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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Quando a Graça basta

Tentei buscar em tantos motivos, canções, corações
filosofias, preceitos e ideais
a razão pra continuar.

Tentei expressar de tantas maneiras, vozes,
palavras, notas musicais e atitudes
a ausência de ser inteiro.

É intrínseca a minha necessidade de relacionar-se,
de amar,
de ser amada,
de se abrigar e ser abrigo.
É inevitável minha necessidade de preencher necessidades...

Nessa correria de cenários cinzas, 
a cada final de dia me encontro com um coração cansado.
A cabeça no travesseiro pesa como todo aquele concreto lá fora.

Num clamor da minha alma, entrego-me.
Não há forças suficientes pra enfrentar todos os problemas do mundo,
há uma empatia que me faz chorar,
há uma agonia desesperançosa,
há uma familiar sensação de inquietude
e um silêncio esmagador.

Quando toda a fraqueza que há em mim dói,
fica exposta como uma ferida que não cicatriza,
quando espinhos são colocados em minha carne, em meu coração, em minha alma,
é quando a Graça basta.

Quando a Graça basta, de boa vontade me glorio nas fraquezas,
por que quando estou fraco, encontro minha força fora de mim.
Minhas conquistas não são minhas,
a glória é dada Aquele que é digno eternamente.

Quando a Graça basta, a razão pra continuar não é vã,
a expressão do meu sentimento é genuína,
não apenas palavras, gestos ou vozes,
mas é dada com a maior sinceridade que pode haver em mim.

Quando a Graça basta, entendo que não há necessidades além do amor de Deus.
Há coragem suficiente para que fraquezas transformem-se em glória,
há espaço para que habite em mim o poder de Cristo.

Pobre de mim... quem seria eu sem a Tua Graça?
Solidão, necessidade, desespero.

Quando entendo e aceito que a Graça basta, nenhuma outra necessidade é importante.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sobre futuro, fé e o novo

Um futuro cheio de sonhos surgiu,
Um deles está em andamento e não posso parar.
Esse sonho me encontrou, ocupou todos os meus dias
Consome cada pedaço do meu tempo,
Está enraizado em minha alma e já não posso mais me imaginar sem ele.
Em meu futuro inexato existem cálculos, projetos e capacetes
Existem grandes estruturas, muitas noites em claro e concretizações diversas,
Muitas delas feitas justamente de concreto.

Mas em um futuro de sonhos, ah...
Existe um amor, uma criança e quem sabe um cachorro ou gato?
Existe uma casa, um renovar de esperanças, uma sensação de utilidade.
Meus sonhos sempre foram em função de pessoas.
Sempre quis ser alguém pra alegrar minha família,
Sempre quis poder amar alguém para poder doar o melhor de mim,
Sempre sonhei com algum possível filho que pudesse ter tudo de mim.
Mas cada pequeno sonho que eu tenho é despedaçado e feito de novo
Alguns se realizam, outros se modificam e eu sigo,
Sigo pedindo a Deus que os meus sonhos sejam os Dele.

Deixei minha fé no meio do caminho,
Um Deus que sempre me amou e sempre amará
Fui capaz de negligencia-lo, mas não ouso dizer que o esqueci.
O amo de toda a minha alma
Não há culpa grande o suficiente pra me fazer esquecer disso
Não há deserto ou abismo pavoroso o suficiente pra me separar do amor Dele
Amor que eu entendi e recebi pra todo o sempre

Pavoroso é o caminho longe Dele, tudo é dor e pesar
Aflição e angústia; não há alívio, não há paz
Longe Dele não há perdão, não há consolação, não há esperança

Resolvi olhar para aquela rude e velha cruz,
A cruz que me traz esperança, que me lembra do sacrifício perfeito,
Que simboliza a razão da minha fé.
Ele não está morto, aquela cruz era apenas o começo
Ele me ama, Ele quer restaurar meu coração
Ele sabe de todas as minhas lutas e dores e vai comigo carregando sua rude cruz.

Em um novo ano que talvez chegue calmo, talvez chegue tempestade
Posso ouvir aquele velho som,
cuja origem é antiga o suficiente para que minha mente não a comporte,
A Palavra que fez com que tudo existisse, existe em mim e avisa
Que tempestades maiores virão, tempestades de minhas lágrimas,
Mais dores, mais sacrifícios, mais batalhas travadas até a exaustão.

Sei que não posso me ausentar da guerra.
Não há maneira de me tirar do campo de batalhas, minha escolha é a espada;
Enquanto a Voz do Universo habitar em mim posso lutar.
Em meio aos conflitos há paz,
Em meio à loucura há sabedoria, coisas que o mundo jamais compreendeu.

O que se inicia continua se modificando, como cada sonho meu
Cada ferida exposta tem a chance de cicatrizar,
Cada dor sofrida é motivo de aprendizado.
Em minha alma sei que o novo não será fácil, posso sentir e,
Se bem me conheço, posso sofrer antecipadamente.

Que o novo quebre todas as minhas expectativas, mude muitas opiniões,
Seja inesperado, seja grandioso,
Seja sofrido, chorado, relembrado e registrado em palavras.
Que venha suave por que, por agora, meu coração não aguenta mais agitações.
Que seja breve, que me ensine, me quebre, me molde, me esconda.
Que a Luz brilhe apesar de todos os meus defeitos enquanto eu ainda estiver aqui,
Que a vida possa começar.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sobre todas as coisas que deixei para trás

Deixei pra trás uma ansiedade louca de crescer,
e, se fosse possível, queria apenas voltar à simplicidade de ser criança.

Deixei pra trás uma menina que não gostava de seu reflexo no espelho, 
que se enxergava cheia de defeitos, 
que tinha vergonha de ser e que demorou pra descobrir 
que beleza não tem padrão nem receita: vem de dentro pra fora.

Deixei pra trás uma confiança cega em todas as pessoas por conta das decepções. 
Lealdade é algo raro.

Deixei pra trás muitas pessoas que eu não gostaria de que tivessem ficado no passado, 
mas os anos se foram, 
a chuva caiu, 
invernos passaram e pessoas mudaram.
Desapareceram.
Viraram névoa na minha memória.

Deixei pra trás uma ira sem motivo,
um nervoso insistente que me perseguia.
Nesse lugar entrou uma paz tão grande,
na Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos Teus Olhos.

Deixei pra trás o hábito de criticar tão severamente,
afinal, quem sou eu para apontar defeitos que vejo mais em mim?
Quem sou para julgar as experiências de vida de cada um?
Quem sou eu pra saber o que se passa em cada coração que bate do meu lado?

Deixei pra trás um vazio no coração, que tinha o tamanho exato de Deus.
Entendi que ter fé era algo meu,
que a fé não ficaria no passado,
que antes da eternidade meu nome estava lá,
que minha missão já tinha sido dada
e a única coisa que pude fazer foi tentar cumpri-la.

Deixei pra trás aquele velho medo de amar,
por que pra mim o amor é algo que nasce sem pedir,
floresce de um não-sei-quê e continua indefinidamente.

Deixei pra trás também a paixão de adolescente que achava que tudo seriam flores,
que via no mundo somente as rosas e se esquecia dos espinhos.

Tentei deixar todos os clichês no passado,
mas eles me perseguiram e inundaram esse texto meia-boca escrito à meia-noite.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sobre a vida, a morte e algumas considerações...

Tenho andado preocupada. Pra dizer bem a verdade, isso não é algo extraordinário, já que desde que comecei a me entender por gente me preocupo com alguma coisa. Mas dessa vez é grave, muito grave. Minhas preocupações são a respeito de dúvidas existenciais, muito mais complexas que quaisquer outras coisas.

Alguns meses atrás, estava tão obcecada e tão preocupada com os estudos como nunca estive na vida. Chegava a esquecer de todo o resto. E de nada adiantou: o mundo deu suas voltas, eu consegui algumas proezas e nem tudo na vida são flores. O ponto é que cheguei a dar tanta importância à faculdade que esqueci de viver. De tentar me compreender. De procurar descobrir qual é o meu papel no lugar onde me encontro agora. De tentar entender quais as missões que foram concedidas apenas a mim.

Um fato extremamente triste desencadeou essa reflexão. Não quero falar sobre isso. Mas pensei, chorei, sofri a dor do pai que perdeu sua filha de modo tão desconexo, ainda que eu não seja pai, nem consiga me imaginar filha em tal situação. Qual é o tamanho da importância dada a uma carreira por um jovem nos dias de hoje? Qual é a o tamanho da força emocional que possui? Quais são os apoios em que se escora para não sucumbir às opressões cruéis desse mundo maluco?

Dúvidas tão grandes e complexas que não dou conta de responder. Não consigo pensar no tamanho da dor e na importância dada a ela para que alguém seja capaz de tirar sua própria vida. Às vezes, a dor parece tão grande e tão insuportável que o suicídio surge como a mais suave solução a tanto sofrimento... Mas é tudo uma questão de prioridades. Se você preza mais a dor do que o resto, é claro que esta lhe parecerá insuportável com o passar do tempo. Assim como os estudos, o dinheiro, a melancolia, a solidão... Tudo aquilo que é superestimado tende a trazer prejuízo. Decidi que não ficarei louca. Também não ficarei parada. É tudo uma questão de equilíbrio. É claro que tentar permanecer forte sozinho durante muito tempo também é extremamente exaustivo. Parece insuportável, mas o que me surpreende todos os dias são as capacidades do ser humano.

As pessoas possuem muitas capacidades impressionantes: renovação, aprendizagem, perdão, apoio... e por aí vai. Cada um tem pelo menos uma capacidade especial e, assim que vou conhecendo pessoas começo a procurar por essa capacidade individual. Minha mãe tem o dom de ajudar, de servir pessoas e até mesmo animais quando estes não podem fazer sozinhos. Isso a prejudica muitas vezes, mas jamais conseguiu negar ajuda. Meu pai tem o dom da paciência. Se o vi perder a calma diante de alguma situação realmente não me lembro. Várias pessoas próximas a mim possuem dons, várias capacidades impressionantes que me fazem querer ser uma pessoa melhor e me fazem crer que a vida é mesmo surpreendente, por que é feita de pessoas e situações. Não quero falar-lhe das coisas ruins da humanidade hoje, deixem-me apenas refletir sobre as boas.

Quero encerrar com algumas perguntas que não respondi pra mim mesma, mas que sempre estarão em minha mente. Qual é a minha missão aqui? Eu fiz a diferença na vida de alguém? Quais são minhas prioridades aqui? Quanto vale uma vida para que seja desperdiçada?

Não pense que você não possui nenhuma capacidade, por que possui. Não pense que sua vida é em vão, por que não é. Ninguém é fruto do acaso e o seu destino não está determinado em função do sucesso ou do fracasso, apenas da sua capacidade de determinação e na renovação a cada queda. E como esse não é um blog de auto ajuda nem de um pseudo cristianismo caracterizado apenas por prosperidade e vitórias, não posso lhe garantir que tudo dará certo em sua vida. Não quero essa garantia pra mim, apenas quero aprender com cada queda e de vez em quando deixar de ser forte, pra me lembrar que os fracos é que são capazes de se renovar e se fortalecer.

domingo, 26 de maio de 2013

Esperando pela Fênix

Às vezes acho que minha parte humana está sendo sugada pela sociedade.
Você já se sentiu assim?
Parece que os sentimentos que deveriam me pertencer são esmagados pelas obrigações, pelos defeitos, pela ansiedade...
Às vezes parece que ficou muito pouco da minha essência, do meu tempo, do meu coração dentro de mim.
Parece que me falta tempo pra pensar em mim mesma, pra analisar minhas atitudes, pra fazer as pazes com Aquele que habita em mim.
Acho que tudo isso sou eu me tornando outra pessoa, uma adulta, que carrega responsabilidades demais nos ombros e perdeu sua criança por aí.
Faz tanto tempo que eu não vejo essa criança, faz tanto tempo que meu coração se encolheu...
Um sorriso amarelo vem nos lábios de vez em quando,
um sorriso sincero vem na memória... e me despedaça.

Ao mesmo tempo, vejo tanta gente louca ao meu redor que minha loucura parece normal,
mas minha loucura é diferente.
Extrema, de um jeito estranho, piada...
Minha loucura é a sua razão para me rotular,
pra não me entender, pra me esquecer.
Esquece, revive, volta e morre.

Minha sanidade já não existe mais, sou só loucura, só tua tortura,
sou muito mais do que você vê, muito menos do que aparento ser...

Lá fora o frio cresce, a saudade também,
mas junto vem a esperança.
Da adaptação, de dias mais felizes, de renovação.
Mais uma vez chegou a hora da fênix aparecer, mas ela vem devagar,
voa com paciência, sabendo que o vento sob suas asas não a abandonará.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O que o espelho não refletiu


Não tenho mais a aparência que costumava ter.
Hoje olhei no espelho e não me reconheci. 
Acho que nunca me reconhecerei, por ser sempre mudança. 
Pena que você não conheceu minhas diferentes faces,
meus diferentes meios, meus diferentes defeitos, meu universo paralelo...
É mesmo uma pena que o tempo passe tão rápido e que algumas saudades cresçam geometricamente.

Não tenho mais o mesmo olhar de quando acreditava que as coisas poderiam ser, de fato, simples. 
Agora existe em mim algo muito maior que os sonhos de uma menina.
Agora meus olhos dançam entre as situações problemáticas da vida 
que caem no meu colo sempre, sem que eu peça. 
Agradeço! 
Aprendo mais com elas, sou abençoada através delas, me fortaleço. 
Não esqueço qual é a minha função aqui, o que quero é servir, trabalhar, amar. 
Não esqueço alguns rostos, não esqueço o que preciso deixar ir,
mas que está tão preso a mim que demora,
ah, me devora, e demora a partir.

Ah, essas alegrias dos novos dias,
Ah, essas saudades inexplicáveis e doloridas que me ameaçam quando anoitece...
Essa garota que hoje se olha no espelho não entende metade das coisas,
limites, derivadas, bases ortogonais, como essa saudade ainda existe.
Essa moça que soltou o cabelo num grito de liberdade,
querendo, de alguma forma, que sua parte mais oculta fosse descoberta
ou que provocasse alguém a descobri-la,
veio cheia de esperança pelo caminho de todos os dias,
mas a conversa não veio, as palavras que deveriam ter tido fim continuam a vir em sua mente,
mas sua boca não as diz,
sua declaração de que tudo está ótimo não faz justiça ao seu coração.

Nada além de frustração definiu aquela esperança.
E o coração dolorido insistiu em bater.
Sei que o mundo lá fora está cheio de problemas, 
mas me deixe ser um pouco egoísta e pensar em como não mais me reconheço,
em como não mais sei o que eu queria de você,
em como não sei odiar ninguém.
Deixe-me pensar nas desculpas pra pensar no que passou,
no que deixou de ser sem ter sido,
no que talvez será.
Deixe-me pensar. Somente essa noite.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Diário de bordo de Bruna Marola e Marola

O texto é longo, se a paciência tá curta, nem tente. Se começar, leia até o final. Talvez nem seja interessante, mas senti vontade e ponto. O título é em saudosa memória do programa de infância Mundo da Lua, com o Diário de Bordo de Lucas Silva e Silva.

Dia 11 de março de 2013 foi um dia muito especial. Talvez você tenha ido trabalhar normalmente, talvez tenha ido ao médico ou talvez esse dia tenha sido cheio dos problemas típicos de uma segunda feira. Pra mim, dia 11 de março de 2013 foi o dia em que tudo começou, em que um sonho se tornou realidade. Foi o dia em que vi meu nome completo, mais uma vez, em uma lista de aprovados no vestibular. Mas dessa vez, era possível. Eu iria. Eu vou!
Não queria fazer Engenharia Civil desde pequenininha, quem me conhece um pouco sabe disso. Já passei por várias fases: professora, psicóloga, tradutora, arquiteta... Eu tinha essa ideia mais ou menos formada no final do ensino médio, mas sem saber ao certo por que. O cursinho direcionou meus interesses. Aos poucos fui me apaixonando pela física. A matemática já tinha lugar cativo no meu coração e a química, que eu até gostava, virou um problema. História também. Eu não sabia de nada de nada com 17 anos, no primeiro vestibular. Absolutamente nada da vida, do que significava fazer uma faculdade e etc. Só sabia de uma coisa: é dever do governo me dar um Ensino Superior e, apesar de ter pago o fundamental e o médio, coloquei no coração e na mente que a faculdade teria de ser pública e que eu tentaria entrar nas melhores.
A educação básica foi de inteira despesa dos meus pais, e eu devo isso a eles. Sempre fizeram o melhor que era possível com tudo o que tínhamos, nunca me privaram de coisas importantes e desde pequena me ensinaram o valor do dinheiro e o gosto pelos estudos. Não me orgulho de ter feito tanto tempo de cursinho, é verdade. No entanto, cada centavo da mensalidade saiu do meu bolso, exceto a última, que foi paga por eles em razão do fim do recebimento dos meus benefícios. Dinheiro esse fruto do meu trabalho de meio período que rendeu muitos aprendizados e uma perspectiva muito melhor da vida. Dos 17 aos 19 anos estive trabalhando e fazendo cursinho, prestando vestibular para um curso que estava atrás apenas de Medicina, Arquitetura e talvez Engenharia de Produção.
Confesso que me achava muito maluca em 2012, por que larguei o emprego e caí na vida de estudante em tempo integral. Pense: dois anos de cursinho, mais um semestre e meio o dia todo. Eu estava maluca! Já poderia ter terminado um curso técnico, estar no meio de uma faculdade normal, menos puxada... mas eu estava lá, NO CURSINHO! Tinha dado meu ultimato: em 2013 começaria uma faculdade, nem que fosse no curso de Física! O começo do meu ano letivo (em maio) foi muito difícil. Eu assistia àquelas aulas me perguntando o que estava fazendo ali, me perguntando quantas apostilas eu teria que usar ainda, me perguntando quando o Márcio perderia a paciência e perguntaria: "Mas o que você ainda está fazendo aqui?!".
Mas o ser humano é adaptável. E eu não sou de desistir fácil. Depois das férias as coisas começaram a melhorar, eu comecei a me enturmar melhor e ver que ansiedade e desespero não eram só minhas características, mas de muita gente boa que estava por lá. Depois de estudar até não poder mais, chegou a época das provas. Todo mundo extremamente maluco. Ao prestar o Enem eu só pensava que tinha que acertar o máximo de questões que fosse possível, nem que isso me rendesse dores de cabeça e de coluna. Por experiência própria: a cada ano que passa você fica mais nervoso, se cobra muito mais, mas faz a prova mais confiante.
Os resultados chegaram, nem tão bons quanto eu imaginava. O Enem estava razoável, a Unesp também, mas a Unicamp e a USP não estiveram dentro das minhas expectativas. Da USP eu nem liguei, de verdade, mas da Unicamp eu fiquei completamente arrasada por não ter ido pra segunda fase. Absolutamente. Chorei  durante a noite em que o resultado saiu e só fui pro cursinho no dia seguinte por que precisava devolver uns cadernos de revisão. Passei o final do ano completamente destruída por isso, por que era a Unicamp que eu sempre desejei, mas fui barrada antes de ter a chance de tentar de novo. Meus pais choraram comigo. Mas é bom lembrar que só depois de destruir alguma coisa é que se enxerga o potencial da reconstrução.
Fiz a segunda fase da Unesp, fui bem na prova, mas também não deu. Antes mesmo de saber disso, acabei deixando a segunda opção do Sisu na FURG, em Rio Grande, Rio Grande do Sul. E passei. Foi um período difícil. Eu não sabia o que fazer. Perderia a chance de entrar em uma faculdade Federal por falta de grana? Por que era muito longe? Por que meus pais não queriam? Entrei em desespero várias e várias vezes, até que me conformei com a situação e entreguei tudo nas mãos de Deus. Ele saberia onde me colocar e quando me colocar. A minha parte estava feita, meu melhor eu tinha dado.
Foi-se o churrasco dos aprovados, com todo aquele pessoal maravilhoso ingressando nos melhores cursos do Brasil bem na época do meu desespero. Fiquei MUITO feliz por cada um deles, o esforço tinha sido recompensado. Eu falava: ah, vamos ver na Ufscar né, quem sabe? Se não der vou pra Unimep mesmo...
Então, mais de um mês depois, chegou dia 11 de março. Depois que eu sosseguei meus medos na presença do Pai, depois que eu aprendi a me amar, depois que eu aprendi a ser sincera, depois que eu resolvi me abrir para a vida e as situações inusitadas dela, vi meu nome na última lista de chamada antes do começo das aulas na Ufscar. Foi maravilhoso. Não consigo descrever a sensação. Só quem já passou por isso sabe como é.

Não quero lhes contar essa história toda com a finalidade de me exaltar. Jamais. Quero que através dela alguém talvez se identifique, talvez alguém se encoraje, talvez alguém tenha histórias pra contar também. Quero ouvir todas elas!
Não desistir disso foi a melhor atitude que já tomei na vida. Apesar de ter uma vida toda, 20 anos de Americana, descobri que algumas coisas precisam ser deixadas pra trás. Outras não me abandonarão. Outras ainda me reencontrarão no futuro, eu sei disso. Sei que muitas coisas difíceis me encontrarão nesse caminho, mas o que eu achava que era meu sonho ficou pra trás. O que ficou pro futuro foi o sonho de Deus pra mim, por que eu não imaginava, não esperava nada disso. Agora preciso correr contra o relógio, mas que corrida mais maravilhosa é essa! Ser a primeira da casa a ter um diploma universitário. Ser talvez (família gigante, sabe como é) a primeira da família a se formar em uma Federal. É algo muito mais maravilhoso do que eu jamais imaginei. Quem semeia com lágrimas nos olhos, colhe os frutos no tempo certo. E eu digo mais: quem estuda muito com uma caneca de café do lado, apesar das dores de cabeça e do cansaço mental, vai ser bom profissional no futuro. Vai entrar nas melhores faculdades e ser diferença neste mundão de meu Deus!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Renovação, de novo, tudo é novo.

Às vezes questiono seriamente minha capacidade de renovação. Aconteceram tantas coisas, várias e várias vezes que me fizeram mudar (ou tentar uma mudança) que me pergunto se algum dia pararei de tentar começar de novo depois do erro.


Uma das coisas que me fez pensar nisso é um tipo de ansiedade constante, não só em mim, mas nessa sociedade alucinada em que vivo. A ansiedade me ensinou que posso ser mais ignorante e egoísta que imagino. Ignorante por não saber que ficar ansiosa demais me transforma em quem eu não quero ser; egoísta por querer resolver tudo pelas próprias mãos. Mas me lembro que um dia um amigo me trouxe meio que indiretamente um recado que veio do Pai: "Tudo o pedires ao Pai, crendo, receberás". Basta pedir, basta gastar tempo e entregar. Claro que isso é extremamente difícil pra uma pessoa que parece muito tranquila, mas que luta diariamente contra preocupações demasiadas. E, no fim das contas, a tal ansiedade só prova minha estupidez: com ou sem ela as coisas acontecerão e é melhor que as expectativas não sejam escandalosas, não sejam a MINHA vontade.


Outra razão são essas tais expectativas, e elas devem estar intimamente ligadas ao universo feminino. Homem cria poucas expectativas para o futuro, mas mulheres planejam sua vida desde que começam a se entender por gente. Aí as expectativas te frustram. Como diz a música: "quando espero o mar se abrir, vejo meus pés sobre as águas". Aquele que cuida das minhas expectativas mostra que não era pra ser do jeito que eu quero, mas do jeito que tinha que ser. Minhas grandiosas expectativas talvez realmente não fossem o melhor, e sim apenas uma lição de paciência de um Pai que tenta me ensinar a confiar somente. Só a Graça te basta, criança, por que você insiste em buscar primeiro as outras coisas?!


Um tal de "destino" todo enfeitado, rebuscado e inevitável que pintam também me faz questionar minha capacidade de renovação. Obviamente ele não é como pintam. Quando paro pra pensar em tudo o que já aconteceu e em toda a história já escrita, percebo que nenhum passo foi dado fora do rumo que precisava ser seguido. Alguns deles foram dados pra que mudassem de rumo. Esses passos são doloridos, eu sei. Aí entram a vontade permissiva de Deus e o tal livre arbítrio. Queremos tanto seguir nossos caminhos, nossas expectativas que às vezes Deus nos deixa fazer o que desejamos, como a criança que encosta a mão no fogo por um segundo. E as transformações só acontecem pelo poder do fogo.


Concluindo as ideias inconclusíveis, a tal renovação é complicada quando passamos por alguma das situações acima. Essas situações nos fazem duvidar de nossa capacidade de crescer, nossa força. Às vezes são necessários cinco ou dez minutos de choro que venham com a fé de que essas situações podem ser mudadas; não pelas próprias mãos, mas pelo desenvolvimento da entrega. Deixar tudo. Absolutamente tudo. Tudo é novo, de novo: renovação.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Desejos inacabados

Não, o ano de 2012 não será fácil. Você não vai encontrar só amigos, alegria e festa. Dias difíceis estão por vir, horas in-ter-mi-ná-ve-is, pessoas chatas, trabalhos enfadonhos e programações das quais você não terá o mínimo interesse de participar, mas terá de ir. Em janeiro de 2012 você pode começar uma nova dieta, um novo pensamento, renovar sua autoestima e sua personalidade. Espero que ainda se lembre e cumpra tudo isso até junho, ou agosto: o temido mês interminável.

Viaje em 2012, você terá oportunidades. Converse com quem você tiver vontade, fale o que quiser dizer. Preocupe-se um pouco com os outros e, se sobrar tempo, se preocupe com você.  Faça a tal listinha de resoluções, se isso adiantar. Seja espontâneo. Busque aquilo que faltou em 2011. Não, meu amigo, 2012 não será um ano fácil, já previam os maias e tudo mais. Tenho certeza de que ao seu redor permanecerão algumas das pessoas admiráveis que você teve o prazer e a honra de conhecer em 2011, sei que a vida é muito mais do que as coisas pelas quais desperdiçamos a maior parte do nosso tempo.  Pessoas fazem toda a diferença em um ano, pode anotar e reparar.

Seja mais sensível aos apelos da vida e simplesmente olhe as coisas ao seu redor feito criança: vendo a novidade na renovação. Do dia, do sol, da misericórdia, da graça. Não siga todos os meus conselhos, erre. Reinvente seus conceitos. E, do mais, simplesmente desejo aquilo que todos desejam, e que chegue 2012!