas. Já dizia Roberto Carlos: são tantas emoções, bicho. Não estou sabendo lidar! É um misto gigantesco de felicidade e tristeza, de saudade e esperança, ai... Queria me despedir bonitinha e séria, então calma!

Eu não tenho lágrimas nos meus olhos, mas invariavelmente, meu peito está cheio de sentimentos balizados pela razão e minhas palavras não me abandonam. Essas mesmas, gastas, repetidas e daquele jeito que você já conhece. Acho que tenho probleminhas, mas continuo a escrever por que meus dedos não param, não cansam de transformar sentimentos em palavras. Minhas lágrimas vêm em forma de letras.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O não, teus braços e minha birra

Todas as vezes que os teus NÃOS ecoam nos meus ouvidos começo a agir feito uma criança mimada. Diante de um pedido tão importante aos meus olhos, a reação parecia inevitável. Bato os pés, me jogo no chão e choro repentinamente, fazendo um escândalo, uma tempestade em copo d'água.

Eu quero! Quero agora! Nesse momento!

Com todo o amor que eu jamais conseguiria entender, você me abraça e diz que vai ficar tudo bem. Meus braços inquietos te machucam, meus gritos ecoam nos seus ouvidos e minhas pernas se debatem em agonia na tentativa de que o momento de contrariedade passe mais rápido. Mas o teu abraço, que não consigo sentir enquanto estou em desespero, me envolve. Teu rosto inabalável olha pra mim como a criança que sou e diz que vai ficar tudo bem.

Aos poucos meu soluçar abaixa o tom, aos poucos meu coração desacelera, aos poucos vou me soltando e me desarmo: apenas os teus braços são capazes de me segurar.

"Mas era o meu sonho, era tão bom pra mim!"

Teus olhos fixos nos meus me mostram a verdade que eu jamais ousaria questionar. E então, como criança, sigo sem entender o motivo do não. Aos meus olhos aquilo é simplesmente um abuso de autoridade, uma maldade gigantesca diante de um simples desejo tão puro do meu coração de menina.

Com o passar dos anos, ainda me recordo do não. Ainda lembro quando sumi entre as prateleiras cheias de escolhas e me perdi de você. Estava diante daquilo, atraída por toda aquela beleza, estendendo as mãos como quem recebe o mais precioso dos tesouros, aproveitando cada centímetro de conquista da novidade mas absolutamente alheia aos perigos que ela trazia, exatamente como criança. Distraída. Focada apenas naquele momento, esquecendo de todo o resto. No entanto, com o seu amor tão irresistível, você me chamou de volta. Me abraçou e disse meu nome.

"Sossega criança, você não pode estar no controle de tudo. Deixa que eu decido o que é melhor pra você agora."

Espero, como criança, que um dia entenda o não. Que um dia entenda por que meu coração trapaceou e me enganou mais uma vez, enquanto eu desejava algo que nem sequer estava nos meus planos desejar. Espero que um dia eu me encontre novamente em frente à mesma prateleira e que possa dizer sem medo que o impedimento para que eu me lançasse ao desconhecido desejo do meu coração foi a melhor opção. Foi para meu bem. Sei que a ferida causada por um breve período de tempo cicatriza muito rápido, mas a ferida imputada todos os dias corrói lentamente as esperanças de cicatrização.

Não há dúvidas em meu coração e muito menos em minha razão de que você me ama. De que estará ali para cuidar de mim, mesmo que eu decida agir como criança mimada e descontente: sei que os teus braços estarão ali pra me segurar.  O coração angustiado é sempre o mais sincero e o menos racional nas orações, mas é aí que entram os teus braços... Ah, os teus braços estarão ali, todas as vezes que eu me dispuser a correr na direção deles e é sempre o teu olhar de amor que me traz de volta à razão.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Agora eu vejo!

Hoje o texto atrasado está aqui pra fechar bem esse mês interminável (mas cheio de coisas legais) chamado agosto. O mês que sempre começa com o esquecimento de um rosto piadinha interna minha e de quem conhece a música primeiro de agosto e termina com uma canseira danada... Mas esse texto não é de minha autoria! 
Olha que privilégio o meu, poder colocar um pedacinho de alguém nesse cantinho específico da web! A pessoa quis que eu a postasse como anônima, mas de bom grado lhe colocaria o nome aqui... Fiquei muito feliz com o que ela escreveu por ser uma ideia que também compartilho. Não se oculte ao seu presente. Nunca deixe de ser agradecido. Se ajeita aí e lê, vai te fazer um bem danado. 

Se eu sou feliz?
Sim, muito!
Como eu cheguei a essa conclusão é a história que temos para hoje.

Após assistir uma palestra, decidi refletir sobre quais são meus valores e a minha missão de vida. Estava escrevendo a minha visão quando percebi que ela não combinava com a missão. Minha missão era: “Acrescentar felicidade na vida dos outros”, enquanto que a visão era: “Formar uma família UNIDA”.

Mas, e aí? Como ter uma família unida me faria levar alegria aos outros? Foi então que pensei que para espalhar algo no mundo, você precisa primeiro conhecer/entender bem esse “algo”. Veja só, se desejo espalhar conhecimento sobre a fauna e a flora do Havaí, primeiramente EU preciso ter esse conhecimento. Se desejo levar comida para acabar com a fome no mundo, eu tenho que saber como comer e entender como os outros comem. Assim, logicamente percebi que se quero espalhar felicidade, eu tenho que ser feliz!

Nesse instante me fiz a primeira pergunta aqui mostrada e rapidamente veio a resposta. Sou grata por absolutamente tudo que tenho, física e emocionalmente. Ok. Se sou feliz por que achava que não era?

Simples. Eu não via a felicidade porque simplesmente MORRO DE MEDO que ela acabe de uma hora para a outra! Esse medo do futuro, do incerto está atrapalhando o presente. Pude notar que o medo de como será o amanhã, do desconhecido, o medo de que algo venha e acabe com a minha felicidade me impedia de ter a CONSCIÊNCIA do quão incrível minha vida é!

Agora, somente agora, posso voltar ao passo inicial e apesar de ainda não saber qual minha missão e visão, sei que vivi e vivo feliz! Por mais incrível que pareça isso aumentou ainda mais minha felicidade porque EU SEI que muitas outras pessoas não podem dizer o mesmo. E não pela sua atual condição, por enfrentar alguma dificuldade, mas sim porque elas, assim como eu, estavam cegas com relação ao seu maravilhoso presente.

sábado, 11 de junho de 2016

Sobre conectar-se

É engraçado como as coisas acontecem rapidamente agora, como aprendemos desde muito pequenos como conectar-se a uma tela e a um wi-fi. Nascemos sabendo como lidar com teclados, touchscreen, e aparelhos que nos conectam a realidades muito diferentes das que nos rodeiam. Mas eu não quero falar sobre tecnologia hoje. Eu quero falar sobre conectar-se com pessoas. Sim, isso é um relato... meu querido diário

Meu final de semestre tem sido enlouquecedor. Minhas inseguranças a respeito da faculdade tem crescido exponencialmente perante à confusão causada pela paralisação de um grupo de alunos. Eu ando e paro, adianto trabalhos passíveis de adiantamento e fico em casa quando não é possível ir às aulas, que estão ocorrendo normalmente para a Engenharia Civil. Um drama sem fim. Apesar disso, essa semana tive momentos excepcionais, que apreciei muitíssimo, como há muito não fazia. Ganhei de presente conexão com pessoas que amo. Ganhei tempo de qualidade com elas.

Quando se faz faculdade fora da sua cidade de origem, você é obrigado a escolher uma família que amenize a falta que a sua lhe faz. Ao longo de 4 anos já consolidei a minha. É maravilhoso ter pessoas que são completamente diferentes de você e que te amem apesar de todos os defeitos que você tem. Estava em falta com essa família praticamente desde que o semestre começou e essa semana... ah, essa semana foi maravilhosa!

Consegui assistir filmes (um em casa, com direito a pipoca e colchão na sala com cobertas e um no cinema na noite mais fria do ano), gastar tempos de reunião (com direito a berrante e histórias de vestibular QUE EU AMO) e comer pão de queijo em ótimas companhias. Todo o tempo e exatidão que a faculdade me cobra não valem esses momentos. Toda a opressão de uma planilha de notas que me rotula não é posta em questão. Toda a inquietude e incerteza de uma movimentação na universidade não são páreo pra momentos de amor e comunhão como esses. Não conectam meu coração. Não conectam minha alma.

É absolutamente incrível o que meia hora de conversa faz com meus ânimos. É inacreditável o tamanho do amor que consegue ir aumentando a cada dia. Nunca subestime o valor de um passeio rápido, de um pão de queijo com café e conversa, de uma reunião discutindo algo que você dedica seu coração. Pessoas completamente diferentes se conectam a mim, minha alma e meu coração de uma maneira surpreendente. Pessoas que eu aprendi a amar, de fato: com atos, palavras e preocupações. Não subestime a capacidade de reconectar-se a um amigo.

Em tempos de wi-fi, venho utilizando a tecnologia para reconectar-me a pessoas. Reconectar meu coração a elas. Reconectar o que me traz alegria. Reconectar boas lembranças e boas possibilidades de futuro. Ah, como eu estou em dívida com tanta gente... Ah, essa saudade que me desconecta... Mas vou buscando esses momentos de conexão. Vou me esforçando entre os arames farpados, obstáculos e portões que se levantam diante de mim impedindo os encontros.

Só sei que essa foi uma semana gloriosa cheia de conexões mágicas. Um semana cheia de corações buscando caminhos alternativos para carregar suas baterias e não desistir. E eu só consigo ser grata por  cada pão de queijo, cada pipoca, cada lanche e sorvete. Sim, essa conexão engorda, sempre vem acompanhada de comidas... é inevitável! Ah, como é bom e agradável viverem unidos os irmãos... da família que mora fora de casa também

Fica aqui a minha singela homenagem aos amados que me privilegiam com suas companhias, com seus segredos, com suas dores e alegrias. Aos que me dão a honra de compartilhar um pouco mais de suas histórias e me fazem confortável para contar as minhas. Em vocês vejo o cuidado de um Pai amoroso. Em vocês vislumbro o próprio Filho através do amor. Em vocês meu coração aquieta e reconecta aos valores importantes pra minha alma.